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DACS com The Tablet | 25 Jan 2022
Mulheres não devem ser “apagadas” do sínodo
As contribuições das mulheres para o processo sinodal devem ser “o mais públicas possível” para evitar qualquer tentativa de apagá-las, disse a professora Tina Beattie, teóloga e radialista.
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  © Independent/Alamy

Falando n'“O Caminho Sinodal: Boas notícias para as mulheres católicas”, um webinar organizado pelo The Tablet, a professora aposentada de Estudos Católicos da Universidade de Roehampton disse que fazer apresentações públicas garantiria que “se as vozes das mulheres forem apagadas, ou se houver coisas que elas digam e sejam retocadas, possa dizer-se que isso não é discernimento. É censura”.

A Igreja Católica começou um caminho sinodal de dois anos em direcção ao Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade em 2023.

A teóloga também destacou a importância dos leigos no processo de discernimento sinodal, sublinhando: “a instituição não é a igreja, nós somos a igreja; todos fazemos parte do processo de discernimento”.

Acrescentou ainda: “Estamos juntos numa peregrinação em direcção a um sínodo, estamos a tentar discernir o que precisamos de fazer para sermos criativos e eficazes. Devemos fazer ouvir as nossas vozes e, se não nos deixarem ser ouvidos, devemos amplificar as vozes uns dos outros. Essa é a única coisa que podemos fazer para desafiar o silenciamento”.

Recordando o papel dos leigos na controvérsia Ariana sobre a natureza de Cristo no século IV, disse no webinar: “Por vezes têm sido os leigos a manterem os bispos no caminho doutrinal. Acho que o sínodo pode ser uma dessas ocasiões”.

Questionada se o sínodo era uma boa notícia para as mulheres, a professora Beattie disse que muitas mulheres se sentiam bastante cépticas, mas acrescentou: “Uma maneira de ter a certeza de que não seremos ouvidas é não dizer nada”.

Tina Beattie disse estar também muito consciente da enorme vitalidade, energia e empenho que há no processo sinodal entre as mulheres, muitas das quais têm vindo a organizar encontros nas suas paróquias, a envolver-se nas consultas organizadas pelas suas dioceses e a organizar as suas próprias redes e grupos para darem feedback.

“Não haverá nenhuma falta de oportunidades para se ouvirem as mulheres se elas tiverem ouvidos para ouvir. Mas a grande questão é: têm?”, questionou.

A professora compreende o cepticismo que detectou entre algumas mulheres em relação ao sínodo: “As mulheres já tiveram tantas vezes a experiência na Igreja de levantarem as vozes, tentarem ser ouvidas, falarem… E, muitas vezes, apenas as mulheres que estão a dizer o que os membros seniores da hierarquia e os bispos querem ouvir que são ouvidas”. Tina alertou que havia o risco de acontecer o mesmo no sínodo.

“Não estou a dizer de forma alguma que as vozes das mulheres mais conservadoras não tenham tanto direito de serem ouvidas quanto quaisquer outras. Mas elas têm uma vantagem – já estão à frente porque não estão a causar nenhuma consternação, não estão a causar alvoroço, a levantar questões sobre as questões mais nevrálgicas que afectam a vida das mulheres, mas estão a oferecer uma espécie de exercício que demonstra o que já está a ser feito. E o risco é que as mulheres que não estão a fazer isso sejam marginalizadas e excluídas”.

Falando sobre o impacto das restrições ao culto público durante a pandemia de Covid, Beattie disse que permitiu que as mulheres descobrissem recursos para nutrir a fé e mantê-la viva. As mulheres estavam agora mais conscientes. “Não precisamos de voltar a configurações hierárquicas onde nos sentimos excluídas, ignoradas, tratadas com condescendência ou até mesmo abusadas ​​espiritualmente.”

Alertou para apenas as pessoas autorizadas ouvirem o que lhes era permitido ouvir. “Se o processo de ter que submeter tudo através da hierarquia significa uma eliminação de vozes que eles não querem ouvir, e não há coisas desconfortáveis ​​no final sobre sacramentalidade, sobre questões reprodutivas, sobre ordenação, controlo de natalidade, questões LGBTQ, se nada disso estiver na agenda, saberemos que não fomos ouvidas, e acho que muitas mulheres dirão que esta é a gota d’água”.

Daisy Srblin, directora da instituição de caridade católica Million Minutes, disse no webinar que, se o sínodo deve ser uma boa notícia para as mulheres católicas e aqueles que se preocupam com as mulheres, precisava de ser o início de uma jornada que inclui, celebra e promove jovens e mulheres jovens da Igreja.

“O sínodo precisaria de representar o início de uma mudança cultural de base, de baixo para cima, dentro da Igreja, que volte a re-centrar a sua missão e identidade, colocando as experiências dos jovens, das mulheres e de todos aqueles que já se sentiram marginalizados, tanto na sociedade como na Igreja, à frente e no centro, como Jesus fez.

“Precisamos de novos epicentros que reconheçam que a Igreja actua onde quer que o amor de Deus esteja em evidência, e que possa ser visto de forma mais poderosa nas chamadas margens da Igreja e da sociedade”.

A autora e podcaster Penelope Middelboe ajudou a criar o Root and Branch, um fórum para a reforma dentro da Igreja, que acolheu um sínodo inclusivo em Setembro passado. Essa reunião produziu o Texto de Bristol, um documento baseado na Lei Canónica 212.3, que afirma: “Os fiéis, segundo a ciência, a competência e a proeminência de que desfrutam, têm o direito e mesmo por vezes o dever, de manifestar aos sagrados Pastores a sua opinião acerca das coisas atinentes ao bem da Igreja, e de a exporem aos restantes fiéis, salva a integridade da fé e dos costumes, a reverência devida aos Pastores, e tendo em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas”.

Penelope disse que o Root e Branch foi criado antes de o Papa Francisco lançar o caminho sinodal. A podcaster disse no webinar: “Eu diria que a maioria das mulheres, que afinal são o maior grupo marginalizado da Igreja, são gratas ao Papa por abrir as portas à discussão”. Isto “motivou mulheres e homens juntos a exigirem acção”.

Também sugeriu que a experiência sinodal de uma pessoa depende do seu país, do seu bispo e, acima de tudo, do seu pároco.

Alana Harris, membro honorário do Centro de Estudos Católicos em Durham e da Universidade da Divindade em Melbourne, Austrália, disse que há necessidade de amplificar as vozes de todos os leigos católicos, mas especialmente as das mulheres, que por tanto tempo foram marginalizadas nos processos de consulta da Igreja e que ainda são, na sua maioria, periféricas à formulação de políticas e ao planeamento de ações.

Lembrou o Congresso Nacional de Pastoral realizado em Liverpool em 1980, onde foram levantadas esperanças em torno de algumas das questões nevrálgicas que depois saíram frustradas. Disse ainda que isto levantou questões sobre o processo de implementação do sínodo em relação ao que poderia resultar do exercício de escuta, e que também havia questões de responsabilidade a serem consideradas.

Olhando para o Concílio Vaticano II e a presença de 23 mulheres auditoras, Alana Harris sublinhou que 60 anos depois do Concílio há uma distância a percorrer para igualar esse número no sínodo. O livro de Carmel McEnroy, Convidados na sua própria casa, sobre o papel dessas mulheres no Vaticano II, mostrou que já em 1964 havia um reconhecimento de que era preciso haver um mecanismo estrutural para que essas mulheres fizessem parte das conversas episcopais.

Apesar das múltiplas camadas de hierarquia, havia muita da experiência dos anos 1960 e 1980 que poderia ser usada como precedente para aumentar, avançar, actualizar e renovar a tradição.

“Acho que há uma amnésia estratégica sobre os ganhos do passado. Acho que precisamos de tomar a iniciativa e usar os mecanismos que nos foram oferecidos” para garantir que “a riqueza, a diversidade, a vitalidade, essa criatividade, a energia, o mover do Espírito não sejam filtrados”, disse.

 

Artigo original de Sarah Mac Donald, publicado no The Tablet a 23 de Janeiro de 2022.

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Palavras-Chave:
Sínodo  •  Sinodalidade  •  Mulheres  •  Escuta  •  Concílio Vaticano II
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