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DACS com Crux | 2 Nov 2021
Bispos exigem política de imigração que respeite a dignidade humana, com direito ao asilo
Declaração intitulada “Rumo a um nós cada vez mais amplo, a partir das fronteiras”, pede a anulação de políticas que prejudicam número cada vez maior de migrantes.
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  © BBC

Numa viagem recente às Honduras, o bispo Mark Seitz, de El Paso, e o arcebispo John Wester, de Santa Fé, conduziram por estradas de cascalho ao longo de uma montanha íngreme para visitarem comunidades pobres, onde ficaram a par das necessidades das pessoas e aquilo que motiva a migração.

“Sempre foi claro para mim que, se devo falar sobre estas questões, preciso de ter algum conhecimento em primeira mão e precisa de ser oportuno”, disse Seitz ao Crux.

“A [imigração] é uma questão regional e ninguém tem a habilidade que a igreja tem em ser capaz de cruzar fronteiras e de expressar aquilo em que acreditamos: que somos uma família de Deus e que não vamos encontrar soluções a menos que trabalhemos com os nossos irmãos e irmãs nesses outros países”.

Subindo a encosta da montanha, abriram caminho a camiões-cisterna que distribuíram água às pessoas a determinado custo devido à falta de infraestruturas. A área também é controlada por gangues. Falta de educação e oportunidades de trabalho, violência, insegurança habitacional e falta de recursos essenciais estão entre os motivos pelos quais muitos fugiram para os EUA ou outro lugar.

“Uma das coisas que aprendi foi como tudo está realmente contra os imigrantes. As raízes da imigração são tão multifacetadas e tão enraizadas na sociedade, nas leis, na política e na economia; tudo está amontoado contra eles e eles nunca conseguem sair disto porque estão constantemente a tentar apenas sobreviver”, disse Wester ao Crux.

Outra parte da viagem do prelado foi a participação em reuniões com líderes católicos da imigração da América Central. As reuniões aconteceram de 25 a 28 de Outubro em Valle de Angeles. Dylan Corbett, director executivo do Hope Border Institute em El Paso e coordenador regional assistente da Secção para Migrantes e Refugiados do Vaticano para a América do Norte, México, América Central e Caribe também estava lá.

Dessas reuniões surgiu um apelo aos governos da América Central, México e Estados Unidos para intensificar e enfrentar a crise de imigração que assola a região.

“Exigimos políticas de migração dos governos da América Central, México e Estados Unidos que respeitem a dignidade humana, o direito internacional ao asilo e que não separem as famílias”, diz um comunicado conjunto publicado a 28 de Outubro.

A declaração foi assinada pelo bispo Luis Solé Fa de Trujillo, Honduras, o bispo José Antonio Canales de Danlí, Honduras, o bispo Elías Samuel Bolaños, de Zacatecoluca, El Salvador, e o bispo Ángel Garachana de San Pedro Sula, Honduras, juntamente com outros clérigos católicos e leigos trabalhadores e defensores da imigração.

A declaração, intitulada “Rumo a um nós cada vez mais amplo, a partir das fronteiras”, destaca o que testemunharam como países de “origem, trânsito, chegada e regresso”.

Isto inclui: violência estrutural; corrupção generalizada e impunidade que força os centro-americanos a fugir dos seus países de origem; a realidade de que a América Central e os Estados Unidos partilham a responsabilidade pelas políticas económicas que têm contribuído para o enfraquecimento dos Estados, o aumento do número de crianças desacompanhadas; mulheres grávidas e famílias solteiras que procuram migrar por causa da pandemia; vedação de fronteiras e desastres naturais; e a falta de uma resposta eficaz e integral dos governos para abordar as causas profundas da migração.

Houve também um apelo específico para que os Estados Unidos parassem de usar o Título 42 e a política de Permanecer no México. O Título 42 é uma política de fronteira que permite a expulsão imediata de migrantes e limita o seu direito de asilo por motivos de saúde pública. A política Permanecer no México obriga os requerentes de asilo na fronteira EUA-México a esperar até que os seus casos sejam decididos.

A Alfândega e Protecção de Fronteiras dos EUA expulsou um total de 1,04 milhão de migrantes sob o Título 42 no ano fiscal de 2021, de acordo com os dados mais recentes, de 25 de Outubro. Os defensores das políticas afirmam que estas são necessárias para lidar com o aumento sem precedentes de migrantesna fronteira EUA-México em 2021.

A declaração dos líderes católicos da América Central exorta os governos da América Central e do México “a fornecerem uma resposta humanitária rápida e digna à emergência criada por essas políticas de dissuasão e criminalização”.

Seitz também expressou a necessidade de os líderes governamentais compreenderem a situação no terreno.

“Eles raramente tomam a iniciativa de conhecer a situação como ela acontece no local e de abordarem essas situações”, disse Seitz. “É muito mais fácil enviar apenas dinheiro aos governos e reforçar os militares e a polícia com armamentos, mas todas essas coisas são apenas remendos temporários que não resolvem realmente os problemas”.

A declaração dos líderes católicos centro-americanos foi terminada com uma garantia para os migrantes.

“Expressamos mais uma vez o nosso compromisso de pressionar os governos da região, México e Estados Unidos, a abordarem as causas profundas da migração”, diz o comunicado.

“Renovamos o nosso compromisso e apoio às pessoas que estão a migrar na nossa região, ao mesmo tempo que testemunhamos com ansiedade a resposta e o tratamento dispensado pelos governos aos forçados a fugir, aos migrantes que enfrentam grandes desafios e grandes riscos no seu caminho, àqueles que foram deportados e estão a tentar reintegrar-se”, concluíram.

Artigo de John Lavenberg, publicado no Crux a 30 de Outubro de 2021.

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Palavras-Chave:
Migrantes  •  EUA  •  México  •  Dignidade  •  Asilo  •  Imigração
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