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DACS com La croix International | 6 Dez 2021
Ex-refugiada de Lesbos trabalha agora em Roma, graças ao Papa
Nour Essa, que faz parte dos 16 refugiados que o Papa Francisco trouxe de Lesbos em 2016, agora é bióloga no Hospital Pediátrico Bambino Gesù, perto do Vaticano.
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  © DR

Sob um céu ameaçador, Nour Essa sai discretamente do grande portão do Hospital Pediátrico Bambino Gesù em Roma.

É hora de almoço para a imigrante síria de 36 anos.

A jovem concordou em conversar com jornalistas um dia antes de o Papa Francisco partir para a sua visita apostólica ao Chipre e à Grécia, uma viagem que incluiu uma paragem em Lesbos.

O Papa foi à pequena ilha grega em 2016 para visitar um campo de refugiados. E, quando voltou para Roma, trouxe com ele 16 migrantes.

Nour, o seu marido Hassan e o seu filho Riad, que na altura tinha dois anos, estavam entre eles. As fotos das três famílias muçulmanas a rodearem o Papa, na parte inferior do avião ao chegarem a Itália correram mundo. Cinco anos depois, a jovem é agora bióloga no Hospital Bambino Gesù. Quando Nour Essa se lembra dos seus primeiros dias em Roma, naturalmente reflecte por alguns momentos sobre a sua estadia em Lesbos, onde chegou um dia de barco da Síria com o seu marido e bebé.

“Sinto aquela sensação de sair para o mar e começar a travessia, principalmente com uma criança”, disse. Também se lembra do resultado daquela estadia de meses no campo de refugiados com outras 12.000 pessoas.

“Soubemos que iríamos embora com o Papa na noite anterior”, lembrou. “Eles queriam levar famílias. Não podíamos ficar naquele acampamento, eu não aguentava mais”, disse Nour.

Ela e a sua família mudaram-se para Roma com a ajuda da Comunidade de Sant'Egidio, que os ajudou com os papéis, habitação e documentos. Também conseguiu uma bolsa para trabalhar como bióloga.

 

“O Papa tocou profundamente o meu coração”

“Quando cheguei, a minha primeira sensação foi de que me sentia mais segura”, afirmou.

“Foi difícil recomeçar, mas estávamos seguros, com o meu filho e o meu marido”, explicou. Nour, que é muçulmana, falou da acção do Papa como “uma iniciativa humana, antes de ser uma iniciativa religiosa”.

“O Papa é um amigo de todos. É muito aberto, muito humano. Tocou profundamente o meu coração”, disse. Encontrou Francisco novamente em Maio, quando o Vaticano convidou refugiados a verem o filme “Francesco”, de Evgeny Afineevksy.

Nour disse que espera que a defesa contínua do Papa em favor dos migrantes seja “um apelo que abre os corações, olhos e ouvidos de todos para o que está a acontecer no mundo”. Disse ainda que sabe que em Lesbos “a situação se tornou muito difícil, ainda mais do que há cinco anos, especialmente para as famílias”. Agora pergunta-se se algum dia será capaz de regressar a Damasco, a sua cidade natal.

“Sinto falta da Síria. Sinto muita falta. Dos meus amigos, dos meus colegas. Sinto falta porque a vida não é assim tão fácil aqui”, acrescentou.

Mais tarde, na sua conversa com jornalistas, admitiu que pode ficar em Itália por um longo período.

“Espero poder voltar para a Síria. Espero que isso aconteça, quando o país melhorar”, disse Nour. “Mas tenho que esperar mais 10 ou 15 anos antes de poder voltar”, apontou.

 

Artigo de Loup Besmond de Senneville, publicado no La croix International a 3 de Dezembro de 2021.

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Palavras-Chave:
Migrantes  •  Refugiados  •  Lesbos  •  Papa Francisco  •  Síria
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