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DACS com Crux | 27 Jun 2022
Família escolhe perdoar após condutor alcoolizado matar três dos seus filhos
O homem responsável pela tragédia era um condutor sob o efeito de drogas e álcool que conduzia três vezes acima do limite de velocidade.
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  © CNS photo/Robert Duncan

O que deveria ter sido um passeio agradável para sete crianças no Oeste de Sydney a 1 de Fevereiro de 2020, transformou-se numa das piores tragédias rodoviárias que a Austrália viu nos últimos tempos.

Leila e Daniel Abdallah perderam metade dos seus filhos num piscar de olhos; três dos seus seis filhos morreram no local. Também perderam uma sobrinha no acidente, e mais três crianças, incluindo a sua filha, ficaram gravemente feridas.

O homem responsável pela tragédia era um condutor sob o efeito de drogas e álcool que conduzia três vezes acima do limite de velocidade.

Em Março deste ano, os Abdallahs deram as boas-vindas a uma nova filha, Selina, baptizada por uma das suas irmãs em homenagem a Sienna e Angelina, as duas filhas mortas no acidente.

O casal cristão maronita de alguma forma conseguiu perdoar o condutor que matou os seus filhos e, no sábado, deu o seu testemunho no 10º Encontro Mundial das Famílias, que está a acontecer em Roma.

Em 2020, a cobertura jornalística do acidente rapidamente passou de tragédia para espanto com o perdão público de Leila ao condutor: “Eu não o odeio. Acho que no meu coração o perdoo, mas quero que o tribunal seja justo”.

Colunistas de opinião questionaram a sua decisão de perdoar um homem que atropelou sete crianças, a sua decisão de manter a sua fé diante de tal tragédia e o seu apelo aos que ofereceram ajuda para rezar o terço pelos seus filhos.

Atendendo ao seu pedido, milhares reuniram-se no local do acidente todas as noites para rezar o terço; e continuaram a ir até ao funeral.

Falando com o Crux na quinta-feira, Leila disse: “O perdão naquela altura, acredito, veio do Espírito Santo”.

“Tenho praticado o perdão toda a minha vida, diariamente: quando perdoas os teus pais, os teus irmãos, os teus amigos, o teu cônjuge, estes são todos pequenos actos de perdão, mas precisamos de começar a perdoar as pequenas coisas para poder perdoar as grandes”, afirmou.

Durante o primeiro ano após a tragédia, disse Daniel, ele estava a sofrer e a viver no passado. Mas então experimentou “um momento de Deus”, durante o qual sentiu que Deus estava a exortá-lo a parar de olhar para trás em busca dos seus filhos e ver que “eles estão à sua frente”. Isto permitiu que mudasse de atitude e, em vez de ser constantemente derrubado pela tragédia, acorda todos os dias a saber que isso o deixa “um dia mais perto de se reunir com eles”.

“Cada aniversário é um ano mais perto de nos reunirmos com eles. A morte agora tornou-se algo belo; já não é algo estranho para nós. É um momento difícil, não atenua a dor, mas ajuda a concentrarmo-nos na próxima vida”, explicou.

A “próxima vida”, concordaram ambos, é o que realmente importa, a ponto de Daniel considerar a paternidade o seu trabalho mais importante, e envolve apenas um objectivo: “Ajudá-los a chegar ao Céu”.

Por esse motivo, disse que incentivaria todos os pais que estão de luto pela perda de um filho a tentar olhar para o futuro, sabendo que os seus filhos estão a “preparar-lhes um lar no Céu”.

“A morte faz parte da vida, e a Bíblia é clara: todos morreremos”, disse Leila. “E devemos estar a preparar-nos para esse dia. Também acredito que os nossos filhos não nos pertencem, estão aqui para cuidarmos deles, mas são filhos de Deus e pertencem-Lhe, e o nosso trabalho é prepará-los para encontrar o Senhor”.

Também disse que nesta vida “todos são chamados a sofrer”.

“Quando Cristo se tornou homem, carregou a sua cruz e sofreu. Mas o que estamos a sofrer aqui não se compara à alegria que nos espera no Céu, onde não há dor, nem agonia, nem fome. Todo o nosso sofrimento aqui é temporário; ofereçam-nos a Jesus e a Deus”, pediu.

Ao longo da entrevista com o Crux, a conversa foi interrompida várias vezes: fraldas a precisar de ser trocadas, crianças a precisar de ser alimentadas ou acompanhadas à casa de banho. Mas uma e outra vez, enquanto a gravação era interrompida e depois retomada, Leila repetia o mesmo conselho a todos: “Rezem, perdoem incondicionalmente, arrependam-se, vão confessar-se, permaneçam humildes”.

“Todos somos chamados a ser santos, como família”, disse. “Não é preciso ser freira para ser santa. Pode encontrar esperança na tragédia, abraçar a dor e perdoar incondicionalmente. Perdoe sempre incondicionalmente”, observou.

Os Abdallahs criaram o i4give Day como uma memória das quatro crianças que morreram no acidente, o que passou a ser reconhecido pelo governo nacional como uma semana nacional de perdão, incentivando as pessoas a falar sobre isso e a pensar sobre como é que o perdão se aplica nas suas vidas, quer sejam famílias, comunidades, encontros inter-religiosos e todas as esferas da vida.

Eles concentram-se no perdão porque, disse Daniel, se não fosse por isso, “teria perdido toda a a casa, não metade dela”. Se ele não estivesse focado no perdão, teria “obcecado com o condutor e a sua família, e em vingar-se deles. É preciso encontrar um bem maior, uma razão para perdoar. No nosso caso, a obediência ao Pai Celestial e aos nossos restantes três filhos”, explicou.

Destacou que 65% dos casamentos se desfazem após a perda de um filho. No entanto, quando o casal perdeu metade dos seus, Leila disse-lhe que não poderia deixá-lo porque “a lembrava de Antony, parecia-se com Angelina e andava como Sienna”.

“Se virmos os nossos parceiros na perspectiva do amor que temos pelos nossos filhos, as coisas mudam”, disse Daniel. “Ainda discutimos, e isso nunca vai mudar. É saber perdoar que importa”.

Ao longo da sua jornada de luto, disse Leila, terem-se um ao outro foi fundamental, pois permitiu que ela fosse fraca, sabendo que ele seria forte e vice-versa.

“Houve momentos durante o funeral, o enterro e durante a nossa jornada de luto em que, ao olhar para ele, ainda me senti abençoada, porque ainda o tinha ao meu lado”, disse ela.

“O perdão é a chave para um relacionamento duradouro e aproximou-nos no nosso casamento, ajudando-nos a olhar para o futuro. E deu-nos a nossa filha-milagre Selina.”

Artigo de Inés San Martín, publicado no Crux a 25 de Junho de 2022.

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