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DACS | 2 Nov 2021
“Chega de uma Igreja entrincheirada!”
Em Fevereiro, o Papa apontou o agostiniano madrileno Luis Marín como subsecretário do Sínodo dos Bispos. Está nas suas mãos dinamizar a consulta global que Roma lançou para reflectir sobre o futuro da Igreja.
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  © ALBERTO R. ROLDÁN / LA RAZÓN

Luis Marín convence. Pelo seu ímpeto. Contagia com os seus modos. (…) Acompanham-no argumentos de peso. Francisco nomeou em Fevereiro este agostiniano de Madrid subsecretário do Sínodo dos Bispos, o departamento Vaticano que organiza os fóruns temáticos que os Papas convocam para tratar de questões relevantes para a Igreja. Embora, neste caso, o pontífice argentino pretenda uma reviravolta eclesial através de um trava-línguas chamado “Sínodo da Sinodalidade”.

“Significa «caminhar juntos», porque querem ouvir todos os cristãos, mas também os que estão à margem, os que estão fora. Para isso é preciso ter coragem”, explica este religioso de 60 anos, agora arcebispo, sobre o processo iniciado há algumas semanas no Vaticano e que voltará a Roma em Outubro de 2023 com os resultados de uma consulta global que já deveria estar a desenrolar-se em todas as dioceses do mundo. A sondagem estava prevista para os próximos seis meses, mas a Santa Sé prorrogou o prazo até meados de Agosto.

“Não se trata de um processo de assembleia, mas de um tempo de discernimento. Na Igreja funcionamos como uma família, onde as decisões são tomadas por consenso, escutando a todos e buscando o bem comum”, adianta. O responsável esclarece, no entanto, que quem tem a última palavra é o Papa e que a Igreja “não é democracia nem monarquia piramidal, é comunhão”.

“A participação é importante. Depende de nós, de como acolhemos e implementamos a proposta do Papa”, sublinha.

Mesmo assim, há quem diga que os referendos são carregados pelo diabo. E se a maioria solicitar o sacerdócio feminino? Ou se a tendência prevalecente for o regresso à missa tridentina?

“Não chegaria a estas coisas, porque não é um processo de votação nem procura impor maiorias, porque às vezes essas maiorias não têm razão”, diz, lembrando que “há aspectos essenciais da fé que não podem ser mudados e sobre os quais não há discussão”.

“Outra coisa são alguns aspectos concretos que podem ser modificados”, acrescenta.

Não faltam solavancos. Nestes dias, foi notícia que a diocese de Liechtenstein se encontrava à revelia (…). O seu arcebispo não levantará um dedo pela sinodalidade e teme-se que outros sigam os seus passos com uma greve secreta.

“Não pode acontecer que, se o bispo ou o pároco quiser participar, se participe e se não, se bloqueie. Temos que despertar o Povo de Deus para participar”, entoou Marín (…).

“O perigo básico é que nos fechemos à graça e nos bloqueemos. Se não permitirmos que o Espírito actue, não estaremos apenas a empobrecer-nos a nós mesmos, mas também a frustrar a renovação na Igreja”, diz.

Em todo o caso, Marín descarta a ideia de ir de catedral em catedral com o chicote para incitar uns ou outros: “Deus propõe-se sempre, nunca se impõe. Há que motivar as pessoas que não vêem apenas isso e têm medo”.

Marín está preocupado com “a ideologia” que esconde a crescente polarização eclesial. Existe risco de ruptura?

“Acho que não, embora tenha sempre existido risco. Acredito que o processo actual fortalecerá a unidade, levar-nos-á a uma Igreja mais viva. Trata-se de procurar enriquecer-nos juntos. Quando estamos unidos, as diferenças enriquecem”, conclui, entusiasmado.

Pároco em Madrid e prior em Burgos, antes de ir para o Vaticano era arquivista, assistente geral da ordem e presidente do Institutum Spiritualitatis Augustinianae. Uma experiência de longa data que o fez perceber que “a fé não pode ser vista como um fardo, um fardo de que nos devemos libertar ou como uma relíquia do passado. A fé é a alegria que abre portas”.

Marín faz isso de forma ampla. De facto, escapa-se-lhe uma gargalhada quando insinuam que esta é uma distracção de um Papa argentino com um viés populista.

“O que se chega a dizer é tremendo! A sinodalidade não é nada novo, nem uma ocorrência sua, vem de Deus. É voltar às origens, à Igreja primitiva na sua essência, à Igreja dos Padres para recuperar autenticidade e coerência”, explica.

Outro dia, este agostiniano viu uma sondagem sobre o Sínodo da Sinodalidade e 80% dos inquiridos não tinham ideia do que estava a acontecer.

“Temos grandes massas de população a quem a Igreja nada diz, não contribui com nada. A Igreja está separada da sociedade e isso deve fazer-nos aproximar, ser inclusivos”. Por isso, esta reforma estrutural de Francisco apela à escuta de quem foi marginalizado e de quem nunca pôs um pé num templo. Marín aceita o desafio: “Há que ousar! Chega de uma Igreja separada e entrincheirada, que procura seguranças, fechada em si mesma com uma linguagem que ninguém entende e que trata de assuntos que a ninguém importam! Cristo e os Apóstolos estiveram no meio de todo o povo e dos seus anseios, levando a Boa Nova”.

Até mesmo emprestando o microfone a vítimas de abusos ou à comunidade LGTBI? “Todos quer dizer todos, há que escutar a todos. Devemos ouvir e aceitar a dor e a indignação de todos para caminharmos juntos. A Igreja não pode excluir ninguém por ser difícil, é preciso dizer-lhes o contrário: és filho de Deus e meu irmão”, conclui.

Artigo de José Beltrán, publicado em La Razón a 30 de Outubro de 2021.

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Palavras-Chave:
Sínodo  •  Sinodalidade  •  Papa Francisco  •  Escuta
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