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DACS com La Croix International | 24 Mai 2022
Próspera comunidade sacerdotal tradicional em França pede ajuda ao Vaticano
O Vaticano está a enviar quatro “visitadores” para ajudar a Comunidade de São Martinho, presente em 28 dioceses francesas, a fazer um balanço do seu crescimento dramático e a planear o futuro.
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  © DR

A Comunidade de São Martinho – uma associação pública de clérigos fundada por um padre francês em 1976 sob a alçada do falecido cardeal Giuseppe Siri de Génova (Itália) – emergiu como uma das fontes mais prolíficas de vocações sacerdotais em França.

Actualmente conta com 168 sacerdotes e diáconos e atrai muitas vocações. E de acordo com dados da Conferência Episcopal Francesa (CEF), a comunidade poderá representar entre 20 e 40 por cento de todo o clero activo no país daqui a 30 anos.

Mas o superior da comunidade (chamado de moderador geral), o padre Paul Préaux, pediu à Congregação para o Clero que os ajude a avaliar o rápido crescimento. Assim, o departamento do Vaticano está a enviar “visitadores” para observar o desenvolvimento da comunidade a partir de fora e ajudar a discernir o seu futuro.

Uma fonte do Vaticano confirmou que se trata de “uma missão de acompanhamento em resposta a um pedido francês e não tem nada que ver com uma inspeção”.

 

Visita pastoral

D. Benoît Bertrand, da Diocese de Mende, no sul da França, irá liderar a visita, que terá a sua primeira reunião de trabalho a 30 de Maio.

Será assistido por outras três pessoas – D. André Marceau, ordinário aposentado de Nice; o Pe. Matthieu Dupont, reitor do seminário de Versalhes; e a Irmã Anne Descour, provincial das Religiosas da Assunção.

“Esta é uma visita pastoral periódica, como as visitas regulares que existem no mundo monástico”, disse D. Bertrand.

“A Santa Sé está a convidar-nos a identificar e reconhecer os benefícios da comunidade, e talvez destacar alguns pontos de atenção”, notou.

Esta visita, divulgada pela primeira vez pelo jornal Libération, sediado em Paris, é vista como o preço a pagar pelo sucesso.

A Comunidade de São Martinho tem cerca de 40 locais apostólicos, principalmente em França, e cerca de 100 seminaristas. Alguns questionam se poderá estar a arriscar uma crise de crescimento. Outros estão curiosos para ver o que há no dinamismo da comunidade que pode beneficiar a Igreja de França.

A comunidade foi fundada para enviar os seus sacerdotes, que vivem em pequenas comunidades, para apoiar dioceses carentes de vocações. Agora tem homens em paróquias de 28 dioceses em toda a França, e muitos bispos estão a pedir reforços.

 

Jovens padres de batina

Os “São Martinhos”, como são chamados, gostam de usar batina. Celebram a Missa de acordo com o rito pós-Vaticano II, mas em Latim. A sua chegada às paróquias deve estar em harmonia com o clero diocesano.

“O crescimento numérico é apenas um aspecto. A comunidade é jovem, não podemos responder a todos os pedidos”, disse o padre Préaux, moderador geral.

“Não queremos reproduzir padrões antigos, mas encontrar novos caminhos”, acrescentou.

Com a força dos comentários elogiosos dos bispos que acolhem os padres de São Martinho nas suas dioceses, especialmente durante a visita ad limina no Outono passado, a comunidade está ainda mais consciente dos desafios da formação.

“Numa era de relativismo ambiental, considerar um compromisso para a vida é cada vez menos óbvio”, admitiu o padre Préaux.

Enquanto nos primeiros anos da sua existência a comunidade experimentou alguns afastamentos, o que preocupa os líderes hoje está mais relacionado com o cansaço e o esgotamento que podem afectar uma determinada geração.

A fraternidade intergeracional e o lugar reservado aos padres mais velhos, que em breve chegarão aos oitenta anos, também são preocupações.

“Que apoio há para os padres idosos que deram a sua vida inteira?”, perguntou Préaux.

“Eu escuto o que o Papa diz sobre os nossos idosos nas sua catequese”, disse o moderador geral.

 

Um olhar de fora

Um dos desafios da Comunidade de São Martinho é decidir a melhor forma de fortalecer o seu “governo” de modo a poder continuar a promover um espírito fraterno apesar do número de sacerdotes.

Há também a questão de enriquecer a formação permanente para enfrentar os desafios da sociedade e da Igreja do século XXI.

“Precisamos de ajuda, de uma perspectiva externa”, confirmou o padre Préaux, que lembrou uma visita anterior de D. Jean-Marc Micas, então provincial dos Sulpicianos, que será ordenado bispo de Tarbes-Lourdes no próximo dia 29 de Maio.

Apesar da sua carga de trabalho já pesada, a irmã Anne Descour aceitou o pedido do Vaticano para ser uma das visitadores.

“É um serviço para a Igreja olhar uma comunidade de fora, e é importante que uma mulher seja convidada pela Congregação para o Clero. É um pedido que vai na direcção da escuta, da alteridade”, disse.

“Poderemos ajudar a Comunidade de São Martinho a encaixar-se melhor na Igreja de França”, disse D. Bertrand.

Ele e a sua equipa visitarão os 40 lugares onde os padres de São Martinho estão a servir actualmente e consultarão os bispos locais. Também farão uma visita ao seminário da Comunidade em Evron.

“Trata-se de apoiar a comunidade com vigilância e benevolência”, disse D. Bertrand.

Afirmou ainda que ele e os seus três assistentes levarão todo o tempo necessário para realizar este "tour de France" das comunidades de Saint Martin.

 

Artigo de Christophe Henning, publicado no La Croix International a 23 de Maio de 2022.

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Palavras-Chave:
França  •  Vocações  •  Vaticano  •  Visitações
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