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DACS com La Croix International | 10 Mar 2022
Igreja Filipina quer ter voz nas eleições presidenciais
Líderes católicos nas Filipinas estão a pedir um “voto responsável” nas eleições de Maio, pedindo às pessoas que resistam a acreditar em “notícias falsas” e em “revisionismo histórico”.
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  © EZRA ACAYAN / GETTY IMAGES VIA AFP

A Conferência dos Bispos Católicos das Filipinas (CBCP) emitiu uma carta pastoral a desafiar as pessoas no arquipélago do Sudeste Asiático a “seguir o caminho da verdade, bondade, justiça e paz” quando votarem na próxima eleição presidencial de Maio.

A carta – intitulada “A verdade vos libertará” – foi emitida a 25 de Fevereiro, uma data significativa na história filipina.

Marcou o 33º aniversário da Revolução do Poder Popular derrubar a ditadura de 20 anos de Ferdinand Marcos em 1986.

Na sua carta pastoral, os bispos filipinos imploram aos eleitores que resistam ao “vírus da mentira”, às “notícias falsas” e à tentação do “revisionismo histórico” quando forem às urnas no país maioritariamente católico a 9 de Maio para eleger um sucessor do presidente autoritário cessante Rodrigo Duterte.

 

Infoentretenimento e redes sociais na campanha

Neste arquipélago de cerca de 107 milhões de habitantes, onde o infoentretenimento é a norma e onde as redes sociais desempenham um papel desproporcional na campanha, os líderes católicos estão a assistir com preocupação às reviravoltas deste drama eleitoral que lembra uma telenonovela.

“Tudo mexe muito com as emoções, as facções, as promessas... Não há análise, não há debate aprofundado: as pessoas votam numa personalidade, não num programa político”, disse Bernard Holzer, um sacerdote missionário que vive nas Filipinas há 16 anos.

A próxima eleição presidencial será decidida entre indivíduos omnipresentes aos olhos do público.

O favorito é Ferdinand “Bongbong” Marcos Jr, filho do ex-ditador. É aliado de Sara Duterte, a prefeita de Davao, que é filha do ex-chefe de Estado e candidata à vice-presidência.

Também concorrem à presidência do país a actual vice-presidente liberal, Leni Robredo, e o lendário lutador de boxe aposentado Manny Pacquiao.

 

“Discernimento”

Os bispos filipinos, líderes espirituais de cerca de 89 milhões de católicos, tiveram o cuidado de não apoiar nenhum candidato em particular. Em vez disso, estão a exortar os eleitores a “considerar o bem comum como a principal preocupação” ao eleger um novo presidente - tendo em mente questões como justiça climática, luta contra a corrupção endémica, fome e pobreza.

Os líderes de Ordens Religiosas nas Filipinas tomaram posição semelhante em comunicado divulgado a 22 de fevereiro, no qual pediam aos eleitores que examinassem os candidatos “pelas lentes do Evangelho”.

É uma forma implícita de se mostrarem contra o risco de um novo autoritarismo com Marcos Jr e Sara Duterte no poder.

“Marcos Jr. apelidou o período da lei marcial de «idade de ouro» das Filipinas. Esta é uma visão muito pobre da história, paradoxalmente apoiada por muitos jovens que não viveram aquela época”, disse Jaypee Calleja, advogado e jornalista que escreve para a UCA News de Manila.

 

“Grupos de discernimento” para a eleição

“Algumas universidades católicas e associações leigas estão a apelar abertamente, às vezes com a bênção dos seus bispos, ao voto em Leni Robredo”, observou o padre Holzer.

“Sabemos que ela não é o Messias, mas poderia trazer de volta um pouco da decência que o nosso país perdeu. Quando nos lembramos que Rodrigo Duterte chamou Deus de «estúpido»…”, suspirou Calleja.

Nos últimos meses, os bispos encorajaram as paróquias a formar “grupos de discernimento” no período eleitoral.

“Ainda é difícil perceber até que ponto esta abordagem é seguida”, disse Holzer.

 

Dissensão

No país mais católico da Ásia, Rodrigo Duterte teve apoio substancial de muitos católicos nos últimos seis anos, embora as suas declarações e políticas muitas vezes colidissem com os valores da Igreja.

Isto é particularmente verdadeiro no que diz respeito ao debate controverso sobre voltar a aplicar a pena de morte e nos milhares de execuções extrajudiciais, um fenómeno que começou em 2016 com a guerra do governo às drogas.

“Alguns católicos, os mais conservadores, estão a pedir aos bispos que respeitem a sua escolha de votar em Marcos Jr”, disse Calleja.

“Um padre da Opus Dei chegou a acusá-los de dividir o eleitorado”, explicou o jornalista.

“A voz da Conferência já não é tão ouvida como no passado. Os bispos ainda têm bastante receio, mesmo como o novo presidente da CBCP desde Dezembro, o Bispo Pablo Virgilio David, que tem estado na linha da frente contra Duterte", destacou o padre Holzer.

O sacerdote acredita que a Igreja tem sido muito lenta a defender um programa social com a educação no centro, o que tornaria possível reconquistar as camadas populares mais negligenciadas.

“É preciso aumentar a consciencialização ao ligar a espiritualidade à vida das pessoas”, acrescentou o padre missionário.

“Nas Filipinas, somos católicos aos Domingos, mas não muito para além disso…”, concluiu.

Artigo de Malo Tresca, publicado no La Croix International a 10 de Março de 2022.

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Palavras-Chave:
Filipinas  •  Igreja  •  Política  •  Autoritarismo  •  CPCP  •  Discernimento  •  Carta Pastoral
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