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DACS com Religión Digital | 7 Dez 2021
Como lidar com os escândalos actuais na Igreja
"É bom que sejam descobertos os nossos pecados, as máculas ocultas da Igreja. A roupa suja não é para ser lavada no quarto, mas é para ser lavada e pendurada na varanda para apanhar ar".
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  © Cdoncel

Noto que as pessoas, sobretudo os católicos praticantes, andam muito preocupadas com a imagem actual da Igreja nos meios de comunicação. Primeiro porque aparece muito pouco nos meios de comunicação laicos, e quando isso acontece, geralmente é para publicar os escândalos relacionados com a sexualidade. Por exemplo, a denúncia de pedofilia, ou os recentes casos de resignação, incluindo episcopais, por causa da descoberta de relações com alguma mulher. Curiosamente, estes são os que mais se destacam.

Lembro-me, na minha longa trajectória enquanto jornalista, especialmente no pós-concílio, dos tempos em que os jornais dedicavam páginas inteiras à vida eclesial, onde além das notícias de nomeações, do Vaticano ou da vida das dioceses, se incluíam entrevistas com teólogos, o livro religioso, o heroísmo dos missionários, mártires contemporâneos e até a vida espiritual e comentários sobre o Evangelho. Havia interesse pela religião, pelo ecumenismo e artigos de opinião de líderes eclesiais.

É verdade que o mundo mudou. A secularização, o laicismo e a autonomia do homem sobre a sociedade teocrática preteriram o poder da Igreja. Ouço dizer que, apesar das liberdades democráticas, até cresceu o “ódio à Igreja”, a vingança contra a sua influência desmedida, e até que as forças do mal a estão a abater.

Mas, mudou para pior? Era melhor quando os padres e a hierarquia eram invioláveis? Quando as suas máculas permaneciam ocultas, quando a verdade das suas perversões ficava nos cochichos de sacristia?

Vamos ao Evangelho. Jesus era um pregador rural, que desenvolveu a sua missão sobretudo no ambiente camponês e de humildes pescadores da Galileia. Só adquiriu certa notoriedade – e pouca – quando os poderes da sua época encontraram a sua mensagem e os seus feitos, perigosos para as suas instituições, quando censurou os seus dirigentes fariseus e a religião opressiva e hipócrita que manipulava as pessoas do seu tempo. Jesus denunciou o principal escândalo religioso de personagens intocáveis e as suas instituições, não o fundo das tradições judaicas.

A agressividade actual de alguns meios de comunicação laicos deu-se após séculos de corrupção de uma grande parte da instituição eclesial, secretismo, orgulho, dominação sobre as consciências, falta de liberdade de expressão, investigação e opinião no seu seio e máculas que agora são difundidas sem rodeios.

É verdade que, como sucede após toda a repressão, a reacção acontece e às vezes é excessiva, como acontece, por exemplo, noutras situações da vida, como com o feminismo, a homossexualidade, etc. Hoje, por exemplo, esquece-se a outra face da Igreja, a santidade, a mística, os que dão a vida com ou sem sangue pelas crianças, pelos pobres, pelos esquecidos, ou concedem energia e graça através da oração e do trabalho em silêncio.

Portanto, as minhas conclusões sobre este fenómeno são as seguintes:

1. "É bom que sejam descobertos os nossos pecados, as máculas ocultas da Igreja. A roupa suja não é para ser lavada no quarto, mas é para ser lavada e pendurada na varanda para apanhar ar".

2. Em relação à pedofilia, escândalo que mereceu a mais dura condenação de Jesus, já estava na altura de ser conhecida, esclarecida e punida eclesial e civilmente. Claro, com justiça, provas concludentes e sem difamar os inocentes, nem esconder a outra pedofilia secreta nas famílias e na sociedade civil.

3. Não queremos uma Igreja impecável e triunfalista. O reconhecimento da fragilidade e a humildade, que é a nossa verdade, mais do que o escândalo, deveria aproximar-nos de Jesus em vez de ver-nos como perfeitos, porque “ninguém é perfeito, só Deus”.

4. Evangelizar não é procurar o aplauso, nem o prestígio da Igreja, mas fazer o bem “sem que a nossa mão direita saiba o que faz a esquerda”.

5. É um estímulo para dar exemplo de vida, não de palavra, de sucesso, de números estonteantes. As palavras movem, os exemplos arrastam.

6. Ter medo que a Igreja diminua por perder prestígio social é uma tremenda falta de fé e confiança em Deus.

7. Precisamos de perdoar. Isso não significa justificar, nem continuar com permissividade com aquele que comete um crime, mas continuar a amá-los porque assim nos exige o Pai Nosso e a misericórdia, virtude essencial do cristão.

8. Evitar a tentação de abominar a Igreja, até mesmo a institucional, que é o pretendido por aqueles que usam os seus pecados para aniquilá-la, mas amá-la mais para melhorá-la a partir de dentro, defendendo-a no que é injusto e proclamando sobre os telhados o seu lado carismático e as suas virtudes, que existem e hoje são pouco ressaltadas.

9. Exigir os seus direitos democráticos, denunciar a sua perseguição quando existir e desmentir o que há de falso divulgado nas redes sociais e nos meios de comunicação. “A verdade vos tornará livres”.

10. E, sobretudo, nunca desanimar, praticando também a esperança. Ao longo da História, houve situações piores na Igreja, como, por exemplo, a corrupção do Papado no Renascimento. Certamente, depois dessa tempestade sobre a barca de Pedro, Jesus acalmará as águas. Talvez a Igreja do futuro seja menor, menos famosa, mais testemunhal, mais próxima de Belém, ao Horto e ao Cenáculo e, portanto, mais ressuscitada.

Artigo de Pedro Miguel Lamet, publicado em Religión Digital.

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Palavras-Chave:
Igreja  •  Cristianismo  •  Catolicismo  •  Jesus  •  Corrupção  •  Abusos sexuais
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