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DACS com Agência Brasil | 17 Jun 2021
Brasil: quatro em cada dez alunos pensaram em parar os estudos devido à pandemia
Realizada pelo Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) com 68.144 jovens de todo o país, a investigação mostrou que mais de metade (56%) dos jovens de 15 a 29 anos que estão actualmente afastados das aulas do ensino secundário ou superior interromperam os seus cursos durante a pandemia.
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  © Banter Snaps

Em 2020, então com 15 anos de idade, a estudante Letícia de Araújo Alves Meira teve que tomar uma decisão difícil: considerada uma aluna aplicada, resolveu interromper os estudos. Moradora de Valparaíso de Goiás, a cerca de 40 quilómetros de Brasília, a adolescente sentia que não estava a assimilar o conteúdo do 2º ano da rede pública de ensino.

“Estava a achar muito complicado acompanhar [as aulas remotas]. Era actividade atrás de actividade, e poucos encontros [aulas online] para tirar dúvidas. Era desproporcional. E, muitas vezes, só éramos avisados em cima da hora. Tudo isso acabou a desmotivar-me”, contou Letícia à Agência Brasil.

Ao conversar com a família e concluir que, a longo prazo, o melhor seria refazer o 2° ano, Letícia entrou para um grupo que jamais pensara integrar: o dos jovens que interrompem os estudos antes de concluí-los. Grupo que cresceu devido à pandemia, segundo constatou a II edição da investigação “Juventudes e a Pandemia de Coronavírus”.

Realizada pelo Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) com 68.144 jovens de todo o país, a investigação mostrou que mais de metade (56%) dos jovens de 15 a 29 anos que estão actualmente afastados das aulas do ensino secundário ou superior interromperam os seus cursos durante a pandemia. Além disso, quatro em cada dez entrevistados admitiram ter pensado em desistir dos estudos devido aos impactos da Covid-19 nas suas rotinas. As respostas foram recolhidas entre os dias 22 de Março e 16 de Abril, com a perspectiva de identificar os impactos da pandemia nos cerca de 50 milhões de jovens brasileiros, segmento que representa aproximadamente 1/4 da população brasileira.

Entre os entrevistados de 18 a 29 anos que interromperam os estudos, a principal causa foi a financeira. O que se reflecte na constatação de que, enquanto na primeira edição da investigação, divulgada em Junho de 2020, a percentagem de jovens que responderam trabalhar formal ou informalmente para complementar a renda familiar estava na faixa dos 23%, na actual edição constituem 38% do total – índice ainda maior entre os entrevistados negros, entre os quais o número chega a 47% dos participantes.

No geral, contudo, pesam também as dificuldades de organização e de acompanhar as aulas remotamente – entrave que afectou principalmente os mais jovens (15 a 17 anos), que se queixaram de não aprender o suficiente ou de não gostarem dos conteúdos transmitidos.

“Muitos colegas diziam que não estavam a conseguir acompanhar o ritmo do ensino remoto. Entrei em grupos online de estudantes e de pais de alunos que precisavam de apoio, de conversar sobre as dificuldades, e é sempre a mesma coisa: existem os que não têm suporte técnico necessário; os estudantes que têm necessidades especiais e precisam de auxílio; os que não conseguem acompanhar o ritmo das actividades”, exemplificou Letícia.

A maioria (47%) dos entrevistados que interromperam os estudos considera que a acção mais eficaz para atrair os estudantes de volta às salas de aula é vacinar toda a população. Além disso, 36% também apontaram a necessidade de o Poder Público oferecer políticas públicas que garantam uma renda básica aos jovens, seja através da concessão de bolsas de estudo, seja pelo rendimento emergencial – preocupação que aumenta na mesma proporção da faixa etária dos entrevistados.

Entre os entrevistados que interromperam os estudos, 8% disseram que não planeiam voltar a estudar, mesmo quando a pandemia estiver controlada. E os que continuam a estudar afirmam que a maior motivação para superar os contratempos vem da preocupação com o futuro: 23% dos entrevistados disseram querer ter um bom currículo para conseguir ingressar no mercado de trabalho. A expectativa quanto a um futuro melhor é maior (57%) entre as mulheres que prosseguem os estudos do que entre os homens (50%), da mesma forma que é maior entre os mais jovens (15 a 17 anos).

Leticia representa bem este grupo. No início do ano, decidiu retomar os estudos, mesmo que remotamente. Mais uma vez, a preocupação com o futuro motivou-a, juntamente com a família, a tomar uma nova decisão difícil: recomeçar o ensino secundário do zero – mesmo depois de ter aprovação nas provas de recuperação, o que lhe permitiria frequentar as aulas do 3° ano se não tivesse trocado de escola.

“No fim do ano passado, a direcção da minha antiga escola entrou em contacto comigo, sugerindo que eu fizesse as provas de recuperação. Fiz as provas online e fui aprovada. Só que eu não estava confortável com aquilo, pois sabia que o meu segundo ano não tinha corrido bem. Tinha perdido praticamente todo o conteúdo”, explica a jovem, que decidiu matricular-se no Instituto Federal de Brasília (IFB) para fazer um curso técnico juntamente com o ensino secundário. “Como quero prestar provas para uma boa faculdade, vi que era melhor recomeçar do primeiro ano e rever todo o conteúdo do ensino secundário. Ao mesmo tempo, estou a aproveitar para fazer um curso técnico profissionalizante”.

Segundo o presidente do Conjuve, Marcus Barão, as consequências da pandemia na formação dos jovens serão sentidas durante algum tempo. “A situação é grave. Precisamos, urgentemente, de acções concretas, com capacidade real de promover mudanças, atendendo às exigências emergenciais e apresentando perspectivas de futuro”, sustenta Barão, sublinhando que os desafios não se limitam ao campo da educação.

O relatório completo da investigação pode ser consultado na página da plataforma Atlas da Juventude.

Artigo de Alex Rodrigues, publicado em Agência Brasil a 14 de Junho de 2021.

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Palavras-Chave:
Covid-19  •  pandemia  •  Brasil  •  estudantes  •  desemprego  •  ensino secundário  •  ensino superior
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