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DACS com El Debate | 27 Mai 2022
Especialista do Vaticano em abusos: “A prevenção não é suficiente”
O bispo de Malta e especialista do Vaticano em casos de abuso, D. Charles Scicluna, assegurou que a prevenção não é suficiente para compensar as vítimas.
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  © DR

“Às vezes pensamos que uma vez proferida a sentença, todos deveriam ir para casa e assumir as consequências”, disse Charles Scicluna na apresentação do livro “Transparência e Segredo na Igreja Católica”.

Durante o seu discurso, o bispo de Malta e especialista do Vaticano em casos de abuso sexual perpetrados dentro da Igreja, afirmou que as dioceses devem criar uma figura, paralela à do responsável pela Prevenção, que se ocupa da escuta, atenção e acompanhamento das vítimas.

Scicluna explicou que a relação de comunhão que a Igreja deve presidir “requer uma pessoa que escute cordial e atentamente cada vítima”.

Uma tarefa que não deve ser deixada apenas para aqueles que denunciam e as suas famílias, mas também para os acusados, com os quais “a Igreja não deve romper todo o contacto”. Especialmente porque Scicluna, doutor em Direito Canónico, está ciente de que “algumas medidas cautelares dão a impressão de ser uma sentença” e é necessário manter a presunção de inocência.

O Bispo de Malta e Secretário Adjunto da Congregação para a Doutrina da Fé considera que o acompanhamento dos casos de abuso deve ser feito “do ponto de vista humano e pastoral”. Nesse sentido, é a favor de facilitar o acompanhamento psicológico, espiritual e pastoral, para contribuir para a reparação. Uma tarefa que considera que a Igreja não deve fazer sozinha, mas em colaboração com ONGs que também se dedicam à protecção dos menores.

 

Investiguem-se todos os casos

Como exemplo da falta de sensibilidade pastoral para com as vítimas, Scicluna revelou o caso específico de uma vítima que denunciou o seu caso publicamente, na Praça de São Pedro, em Roma.

Ao analisar o expediente na Congregação descobriram que o acusado já tinha sido expulso do estado clerical numa diocese italiana, sem que a vítima tivesse recebido qualquer notificação.

“A relação com a verdade torna-nos mais vulneráveis”, diz Scicluna, que destaca os erros da Igreja na opinião pública, mas diz ser preciso preciso enfrentá-los e ter paciência.

Por isso, em relação às comissões de investigação de abusos, Scicluna considera que “é necessário passar por um período de humilhação e purificação para manter a credibilidade”.

São “processos dolorosos, que devem servir de trampolim para melhorar”, já que podem ajudar a descobrir onde a Igreja falhou e a evitar problemas no futuro.

Scicluna fez estas declarações na apresentação da obra “Transparência e Segredo na Igreja Católica”, onde um dos autores, o professor de Comunicação da Universidade de Santa Croce, Jordi Pujol, também se referiu às diversas comissões realizadas em todo o mundo para tratar de casos de abuso.

Considera positivo que sejam análises externas à Igreja, porque dão credibilidade, mas nem todas foram realizadas com o mesmo profissionalismo. Também criticou que com fundos públicos apenas se investigue o passado da Igreja sobre abusos e não de forma geral.

“Se algo assim fosse feito com outro tipo de grupo, como os judeus ou os ciganos, seria um escândalo”.

Como co-autor do livro está o padre cubano Rolando Montes de Oca, que alertou sobre a ameaça à verdade que o “bomismo” representa.

“Um pastor não pode sentar-se para tomar café com o lobo quando enquanto ele está a comer as ovelhas”, pois “sem verdade não pode haver caridade”.

Montes de Oca, responsável pela Pastoral Juvenil em Cuba, revelou como alguns dos jovens católicos com quem mantém contacto foram perseguidos e interrogados. Garante que quando lhe perguntam o que devem dizer nos interrogatórios, a resposta é clara: “Digam a verdade. Na Igreja não temos nada a esconder”.

Artigo de Antonio Olivié, publicado no El Debate a 27 de Maio de 2022.

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