Arquidiocese de Braga -

21 maio 2013

VIVER SEGUNDO A FÉ

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Reflexão na reunião do Conselho Presbiteral.

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Viver segundo a Fé

Reflexão na reunião do Conselho Presbiteral

Como palavra de abertura, quero situar, sem distrair ou afastar da agenda, a temática deste Conselho no conjunto das Orientações da Conferência Episcopal Portuguesa sobre o “Promover a Renovação da Pastoral da Igreja em Portugal”.

É do conhecimento geral que tudo se iniciou por ocasião da última Visita Ad Limina. O discurso do Papa Bento XVI, partindo dos relatórios enviados pelas Dioceses, convidava a uma revisão da Pastoral, situando-a nos novos contextos sociais e eclesiais. Iniciou-se um trabalho sinodal que envolveu todas as Dioceses, os Institutos Religiosos, os Movimentos, etc. A Universidade Católica deu o seu contributo com a elaboração e estudo de vários inquéritos.

Talvez se esperasse um longo documento com itinerários concretos pormenorizados e capazes de dispensar o trabalho das Dioceses numa uniformidade rigorosa. Optou-se por um simples elenco de alguns rumos comprometedores dum agir comum mas nunca destruidores ou desconhecedores da identidade e caracterização próprias do específico e particular de cada Diocese. Trata-se dum agir comum sem impor ações e atitudes pastorais. É uma Nota Pastoral a assumir como um substrato que acompanha as iniciativas de cada Igreja Particular através de 7 rumos que não devem ser desconsiderados.

Da nossa parte, continuaremos com o Plano de “redescobrir a identidade cristã”, através dum centralizar-se na fé como convicção geradora de confiança e de alegria. “Sei em quem acreditei” (2 TIM 1, 12). “Feliz de ti que acreditaste” (Lc 1, 45).

Os sete “rumos” propostos sublinham uma prioridade que acolhemos, como tema central desta Assembleia, que nos faz delinear, em comum, o Programa Pastoral do próximo ano: “Fomentar iniciativas de iniciação cristã e de formação”. Grande desafio que pressupõe a capacidade de descodificar os  rumos anteriores (“Primado da graça e nova mentalidade”, “Comunhão para a Missão”, “Missão de todos para todos”) dando uma ênfase especial à responsabilidade de “testemunhar a fé revitalizada” e “comprometendo-nos com as iniciativas pastorais em curso”. Trata-se, por isso, para chegarmos a uma Fé “professada, celebrada, vivida, anunciada e contemplada”, de apostar na Iniciação Cristã e na formação convictos de que o primado está na graça e a Igreja que queremos é uma Igreja comunhão aberta à missão, que não é de alguns mas de todos e para todos.

Talvez pensemos que há pouca novidade nesta Nota Pastoral. Pessoalmente estou intimamente persuadido de que a renovação da pastoral acontecerá se cada um dos rumos não for dado por descontado mas se os aceitarmos como um poço onde tirar água pura e cristalina sem receio da vida nova que esta mesma água suscitará. São poucas palavras, válidas para todos e carregadas de desafios, que iremos acolhendo à medida que entrarmos nos diversos “aspetos” – sem a fragmentar – da fé. Se a iniciação e a formação são o núcleo duro, a constituição de comunidades crentes, talvez com menos cristãos mas mais conscientes nas motivações, é o alerta que o Espírito Santo nos lança nesta hora de mudança. Pretende-se uma nova mentalidade que só surgirá quando nos tornarmos mais apaixonados pelo sopro do Espírito, intuído na oração e na Lectio Divina, para que, como imensas vezes o Papa Francisco tem sublinhado, a Igreja não seja mundana no sentido literal da palavra mas se sinta enviada como “vinda doutro lado”, para estar no mundo carregando os seus dramas e angústias. Se o Amor de Cristo resplandecer, sem muitas interpretações redutoras da sua originalidade, a Igreja terá futuro.

Não será que, neste Conselho, poderíamos elaborar algumas ideias para motivar a celebração do Dia paroquial ou Interparoquial da Fé em todas as comunidades? Como deverá ser vivido em termos de gerar programas para intensificar a reflexão sobre os conteúdos da Fé e apostar numa séria Iniciação cristã? Estaremos satisfeitos com o andamento do Ano da Fé?

Que a Senhora do Pentecostes esteja no cenáculo da vida Arquidiocesana para, dum modo permanente, ouvirmos a novidade que o Espírito tem para nos dizer.

† Jorge Ortiga, A.P.

Centro Pastoral da Arquidiocese de Braga, 21 de Maio de 2013.