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DACS com La Croix International | 5 Abr 2021
ONU: A COVID-19 tornou o mundo pior para as mulheres
Pandemia está a aprofundar desigualdades pré-existentes que perpetuam formas múltiplas e cruzadas de discriminação, bem como racismo, estigmatização e xenofobia.
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  © ONU

Apesar das limitações impostas pela pandemia global, os participantes nas duas semanas de reuniões das Nações Unidas focadas na participação das mulheres na vida pública e na necessidade de eliminar a violência contra mulheres e meninas elogiaram o evento como um passo necessário para o avanço da igualdade de género. 

Os participantes afirmaram que a 65ª sessão da Comissão das Nações Unidas sobre o Status da Mulher foi um sucesso, mas também notaram um sentimento de impaciência relativamente ao ritmo de progresso. O ano pandémico atrasou a causa da igualdade das mulheres em todo o mundo. 

“Muitos dos avanços conseguidos desde a conferência de Pequim foram apagados pela Covid-19”, disse a Irmã Teresa Kotturan, que representa a Federação das Irmãs da Caridade nas Nações Unidas. 

“As mulheres ainda estão a ter os seus direitos humanos básicos negados. Ainda não é um mundo de direitos iguais”, disse a Irmã ao Global Sisters Report (GSR). 

Phumzile Mlambo-Ngcuka, directora executiva da ONU Mulheres, o secretariado do órgão global voltado para mulheres e meninas, disse que as reuniões serviram como um claro lembrete de que as mulheres acreditam que “o passado e o status quo não atenderam às suas necessidades de igualdade de género”.

Apesar disso, em declarações a 27 de Março, Mlambo-Ngcuka também elogiou o resultado das reuniões de 15 a 26 de Março, realizadas na sede da ONU em Nova Iorque e com grande participação online. O documento final das reuniões "reconhece a necessidade de acelerar significativamente o ritmo do progresso para garantir a plena participação e liderança das mulheres em todos os níveis de tomada de decisão nos ramos executivo, legislativo e judiciário do governo e no sector público”.

A pandemia global “está a aprofundar as desigualdades pré-existentes que perpetuam formas múltiplas e cruzadas de discriminação, assim como o racismo, a estigmatização e a xenofobia”, acrescentou.

No entanto, “dados recentes mostram que a maioria das mulheres esteve ausente das task-forces governamentais para a Covid-19 em todo o mundo – as mulheres representam apenas 24% dos 225 membros das task-forces analisadas em 137 países”, afirmou a responsável. 

O documento final recomenda medidas concretas que incluem a eliminação de leis e políticas discriminatórias e a promoção de “medidas inovadoras para promover as mulheres como líderes, executivas e gerentes em todas as áreas”. O documento também vai além de declarações generalizadas, pedindo metas e cronogramas equilibrados de género nos ramos do governo por “quotas, nomeações ou programas de treino”. 

O relatório também incentiva os partidos políticos a nomearem um número igual de candidatos do sexo feminino e masculino para cargos públicos. As irmãs católicas que participaram em vários fóruns online realizados paralelamente aos eventos formais da ONU disseram ao GSR que o evento apresentava limitações esperadas, mas também novos pontos fortes devido à mudança de formato. 

O evento de 2020 foi suspenso durante o surto inicial da pandemia global, pelo que o simples facto de as reuniões terem sido realizadas já foi considerado um sucesso. “Foi uma conquista na situação actual”, disse a Irmã Winifred Doherty, que representa a Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor na ONU. 

A Irmã afirmou que os documentos resultantes das reuniões da ONU tendem a ser mais fracos do que os proponentes ambicionam devido à necessidade de encontrar consenso entre a ampla diversidade dos estados membros da ONU. A título de exemplo, os desafios das mulheres com deficiência não foram totalmente abordados no documento deste ano. 

“O documento é sempre uma decepção”, disse, realçando, no entanto, que o facto de cerca de 25.000 pessoas de todo o mundo terem podido participar nas sessões online não foi uma façanha pequena.

Doherty observou a necessidade de defesa dos direitos a nível local, nacional e global, mas disse que fica esperançosa com todos os esforços para ajudar mulheres e meninas. 

 

A seriedade da situação actual das mulheres no mundo

A Irmã franciscana Florence Deacon, que trabalha como coordenadora da justiça das Irmãs da Santa Cruz, também considera que a situação global das mulheres e meninas se tornou terrível este ano, já que os confinamentos, a perda de emprego e o fardo da situação familiar recaíram principalmente sobre as mulheres. Profundamente preocupante também é o aumento da violência doméstica em todo o mundo. 

Ainda assim, a Imã Deacon disse que encontrou “resiliência e esperança” nos testemunhos, bem como nos esforços práticos para fazer a mudança, citando a crença de Martin Luther King Jr. de que “o arco do universo moral é longo, mas inclina-se para a justiça”. Afirmou ainda que, no seu trabalho, ouviu mulheres em todo o mundo a elogiarem a postura da ONU relativamente às preocupações das mulheres, bem como o seu trabalho humanitário. “Ouvi mulheres da África e da Ásia dizerem que o trabalho das Nações Unidas mudou as suas vidas”, explicou.

A coordenadora da justiça moderou um dos eventos paralelos online, um workshop a 22 de Março que abordou a violência doméstica. O evento foi co-patrocinado por vários grupos, incluindo as Irmãs da Santa Cruz e a aliança Vivat International, que representa irmãs, irmãos e padres de doze congregações religiosas. 

Raquel Hernández González, uma irmã Missionária Comboniana radicada no México, e a Irmã Semerita Mbambu da Santa Cruz, radicada no Uganda, denunciaram situações semelhantes de mulheres que tentam escapar de ambientes marcados por sequestros, violência doméstica e casamentos forçados. 

Mulheres da América Central procuram refúgio no México por causa das contínuas crises políticas e económicas; na região de Rwenzori, no oeste do Uganda, que faz fronteira com a República Democrática do Congo, as mulheres enfrentam violência sexual no contexto da guerra contínua e da agitação civil. 

Mbambu disse que a sua congregação ajuda mulheres com cuidados médicos, aconselhamento e desenvolvimento de competências. Em Chiapas, México, Hernández trabalha num abrigo que atende às necessidades de requerentes de asilo, migrantes e refugiados.

A pandemia exacerbou esses desafios já existentes. A Irmã Eustochia Monika Nata, da Indonésia, e a Irmã Michael Mary Nolan da Santa Cruz, com sede no Brasil, afirmaram durante o webinar que a pandemia claramente aumentou a violência doméstica nos seus respectivos países.

“Está a piorar a cada dia e está a acontecer em todo o país”, disse Nata, membro da Congregação das Irmãs Missionárias dos Servos do Espírito Santo e defensora das mulheres que sofrem violência doméstica. 

“Ter boas leis nos livros não significa que elas estejam a ser aplicadas”, disse Nolan sobre a situação no Brasil.

Embora estes relatos de luta tenham sido comuns durante os eventos da Comissão, a Irmã Carol De Angelo, directora do Escritório de Paz, Justiça e Integridade da Criação das Irmãs da Caridade de Nova Iorque, disse que as duas semanas de reuniões tiveram uma visão optimista. 

Mesmo que os participantes não tenham podido encontrar-se pessoalmente e interagir uns com os outros, esta ampla participação vinda de todo o mundo significou “que as partilhas foram muito, muito profundas”, afirmou a Irmã De Angelo ao GSR. 

A responsável acrescentou que cabe às mulheres e aos aliados masculinos trabalhar pela igualdade de género. Um desses aliados, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse ao longo das reuniões que a igualdade das mulheres é um imperativo não só para as mulheres, mas para toda a humanidade e até mesmo para o planeta. 

“Não podemos voltar às políticas fracassadas do homem que resultaram na fragilidade que vemos ao nosso redor – nos sistemas de saúde, na protecção social, no acesso à justiça e no bem-estar do nosso planeta”, sublinhou António Guterres.

 

Artigo original de Chris Herlinger, publicado em La Croix International, a 1 de Abril de 2021

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Palavras-Chave:
ONU  •  mulheres  •  igualdade  •  pandemia  •  Covid-19
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