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DACS com America | 28 Jan 2022
Cinco dicas espirituais para ajudá-lo a evitar o desespero pandémico
Ser inteligente, esperançoso, amoroso, monástico... e rezar: os conselhos do Pe. James Martin, SJ.
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  © iStock

Toda a gente está cansada da pandemia e cansada de ouvir falar da Covid. Quando ligo o rádio de manhã na NPR (que agora considero como Rádio Nacional Pandémica), a primeira palavra que ouço é sempre “Covid”, “coronavírus”, ou “pandemia”. É difícil escapar. Por isso vou manter isto resumido.

Também não vou tentar adoçar nada ou falar muito sobre os “lados bons”. A pandemia é uma realidade terrível que todos temos de enfrentar e que parece não desaparecer tão cedo. É por vezes assustadora, enlouquecedora, irritante, deprimente e enfurecedora. Além dos óbvios desafios de saúde que representa – especialmente aos imunodeprimidos e aos trabalhadores da linha de frente – é emocionalmente brutal.

Mas não é desesperançosa. Encontrei na minha própria vida e no aconselhamento de outras pessoas algumas dicas extraídas da espiritualidade cristã que me ajudaram a evitar o desespero. Aqui ficam cinco.

 

1. Seja inteligente.

A dica mais importante pode não parecer especialmente espiritual, mas é: vacine-se e fortaleça-se se lhe for possível. Use máscara. Mantenha as distâncias sociais quando for preciso. Evite grandes reuniões em espaços internos especialmente quando houver picos, e se estiver infectado com a Covid-19, fique em casa.

Como disse, isto soa como um conselho prático, mas no fundo é um conselho espiritual. (Espiritual e prático geralmente andam de mãos dadas.) Não se trata apenas de cuidar de si mesmo e da sua própria saúde, mas também de cuidar dos outros. Trata-se de reverenciá-los. Como disse o Papa Francisco, vacinar-se é um “acto de amor”. Para ser mais directo que o Papa: a vida não é apenas sobre si. Temos que começar com esta dica, porque ela irá ajudá-lo (e a outras pessoas) a sobreviver.

Cuidar de si mesmo também pode significar falar com um terapeuta, um director espiritual ou um amigo de confiança para ajudá-lo a navegar pela pandemia. Não há nada de errado em pedir ajuda. As pessoas fazem isso nos Evangelhos frequentemente.

 

2. Seja esperançoso.

Santo Inácio de Loyola, o fundador dos jesuítas, muitas vezes falava sobre o “espírito bom” e o “mau espírito”, que podemos definir amplamente como os impulsos que nos movem para Deus e aqueles que nos afastam de Deus. E, para aqueles que tentam levar uma vida boa, diz Santo Inácio, o espírito bom irá encorajar-nos, consolar-nos e elevar-nos. O espírito que não vem de Deus, pelo contrário, irá derrubar-nos, desencorajar-nos e irá causar “ansiedade corrosiva”. (Existe uma frase melhor para o que todos nós temos sentido nos últimos dois anos?).

Este é o conselho que tenho usado com mais frequência – para mim ou para dá-lo a outros – durante a pandemia: a esperança vem de Deus; o desespero não. Sempre que ouvir dentro de si mesmo (ou ouvir de outras pessoas) vozes que dizem: “Isso é impossível”, “Estou condenado”, ou “Não consigo lidar com isto”, saiba que não vem de Deus. (A certo ponto durante a pandemia, um amigo disse: “Isto vai matar-nos a todos”, ao que respondi que definitivamente isso não vinha de Deus.) Por outro lado, ouça as vozes que dizem: “Há sempre esperança”, “não estou sozinho”e “eu consigo lidar com isto”. Siga a esperança, não o desespero.

 

3. Seja amoroso.

Nos últimos dois anos, estive várias vezes em quarentena na minha comunidade jesuíta, como resultado de alguns membros da comunidade Covid-positivos. Não é uma surpresa numa casa de 12 homens! Por isso, muitas vezes senti-me, como muitas pessoas, impotente para ajudar os outros. Mas sempre há algo que podemos fazer para ajudar a aliviar a carga emocional de alguém, se não a carga viral.

Se o seu telemóvel ou computador estiver a funcionar, pode sempre entrar em contacto com alguém que esteja mais assustado ou solitário. Ficaria surpreso com o quanto um telefonema, um e-mail, uma mensagem de texto ou – Deus me livre – uma nota ou postal tradicional pode ajudar alguém a sentir-se mais esperançoso. (As flores também são simpáticas.) Não precisa de muito dinheiro (ou de um diploma avançado ou formação especial) para ajudar alguém. Fazer apenas alguém rir pode ser um acto de amor.

Não pode ajudar a todos, mas pode ajudar aquela pessoa. Lembre-se que Jesus não curou ou consolou todos na Galileia ou na Judeia. Ele lidou com a única pessoa à frente Dele. Seja como Jesus.

 

4. Seja monástico.

Todos os dias acordo e, como já não vou ao escritório, olho para as mesmas quatro paredes do meu quarto relativamente pequeno. E a vista da minha janela também não é grande coisa. A minha janela dá para um beco e para as paredes de tijolos de vários prédios. Posso ver cerca de três centímetros de céu. E é claro que hoje em dia não estou a viajar para lugar nenhum, como a maioria das pessoas. Logo no início, disse a um terapeuta: “Vou enlouquecer se nunca deixar a cidade de Nova Iorque?”. Ela riu-se e disse: “Não vai sequer enlouquecer se nunca sair do seu quarto”.

Um dia eu acordei, olhei pela minha janela e percebi: espera um minuto. Os monges fazem isto há séculos. E se eles podem fazer isto, eu também posso. É certo que poucos de nós vivem em belos mosteiros em ambientes silvestres (nem eu), mas todos podemos tentar encontrar Deus nas tarefas diárias, mesmo que pareçam, à superfície, aborrecidas. Muito disto é perceber e apreciar até os menores momentos de graça.

Há alguns anos vi o filme “Into Great Silence”, sobre a vida tranquila dos monges em La Grande Chartreuse, o mosteiro Cartuxo em França, que faziam as mesmas tarefas todos os dias. Por décadas. Numa cena, um monge simplesmente comeu um pedaço de fruta enquanto olhava pela porta da sua cela. Até certo ponto, somos todos monges agora. E todos nós, especialmente agora, somos chamados a tentar encontrar Deus mesmo no mundano. Hoje em dia penso muito naquele monge a comer fruta.

 

5. Reze.

No início da pandemia, um jesuíta idoso da nossa comunidade disse-nos durante a sua homilia: “Bem, estamos sempre à espera de mais tempo para rezar e agora temo-lo!”. Eu sei que esta realidade é muito diferente para algumas pessoas – como famílias com crianças pequenas, onde muitos pais sentem que têm menos tempo e um espaço mais restrito, com as crianças em casa.

Mas, para muitas pessoas, a falta de deslocações, uma pausa nos encontros sociais e quase nenhuma viagem significa que têm mais tempo livre em casa. Como disse o meu amigo jesuíta, no “antes dos tempos” costumávamos dizer: “Se ao menos eu tivesse mais tempo para a oração e a leitura espiritual”. Agora muitos de nós têm-no.

Então, reze. Faça o exame todas as noites. Experimente uma oração mais contemplativa antes de o seu dia começar; imagine-se com Jesus e diga-lhe como se sente em relação à pandemia. (Já o fiz, por isso Ele provavelmente não ficará surpreendido quando o fizer.) E leia ou releia alguns livros espirituais que o irão ajudar a encontrar Deus mais facilmente.

Pode lidar com isto. Vai conseguir ultrapassar isto. Deus está consigo. Vemo-nos do outro lado de tudo isto.

Artigo do Pe. James Martin, SJ, publicado em America, a 27 de Janeiro de 2022.

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Palavras-Chave:
Pandemia  •  Covid-19  •  Fandiga pandémica  •  Oração  •  Dicas  •  Espiritualidade
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