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DACS com Vatican News | 14 Out 2021
Reconhecido o milagre: Papa João Paulo I será proclamado beato
Francisco autorizou a Congregação para as Causas dos Santos a promulgar o decreto sobre a cura milagrosa atribuída à intercessão de João Paulo I, um Pontífice que ficou no coração do povo.
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O Papa Francisco, ao receber o Cardeal Marcello Semeraro em audiência na manhã desta quarta-feira, autorizou a Congregação para as Causas dos Santos a promulgar o decreto que reconhece um milagre atribuído à intercessão de João Paulo I, Albino Luciani.

Trata-se da cura de uma menina de onze anos em Buenos Aires no dia 23 de Julho de 2011, que sofria de “encefalopatia inflamatória aguda grave, doença epiléptica refractária maligna, choque séptico” e que estava em fim de vida.

O quadro clínico era muito grave, caracterizado por numerosas crises epilépticas diárias e um estado séptico causado por broncopneumonia.

A iniciativa de invocar o Papa Luciani foi tomada pelo pároco da paróquia à qual pertencia o hospital, a quem era muito devoto. O Papa João Paulo I está assim mais próximo da beatificação e agora aguarda-se a data, que será fixada por Francisco.
 

Ao lado dos pobres, sempre

Nascido a 17 de Outubro de 1912 em Forno di Canale (hoje Canale d'Agordo), na província de Belluno, norte de Itália, e falecido a 28 de Setembro de 1978 no Vaticano, Albino Luciani foi Papa apenas por 34 dias, um dos pontificados mais breves da história. Era filho de um operário socialista que trabalhava há muito tempo como emigrante na Suíça. No bilhete escrito pelo seu pai, dando-lhe o consentimento para entrar no seminário, lê-se: “Espero que quando fores padre, fiques ao lado dos pobres, porque Cristo estava ao lado deles”. Palavras que Luciani colocaria em prática durante toda a sua vida.

Albino foi ordenado sacerdote em 1935 e, em 1958, logo após a eleição de João XXIII, foi nomeado Bispo de Vittorio Veneto. Filho de uma terra pobre caracterizada pela emigração, mas também muito viva do ponto de vista social, e de uma Igreja caracterizada por grandes sacerdotes, Albino Luciani participou em todo o Concílio Ecuménico Vaticano II e aplicou as suas directrizes com entusiasmo.

Passou muito tempo no confessionário e foi um pastor próximo do seu povo. Durante os anos em que se discutia a legalidade da pílula anticoncepcional, pronunciou-se repetidamente a favor da abertura da Igreja sobre o seu uso, tendo escutado muitas famílias jovens.

Após a publicação da encíclica Humanae Vitae, na qual Paulo VI declarou a pílula moralmente ilícita em 1968, o bispo de Vittorio Veneto promoveu o documento, aderindo ao magistério do Pontífice. Paulo VI nomeou-o patriarca de Veneza no final de 1969 e criou-o cardeal em Março de 1973.

 

“Humilitas”

Albino Luciani, que escolheu a palavra “humilitas” para o seu brasão episcopal, foi um pastor que viveu sobriamente, firme no que é essencial na fé, aberto do ponto de vista social, próximo dos pobres e dos trabalhadores. Era intransigente quando se tratava do uso sem escrúpulos do dinheiro em detrimento do povo, como foi demonstrado pela sua firmeza durante um escândalo económico em Vittorio Veneto que envolveu um dos seus sacerdotes. No seu magistério, insistiu particularmente no tema da misericórdia.

Grande comunicador, escreveu um livro de sucesso intitulado “Illustrissimi”, com cartas escritas e enviadas aos grandes do passado com julgamentos sobre o presente. Deu particular importância à catequese e à necessidade de clareza dos que transmitem o conteúdo da fé. Após a morte de Paulo VI, foi eleito a 26 de Agosto de 1978 num conclave que durou um dia.

 

Homenagem aos Papas precedentes

Ao unir os nomes João e Paulo, não só homenageou os Papas que o quiseram como bispo e cardeal, mas também marca um caminho de continuidade na aplicação do Concílio. Foi o Papa que abandonou o uso do “nós”, do plurale maiestatis, e nos primeiros dias recusou o uso da sedes gestatoria (a liteira que transportava os Papas).

As audiências das quartas-feiras durante o seu breve pontificado foram encontros de catequese: o Papa falava sem texto escrito, citava poemas de memória, convidou um menino e um acólito a aproximarem-se e falou com eles. Num discurso improvisado, recordou ter passado fome enquanto criança e repetiu as palavras corajosas do seu predecessor sobre os “povos da fome” que questionam os “povos da opulência”.

 

Fama de santidade

Faleceu repentinamente na noite de 28 de Setembro de 1978. O Papa foi encontrado sem vida pela irmã que costumava levar café ao seu quarto de manhã. Em poucas semanas do seu pontificado, entrou no coração de milhões de pessoas pela sua simplicidade, humildade, as palavras em defesa dos pobres e pelo seu sorriso evangélico.

Muitas teorias foram construídas em torno da sua morte súbita e inesperada, com supostas conspirações usadas para vender livros e produzir filmes. Uma pesquisa documentada sobre a morte, que encerra definitivamente o caso, foi assinada pela vice-postuladora do processo de beatificação, Stefania Falasca (Cronaca di una morte).

A fama de santidade de Albino Luciani espalhou-se muito rapidamente. Muitas pessoas rezaram e rezam por ele. Muitas pessoas simples e até mesmo um episcopado inteiro – o do Brasil – pediram a abertura do processo que agora, após um procedimento ponderado e bem pensado, chegou à sua conclusão.

Artigo adaptado a partir de Vatican News, a 13 de Outubro de 2021.

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