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DACS com La Croix International | 17 Mai 2022
O discreto testemunho de um pequeno rebanho Católico numa república Islâmica
Embora minoritária na República Islâmica da Mauritânia, a Igreja Católica é respeitada pela população local e pelas autoridades governamentais graças ao seu envolvimento com os pobres.
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A Catedral de São José em Nouakchott, capital da Mauritânia, parece-se muito com uma tenda vista de fora.

Todos os domingos, entre 400 e 600 pessoas reúnem-se para celebrar a Eucaristia em francês.

Depois da missa, algumas pessoas, vestidas com panos de cera com imagens de santos, permanecem no pátio.

“Pessoas de todos os continentes e de todas as esferas da vida reúnem-se. Isto confere uma vivacidade à nossa Igreja que não se encontra noutro lugar”, diz D. Martin Happe.

O alemão de 76 anos, que é membro dos Missionários da África (os “Padres Brancos”), é bispo de Nouakchott desde 1995. Nos 22 anos anteriores foi administrador apostólico no Mali.

O bispo Happe sublinha que nenhuma das pessoas do seu rebanho é da Mauritânia. E diz que os encontros dominicais são uma oportunidade para esses católicos se encontrarem, embora muitos deles vivam em grande pobreza.

“A Igreja é também uma forma de Cristãos e estrangeiros se encontrarem”, afirma Laurent, que supervisiona os acólitos na paróquia da catedral.

 

Uma pequena minoria

Nouakchott, a única diocese católica da Mauritânia, foi fundada em 1965. Tem uma paróquia na capital e outra em Nouadhibou, a segunda maior cidade do país. Existem também postos missionários noutros quatro lugares – Atar, Rosso, Kaédi e Zouérate – embora não tenham fiéis.

Há apenas uma pequena presença cristã na República Islâmica da Mauritânia, um país de cerca de 4,4 milhões de habitantes na costa atlântica do Noroeste de África.

O Islamismo é a religião do estado, e todos os mauritanos são Muçulmanos. Os 4.000 católicos do país são todos estrangeiros e vêm de cerca de 40 países, principalmente da África.

“Um terço da paróquia de Nouakchott renova-se todos os anos porque muitos estão de passagem: é um desafio. Mas isso impede-nos de adormecer!”, sorri D. Happe.

Entre os seus colaboradores pastorais contam-se uma dezena de sacerdotes, a maioria deles missionários. Há também cerca de 30 religiosas de várias congregações.

 

Diálogo intercultural

“No aeroporto de Nouakchott, um mauritano comentou, divertido, que eu estava a usar uma cruz numa república islâmica sem que isso fosse um problema, enquanto na Europa isso é debatido!”, sublinha D. Happe.

“Nos meus 27 anos aqui, nunca senti hostilidade”, diz.

O bispo nascido na Alemanha defende incansavelmente o diálogo intercultural.

“A única maneira de mudar as ideias é conhecermo-nos, em vez de nos deixarmos trancar atrás de muros. Noto especialmente uma grande falta de conhecimento e equívocos sobre a nossa religião”, afirma.

A Mauritânia e a Santa Sé estabeleceram relações diplomáticas plenas em Dezembro de 2016, prova de que as autoridades mauritanas têm grande respeito pela Igreja Católica no seu país.

O Papa Francisco nomeou o arcebispo norte-americano Michael Bannach no mês de ;aio seguinte como o primeiro Núncio Apostólico no país, uma missão que também incluiu a representação da Santa Sé nos condados vizinhos do Senegal, Cabo Verde e Guiné-Bissau.

“A ideia de que os cristãos estão a levantar muros é falsa”, diz D. Happe.

Mas a população continua muito sensível ao proselitismo, que é formalmente proibido.

“Não se trata de tentar converter as pessoas”, insiste o bispo.

De acordo com o artigo 306 do código penal, heresia, apostasia, ateísmo e blasfémia são puníveis com a morte.

Cinco mauritanos foram condenados a penas de prisão em Outubro de 2020 por insultarem a moral Islâmica.

 

Um forte compromisso social

A missão da Igreja centra-se, assim, essencialmente na acção social, uma vez que cerca de 30% da população vive abaixo do limiar da pobreza, incluindo a ajuda às vítimas de queimaduras, apoio aos presos e crianças deficientes, combatendo também a desnutrição. Os católicos também estão envolvidos na educação e formação profissional, assistência aos migrantes, gestão de bibliotecas...

Os muitos projectos são geridos pelo departamento diocesano e muitas vezes realizados com a Cáritas Mauritânia, a única ONG religiosa não muçulmana reconhecida pelas autoridades.

Em Nouakchott, a Cáritas apoia dois projectos em particular: um no bairro operário de Dar Naïm, onde existe um centro de integração profissional que oferece formação para jovens que abandonaram a escola, ou são analfabetos.

O outro é em Dar El Barka, onde existe um centro que combina formação profissional e cursos de alfabetização para mulheres. Há também um jardim de infância lá.

 

Pressão islâmica

Embora se esforcem para viver em paz no país de maioria muçulmana, membros da pequena comunidade católica sentiram nos últimos anos a pressão dos fundamentalistas islâmicos financiados pela Arábia Saudita.

“As primeiras vítimas deste aperto são os mauritanos”, diz D. Happe.

“O alvo é o Islamismo das irmandades porque, para os Wahhabis, trata-se de sincretismo”.

Artigo de Clémence Cluzel, publicado no La Croix International a 16 de Maio de 2022.

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Palavras-Chave:
Mauritânia  •  Islamismo  •  Muçulmanos  •  Católicos  •  Paz  •  Pobres
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