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DACS com La Croix | 24 Mai 2021
“Consultar muito mais os leigos”
Paule Zellitch, Presidente da Conferência Católica dos Baptizados Francófonos (CCBF), explica o que, no seu entender, significam "sinodalidade" e "corresponsabilidade".
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  © CCBF

Quando hoje usamos a expressão “cultura da sinodalidade”, no fundo falamos de algo que deveria ser elementar na Igreja, ou seja, uma cultura da alteridade. Originalmente, a palavra “sínodo” vem das raízes gregas syn (“juntos") – o que significa que todas as vozes, todas as sensibilidades devem ser ouvidas – e hodos ("o caminho") – o que implica que nenhuma decisão deve cair do cimo na estrada: é preciso poder avançar sem questões tabu, colocando tudo em cima da mesa para discernir. Isso pressupõe que a pessoa não fique sempre num grupo restrito, com as mesmas pessoas, principalmente nos cargos de tomada de decisão. E isso não impede de forma alguma a responsabilidade e o ofício dos bispos, é uma outra forma de fazer Igreja.

Há um problema ligado à forma como a Igreja na França está a mudar: apenas 34% dos baptizados se declaram actualmente católicos, e isso não diz nada sobre a sua relação com a instituição. Os praticantes são 2%. Quando se fala em consultar os católicos, de quem estamos a falar?

Não se pode imaginar que a Igreja consiga avançar consultando apenas aqueles 2%. A Igreja deve arranjar uma forma de ir mais longe. E, para isso, deve superar a fixidez, voltar às coisas simples, com a introdução da alteridade e, com ela, a diversidade de posições, as palavras, os estados de vida na instituição. É necessário viver verdadeiramente um regresso ao Evangelho.

Aqui na CCBF (Conferência Católica dos Baptizados Francófonos) as coisas acontecem de forma muito deliberativa, com a preocupação de ir tanto ao encontro dos cristãos "da nave principal da igreja", como aos "do adro", os “das periferias". Não guardamos nada em segredo. Deixámos de exercer a indiscrição espiritual, que ameaça a liberdade interior e rejeita o espírito de iniciativa do indivíduo. Até hoje, muitas pessoas de boa vontade, entre os baptizados, foram desencorajadas porque lhes foram atribuídos apenas cargos administrativos ou de caridade. Contudo, muitos católicos são capazes e estão dispostos a envolver-se em iniciativas de transformação eclesial, das quais seriam parte integrante, considerados, onde a sua voz seria importante!

É necessário, portanto, que leigos de diferentes sensibilidades, que representam 99% da tribo, estejam envolvidos no funcionamento da Igreja, a todos os níveis. Que sejam consultados em todos os lugares. As ciências sociais fornecem-nos muitos métodos para realizar, com a ajuda de profissionais, amplas consultas a questões em aberto. Depois disso, será importante confrontar – talvez a cada dois ou três anos – os resultados obtidos para cada desafio proposto. Não se trata de um protocolo inquisitorial, mas de uma forma de balanço, tendo em vista o objectivo. Daí resultará a seriedade e a "performatividade" do caminho para sair da cultura dos abusos, para uma cultura de corresponsabilidade bem colocada.

 

Artigo de Paule Zellitch, Presidente da Conferência Católica dos Baptizados Francófonos (CCBF), publicado no La Croix a 21 de Maio de 2021.

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Palavras-Chave:
CCBF  •  França  •  Baptismo  •  Sinodalidade  •  Leigos
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