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DACS com America, The Jesuit Review e National Catholic Reporter | 22 Jan 2021
Catolicismo marcou a tomada de posse do novo Presidente dos EUA
Joe Biden é católico e começou o dia com participação na eucaristia.
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  © Reuters

O Gabinete de Joe Biden – incluindo a vice-presidente, os chefes de 15 departamentos executivos e oito outros cargos-chave – será o mais racial e etnicamente diverso de todos os tempos. Entre eles estão seis afro-americanos, quatro hispânicos, três asiático-americanos e um nativo americano. Metade dos escolhidos são mulheres, constituindo também o maior número já nomeado para um gabinete presidencial.

Em termos das suas origens religiosas, os nomeados do Gabinete também são diversos. Assim como o presidente eleito, a maioria – pelo menos oito – é católica. Biden é católico, vai à missa regularmente e cita frequentemente as Escrituras.

A Constituição especifica que não deve haver nenhum critério religioso para ocupar cargos. E Biden provavelmente estava mais interessado em escolher pessoas que fossem amplamente representativas em termos de etnia, raça e género, não religião.

Mas, ainda assim, os católicos não deixam de ser uma maioria. E a importância da religião marcou bem o dia da tomada de posse do novo Presidente dos EUA.

 

Papa Francisco felicitou o novo Presidente dos EUA

© AFP

O Papa pediu ao novo presidente dos Estados Unidos da América que tenha atenção aos pobres e aos que “não têm voz” na sociedade norte-americana.

Na mensagem publicada no dia de tomada de posse da nova liderança do executivo dos EUA, Francisco afirma que, “num tempo em que graves crises enfrentadas pela nossa família humana pedem respostas unidas e de longo alcance, rezo para as que suas decisões sejam guiadas por uma preocupação pela construção de uma sociedade marcada pela autêntica justiça e liberdade, ao lado do incansável respeito pelos direitos e dignidade de cada pessoa, especialmente dos pobres, dos vulneráveis e daqueles que não tem voz.”

A mensagem para a tomada de posse do 46.º presidente dos Estados Unidos da América começa com votos de que Deus conceda a Joe Biden “sabedoria e força no exercício de seu alto cargo”.

“Sob a sua liderança, que o povo americano continue a encontrar força nos elevados valores políticos, éticos e religiosos que inspiraram a nação desde a sua fundação. Também peço a Deus, a fonte de toda sabedoria e verdade, que guie os seus esforços para promover a compreensão, a reconciliação e a paz dentro dos Estados Unidos e entre as nações do mundo, a fim de promover o bem comum universal”, acrescenta o Papa.
 

“Os bispos católicos não são participantes activos na política da nossa nação, mas pastores responsáveis de milhões de estadunidenses e atentos às necessidades de todos. Portanto, a missão a que são chamados é a de oferecer princípios arraigados no Evangelho de Jesus, amando o próximo e trabalhando por uma América que proteja a dignidade humana, favoreça a igualdade entre as pessoas, oferecendo as mesmas oportunidades e com o coração aberto aos sofredores e vulneráveis”


A mensagem conclui com uma bênção para Biden, a sua família e o “querido povo norte-americano”.

O presidente norte-americano Joe Biden tomou posse esta quarta-feira em Washington D.C., jurando sobre uma Bíblia familiar do século XIX. Kamala Harris tomou posse como 49.ª vice-presidente dos EUA, jurando sobre várias Bíblias com diferentes significados: a Bíblia familiar da figura da luta pelos direitos civis, Rosa Parks; uma Bíblia que pertenceu a Thurgood Marshall, o primeiro juiz afro-americano do Supremo Tribunal de Justiça norte-americano; e uma Bíblia pertencente a uma amiga próxima.

O padre jesuíta Leo J. O’Donovan, ex-presidente da Universidade de Georgetown e amigo de Biden, fez a oração inaugural, com apelos à unidade do país e à defesa do bem comum, citando o Papa Francisco para destacar a importância de “sonhar juntos”.

No seu discurso, Biden citou Santo Agostinho, bispo católico dos séculos IV-V, que na sua obra “A Cidade de Deus” define a nação como um conjunto de pessoas unidas “pelos objetos comuns do seu amor”.

 

Bispos dos EUA também saudaram Biden

Por ocasião da tomada de posse do presidente Biden, os bispos dos EUA também divulgaram uma mensagem de felicitações, com um convite para trabalharem juntos num “clima de diálogo construtivo”. A mensagem continha referências a assuntos mais delicados, como o aborto, a eutanásia e a pena de morte.

No dia de tomada de posse na Casa Branca, o Arcebispo de Los Angeles e Presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, D. José H. Gomez, invocou "sabedoria e coragem" para o novo Presidente dos Estados Unidos.

 

“Para o nosso novo Presidente, imploramos a sabedoria que Salomão procurou quando se ajoelhou e orou por «um coração compreensivo para poder governar o povo e saber a diferença entre o certo e o errado». Confiamos no conselho da Carta de Tiago: «Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça a Deus, que dá generosamente a todos sem culpar, e ser-vos-á dada»”

 

O prelado sublinhou o compromisso a que é chamado o 46º presidente dos EUA: a liderança da nação, a cura das feridas infligidas pela pandemia e a necessidade de trabalhar pela superação das divisões políticas e culturais.

“Os bispos católicos não são participantes activos na política da nossa nação, mas pastores responsáveis de milhões de estadunidenses e atentos às necessidades de todos. Portanto, a missão a que são chamados é a de oferecer princípios arraigados no Evangelho de Jesus, amando o próximo e trabalhando por uma América que proteja a dignidade humana, favoreça a igualdade entre as pessoas, oferecendo as mesmas oportunidades e com o coração aberto aos sofredores e vulneráveis”, pode ler-se na mensagem.

 

A oração inaugural

© Stephen Voss

Biden e o padre O'Donovan têm uma amizade de longas décadas. Como presidente da Universidade de Georgetown, o Padre O'Donovan encorajou o agora Presidente dos EUA a ministrar uma palestra na escola sobre a importância da fé na sua vida política, sendo esta a primeira vez que Biden abordaria o assunto publicamente. Isto foi em 1992, o mesmo ano em que Hunter, filho de Biden, terminou os seus estudos em Georgetown. Biden observou na altura que “nunca trabalhou tanto num discurso”. Anos depois, Biden pediu ao Padre O'Donovan para presidir à missa fúnebre do seu filho Beau Biden após a sua morte de cancro no cérebro, em 2015.

Já em 2018, Biden escreveu o prefácio do livro do padre O'Donovan, “Blessed Are the Refugees: Beatitudes of Immigrant Children”. O Presidente dos EUA escreveu que o Padre O'Donovan “proporcionou grande sabedoria e consolo” à sua família, ficando-lhe “eternamente grato” pela sua presença e pelas suas “amáveis ​​palavras” a respeito do filho Beau.

Em 2021, o padre O’Donovan, SJ ficou responsável por fazer a oração inaugural durante a tomada de posse de Joe Biden.

“Hoje, confessamos as nossas falhas passadas em viver de acordo com nossa visão de igualdade, inclusão e liberdade para todos. No entanto, comprometemo-nos ainda mais decididamente agora a renovar a visão, a cuidar uns dos outros em palavras e actos, especialmente dos menos afortunados entre nós, e assim nos tornarmos uma luz para a qual o mundo pode olhar”, afirmou o sacerdote jesuíta.
 

“A minha mais profunda oração por si hoje, como sacerdote, cidadão e amigo, é que se lembre sempre de que o Senhor está perto e não importa o som e a fúria ao seu redor. Deus quer dar-lhe paz, uma paz profunda que o irá sustentar”


O padre O’Donovan disse que cada uma das pessoas tem em si o poder de prestar atenção e cuidar dos que o rodeiam, sobretudo dos mais frágeis: isso é amor e o seu caminho faz-se dando cada vez mais de si mesmo.

“Para o nosso novo Presidente, imploramos a sabedoria que Salomão procurou quando se ajoelhou e orou por «um coração compreensivo para poder governar o povo e saber a diferença entre o certo e o errado». Confiamos no conselho da Carta de Tiago: «Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça a Deus, que dá generosamente a todos sem culpar, e ser-vos-á dada»”, sublinhou.

O sacerdote lembrou ainda o pensamento do Papa Francisco que reflecte a importância de construir sonhos em conjunto, ao invés de miragens que podem surgir quando o homem se centra na individualidade.

“Esteja connosco, Santo Mistério do Amor, enquanto sonhamos juntos. Ajude-nos, sob o nosso novo Presidente, a reconciliar o povo da nossa terra, a restaurar o nosso sonho, e investe-o de paz e justiça e da alegria que é a abundância do amor”, pediu.

 

Joe Biden começou o dia com participação na eucaristia

© Reuters

Horas antes da tomada de posse, Joe Biden, a sua família, amigos e líderes congressistas de ambos os partidos reuniram-se para participarem na eucaristia na Catedral de São Mateus, o Apóstolo. O sacerdote que presidiu à missa foi Kevin O’Brien, SJ.

“Há sessenta anos, John F. Kennedy, o primeiro católico a tornar-se Presidente dos Estados Unidos, participou na eucaristia na manhã da sua tomada de posse, do outro lado da cidade, na Igreja da Santíssima Trindade, em Georgetown. Hoje, o nosso Presidente eleito reuniu familiares e amigos para iniciarem este dia de tomada de posse de outro Presidente católico no mesmo espírito de oração e acção de graças. Como fizeram tantas vezes na vossa vida pública e privada e durante a campanha, Joe e Jill, vocês fundamentaram este dia na vossa fé e nas leituras e orações familiares desses rituais sagrados”, começou por dizer na homilia.

O sacerdote elogiou a atitude humilde da família Biden ao pedir a protecção e a bênção de Deus, assim como força, coragem e esperança para servirem o país. 

“Como país, temos muito o que esperar por causa da sua liderança e de Kamala Harris. Todos os dias, o Presidente irá esforçar-se para curar as feridas da nossa nação e reconciliar as nossas diferenças, unindo-nos. Biden: conhece muito bem os desafios futuros e o custo do serviço. A minha mais profunda oração por si hoje, como sacerdote, cidadão e amigo, é que se lembre sempre de que o Senhor está perto e não importa o som e a fúria ao seu redor. Deus quer dar-lhe paz, uma paz profunda que o irá sustentar”, disse a Joe Biden.

Kevin O’Brien, SJ voltou a lembrar o trajecto feito por Kennedy há décadas e desejou que também as orações de “hoje” chegassem a Deus, que deu a Biden a nobre missão de fazer do mundo um local mais justo e gentil.

“Quando abraçamos a nossa nobre missão e a promessa divina, algo notável acontece. Nas palavras do profeta Isaías que ouvimos: “romperá a luz como a alva." Depois de muita escuridão, amanhece hoje, neste dia inaugural. Vamos encontrar a aurora juntos, irmãos e irmãs, animados pela nossa fé e convicção cívica, cheios de promessa e esperança”, concluiu.

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Palavras-Chave:
EUA  •  Joe Biden  •  Eucaristia  •  Catolicismo  •  Religião  •  Tomada de Posse
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