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DACS com The Tablet | 2 Fev 2022
São necessárias mais restrições ao discurso de ódio online, alerta sacerdote
O padre colombiano e activista da justiça e da paz, Sean McDonagh, pediu melhor regulamentação da tecnologia avançada.
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  © PA/Alamy

Um padre colombiano e activista da Justiça e Paz pediu uma melhor regulamentação da tecnologia avançada durante o webinar do The Tablet a 27 de Janeiro, “Robôs, drones e igrejas inteligentes? A Doutrina Católica e a Revolução da Inteligência Artificial”.

Numa sessão presidida por Natalie K Watson, Editora da Pastoral Review, o padre Sean McDonagh foi apresentado como um “eco-activista”, que tem sido “pioneiro” com os seus livros sobre o meio ambiente e a fé e cujo livro mais recente é “Robôs, Ética e o Futuro do Emprego”. O seu interesse por este tópico começou há seis anos, quando sentiu que, apesar de as novas tecnologias estarem a influenciar todas as partes das nossas vidas, há pouco escrutínio. Sentiu que as igrejas têm um papel para ajudar a garantir um “futuro centrado no ser humano”, olhando para a questão a partir de perspectivas religiosas e éticas.

“Não devemos deixar as corporações conduzirem o futuro sozinhas”, acrescentou. “Precisamos de mudanças que beneficiem a todos, não apenas alguns.”

O Pe. McDonagh reconheceu os benefícios dos grandes avanços na tecnologia, destacando diagnósticos na medicina, como a previsão de ataques cardíacos e as novas tecnologias para cirurgias oculares. E, claro, para lidar com a pandemia de Covid-19 ajudou a ampla comunicação remota, que ajudou as pessoas a permanecerem ligadas e a trabalharem durante o confinamento. Termos como “zoom” e “webinars” tornaram-se comuns.

No entanto, o sacerdote fez eco das preocupações do Papa Francisco sobre o “paradigma tecnocrático” e sentiu que as novas tecnologias deveriam ser uma questão no processo da sinodalidade ao discutir o futuro da Igreja e do culto. O padre McDonagh considerou que a adoração é sobre serviços comunitários e virtuais, “não são o que a comunidade e a Eucaristia significaram para as pessoas”.

Os serviços de streaming têm sido uma tábua de salvação durante a pandemia, mas o ideal é que as pessoas se reúnam em liturgias participativas. Pediu diálogo: os relacionamentos através do nosso computador podem ser mais reais do que as nossas comunidades locais e paroquiais? Até que ponto as igrejas devem tornar-se “igrejas inteligentes” – alcançando as pessoas através da internet, telemóvel, vídeo, redes sociais e e-mail marketing?

Ainda assim, as suas preocupações foram mais amplas. Sentiu-se incomodado com as técnicas usadas por empresas que controlam tecnologia avançada para manter as pessoas nos seus telemóveis, dando como exemplo o telemóvel a vibrar quando as mensagens chegam. Alertou para os impactos negativos na privacidade, que as grandes empresas de tecnologia registam os nossos dados e que os nossos rostos estão cada vez mais registados com a ascensão do reconhecimento facial. Perguntou: “Com que frequência clicamos em permissões sem as ler? Por quanto tempo plataformas como a Google devem ter permissão para manter informações sobre cada um de nós?”.

Acrescentou ainda: “Acho que as informações não devem ser mantidas para além de seis meses”. Alertou que ainda há poucas restrições ao discurso de ódio inline.

Há implicações no trabalho. Os robôs já estão a ser usados ​​em casas de repouso, para patrulhas nocturnas, em impressoras 3D e em veículos autónomos. Quinze milhões de empregos no Reino Unido podem ser perdidos devido à automação e aos robôs. “Como é que as pessoas viverão no futuro se 50% estiverem sem emprego?”, perguntou, pedindo mais trabalho disponível para as pessoas, uma rendimento básico universal para que as pessoas tenham um rendimento seguro e que grandes corporações e bilionários da tecnologia sejam tributados de forma muito mais pesada do que são agora, o que contribuirá financeiramente para as mudanças.

Considera também que o jornalismo está a ser prejudicado pelos novos média, o que terá um enorme impacto na democracia, que precisa de bom jornalismo. “Se o jornalismo é prejudicado, em quem confiamos?”, perguntou, sugerindo que as religiões têm um papel importante a desempenhar nos média e sublinhando a importância da verdade.

O padre McDonagh observou que “a inteligência artificial oferece uma visão masculina do mundo”, destacando que apenas 22% dos empregos em inteligência artificial são ocupados por mulheres. A questão do uso de drones na guerra foi levantada pelos participantes. O sacerdote descreveu essa possibilidade como uma questão assustadora porque os drones militares podem ser lançados a mais de 500 milhas de distância, sem perigo para o agressor. “As pessoas religiosas precisam de se envolver nisto”, disse.

O foco de Sean na questão foi considerado como oportuno e necessário. É uma grande mudança face ao habitual, já que é mais conhecido pelo seu trabalho em Ecologia e Teologia da Criação. No entanto, acha que está “a olhar para o que está por vir” e que a Igreja deveria fazer o mesmo e ler os “sinais dos tempos”. Sean disse que não podemos tropeçar no futuro com estas poderosas tecnologias num ambiente livre de ética. O sacerdote quer que a responsabilidade corporativa seja aplicada e que os sindicatos sejam incentivados. As visões da Doutrina Católica funcionam como centrais para a auto-estima de um indivíduo. Deveria haver mais valorização da interacção humana e dos direitos humanos.

O webinar foi um alerta para olharmos com mais atenção para onde nos estamos a dirigir com a tecnologia avançada, que as mesmas ferramentas que usamos para nos ligarmos, protegermos e apoiarmos também podem ser usadas de maneiras que têm um enorme impacto negativo na nossa privacidade, na nossa liberdade e nas nossas escolhas de vida. O nosso futuro digital está a aproximar-se rapidamente, com pouca regulamentação e poucas políticas e protecções institucionais. O respeito pelos direitos humanos deve estar no centro destas novas tecnologias.

Sean tem uma preocupação especial com os povos indígenas – tendo trabalhado com os T'boli nas Filipinas – que, das Filipinas ao Congo e Chile, estão a levar com o impacto das indústrias de extracção que procuram minerais de transição como o lítio para carros eléctricos e cobalto para telemóveis. Os minerais de transição devem ser adquiridos com responsabilidade.

Concluindo o evento, Sean comparou a falta de consciência sobre robôs com a falta de consciência sobre o meio ambiente há três décadas, quando escreveu o seu primeiro livro, “Cuidar da Terra”. Considera que “precisa de haver acção política para impedir que três ou quatro empresas determinem” o nosso futuro. Agradeceu ao The Tablet por chamar a atenção para o assunto.

Sean sentiu que a religião tem muito a oferecer na área da ética e adoraria ver um documento do Vaticano sobre estas novas tecnologias. As novas comunicações oferecem tecnologias valiosas, mas precisamos de supervisioná-las. “A sociedade deve estar no comando, não algumas empresas de tecnologia”, concluiu.

Artigo de Ellen Teague, publicado no The Tablet a 2 de Fevereiro de 2022.

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