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Vida Nueva Digital | 28 Jan 2021
Irmã Doris, a última monja cervejeira da Europa
Religiosa diz que é possível servir a Deus em todos os lugares, independentemente do ofício ou profissão.
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  © DR

Servir a Deus fazendo cerveja artesanal? Há 45 anos que a irmã Doris Engelhard, da Abadia Franciscana de Mallersdorf, na Baviera, tem feito exactamente isso. A última monja cervejeira na Europa, a Irmã Doris, é uma verdadeira força da natureza. 

Além de produzir sozinha cerca de 3.000 hectolitros de cerveja por ano, esta Braumeister (mestre cervejeira) de 65 anos adora o seu trabalho e desempenha-o com alegria contagiante, a mesma alegria que destila ao servir o Senhor: “Podes servir a Deus em todos os lugares, independentemente da profissão ou ofício que tenhas. É bom agradar a Deus e às minhas irmãs, juntamente com os nossos clientes”.

Como ela mesma nos conta [Vida Nueva Digital], a ligação entre a cerveja e as mulheres, mesmo as da Igreja, é muito antiga. Diz-se que a cerveja foi inventada por uma mulher há dez mil anos. “Existem várias versões”, explica a irmã Doris, a quem contactámos por e-mail. “Pensa-se que a cerveja milenar nasceu provavelmente na Mesopotâmia, de um pedaço de pão esquecido a céu aberto, que humedeceu e começou a fermentar. O líquido resultante tinha propriedades incríveis. Isso pode ter acontecido há 10.000 anos!”, explica.

Uma bebida antiga, talvez até mais velha que o vinho. “Na Epopeia de Gilgameš, no segundo milénio a.C., fala-se de uma bebida semelhante à cerveja feita com tâmaras e cevada. Os estudiosos são de opinião que o início do desenvolvimento da cultura humana está intimamente relacionado com a arte da cerveja”. 

 

Artesanato feminino

A primeira deusa, considerada a matrona da cerveja, foi a suméria Ninkasi, seguida por Athor, uma egípcia, e Isthar, uma divindade babilónica. Egípcias, Assiro-Babilónias, Persas, Cretenses, Gregas e Bizantinas, mulheres que se dedicaram por milhares de anos ao preparo desta bebida. Até à Idade Média, a cerveja era feita quase exclusivamente por mãos femininas.

“Era responsabilidade da mãe da família prover o sustento, que também incluía as bebidas. Imediatamente após a confecção do pão no forno, surgiu a cerveja, pois nesses ambientes quentes circulava no ar um resíduo de fermento em pó, facilitando a fermentação da cerveja. Na Alemanha existe um ditado que diz: «Hoje cozinho, amanhã faço cerveja»”, adianta a Irmã.

Para produzir cerveja é necessário um cereal que contenha uma boa percentagem de amido para fermentar e alguns temperos para dar sabor. Os sumérios chamavam a sua cerveja de kasch. A palavra ainda hoje sobrevive na palavra eslava kas, que significa sopa de pão. A cerveja na Alemanha ainda se chama Brot Flüssiges, pão líquido.
 

"Fazer cerveja representa para mim um trabalho para obter alimentos bons e saudáveis. É um prazer poder oferecer aos nossos clientes uma bebida substancial. Amo o meu trabalho e adoro o cheiro da cerveja e de trabalhar com fermento e cevada. Fico feliz quando as pessoas apreciam a nossa cerveja com alegria. Certamente Deus não quer que as pessoas fiquem tristes e frustradas! Há tantas coisas que tornam a vida agradável e digna de ser vivida. Para mim é trabalhar na cervejaria e poder beber uma boa cerveja."

 

As propriedades do lúpulo

Foi uma mulher de muitos talentos – religiosa e botânica, filósofa, escritora, poetisa e linguista – quem descobriu as propriedades do lúpulo, ingrediente que transformou a cerveja medieval naquilo que bebemos hoje em dia. Essa mulher era Hildegarda de Bingen, uma santa e declarada doutora da Igreja em 2012 pelo Papa Bento XVI.

“Acho que Hildegarda era uma mulher inteligente e sábia. Ela teve a coragem de dizer aos homens o que é mais saudável, não teve dificuldade em emancipar-se! Ela estava segura de si mesma e fez o que achou ser certo”, sublinha a Irmã.

Na Idade Média, vários mosteiros, especialmente na Baviera e na Bélgica, mas também na Itália, tornaram-se produtores desta bebida nutritiva, mas um tanto ou quanto turva. Não é exactamente aquilo que bebemos hoje, mas uma versão mais rudimentar e apimentada, já que a cerveja medieval era feita com as águas sujas e insalubres dos conventos.

A Abadia de Mallersdorf está ligada à produção de cerveja desde o século XII. Depois de um longo hiato, a produção de cerveja foi retomada em 1881 e, depois, na década de 1970, graças à Irmã Doris. Até há trinta anos, o mosteiro de Schönbrunn, próximo de Dachau, na Alemanha, também tinha uma cervejaria dirigida por freiras no seu interior. 

 

Mestre cervejeira

Hoje, infelizmente, restam muito poucas mestres cervejeiras entre freiras, como a irmã Doris, que todos os Domingos se levanta às três da manhã para trabalhar na cervejaria. 

“Mallersdorf foi fundada pelos Beneditinos de Bamberg em 1109. Como os beneditinos eram auto-suficientes, começaram a fazer cerveja neste período. Há uma bula de 1432 que permite aos beneditinos de Mallersdorf venderem cerveja em barris. Eu própria trabalho na cervejaria do convento desde 1966 e sou responsável por ela desde 1975. Sou uma mestre cervejeira muito normal e procuro, como todo o mestre cervejeiro, fazer uma boa cerveja”. diz a Irmã Doris.

A história de Doris é de vocação e dedicação. A Irmã queria estudar agricultura e dedicar-se ao trabalho manual e, por isso, uma freira sugeriu-lhe que cuidasse da cervejaria. Começou assim a sua aprendizagem em 1966, quando tinha dezassete anos, na cervejaria conventual dirigida pela Irmã Lisana, também ela mestre cervejeira.

“Em 1974-75 frequentei um instituto profissional de produção de cerveja em Ulm. Fazer cerveja representa para mim um trabalho para obter alimentos bons e saudáveis. É um prazer poder oferecer aos nossos clientes uma bebida substancial. Amo o meu trabalho e adoro o cheiro da cerveja e de trabalhar com fermento e cevada. Fico feliz quando as pessoas apreciam a nossa cerveja com alegria. Certamente Deus não quer que as pessoas fiquem tristes e frustradas! Há tantas coisas que tornam a vida agradável e digna de ser vivida. Para mim é trabalhar na cervejaria e poder beber uma boa cerveja. A cerveja é a bebida com menor teor alcoólico e, como também contém gás carbónico, é digerível. É uma bebida saudável... Se não exagerar, claro!”, conclui. 

 

Artigo publicado por Vida Nueva Digital.
Tradução de DACS.

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Palavras-Chave:
Mosteiros  •  Cerveja  •  Profissão  •  Ministério  •  Vocação  •  Trabalho  •  Braumeister
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