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DACS com Vida Nueva Digital | 22 Jul 2022
Yvonne Reungoat: “O bispo ideal não existe”
A salesiana francesa é uma das três primeiras mulheres a integrar o Dicastério para os Bispos.
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  © DR

Yvonne Reungoat não tinha ideia de que seria nomeada pelo Papa Francisco como membro da Congregação para os Bispos.

“A notícia caiu quando estava na sede da USMI”, diz ela, referindo-se à União das Superioras Maiores da Itália, organização presidida por esta freira francesa que liderava a congregação das Filhas de Maria Auxiliadora (Salesianas) até Outubro de 2021.

“O bispo não é apenas a pessoa que manda e a quem os outros obedecem, mas deve saber envolver os demais e deixar-se questionar”, afirma sobre as características que, na sua opinião, um bom pastor deve ter.

 

O que significou para si a nomeação?

Li que o Papa pretendia nomear duas mulheres e pareceu-me uma boa notícia. Pensei que estava a preparar o terreno e que iria tornar as nomeações efectivas em breve, embora nem por um segundo pensei que eu seria uma dessas mulheres. Quando a notícia da nomeação se tornou pública, comecei a receber mensagens de felicitações, então procurei informações e encontrei a notícia. Foi uma surpresa muito grande, pela decisão de nomear três mulheres e, no meu caso, porque achei que o meu tempo de exposição pública tinha acabado. Além da surpresa, tive também um grande sentimento de gratidão para com o Papa pela confiança depositada não só em mim, mas também no Instituto, na Vida Consagrada e nas mulheres. Também tive um sentido de responsabilidade por não saber exactamente em que consiste esta nova missão, embora suspeite que será uma colaboração directa com o dicastério para estudar os relatórios de nomeação e discernir as propostas. Isto faz-me sentir uma responsabilidade totalmente nova.

 

Alguém do Vaticano entrou em contacto consigo depois da nomeação para explicar em que irá consistir o seu trabalho?

Ainda não falei com ninguém no Vaticano. Não sei se devo fazê-lo. Não falei com o Santo Padre, mas enviei-lhe uma nota escrita agradecendo-lhe a confiança e disponibilidade.

 

Por que é importante que as mulheres participem na eleição dos bispos?

A presença de mulheres naquele dicastério, formado até agora por cardeais e bispos, permite-nos ter uma visão partilhada e com sensibilidades complementares. Não estou a dizer que os homens têm uma sensibilidade e as mulheres outra, porque cada um tem sensibilidades que podem ser encontradas, mas são posições complementares, porque a situação da mulher na vida é de contacto direto com a terra, de proximidade com a realidade e pessoas na maioria dos casos. Temos um conhecimento que parte da realidade. A experiência é também de escuta e diálogo com essa realidade.

 

Trata-se então de dar espaço à sensibilidade feminina?

A sensibilidade feminina parte da intuição, da atenção para ir um pouco mais longe e mergulhar na realidade. O elemento importante é a complementaridade. O facto de existirem homens e mulheres permite uma visão complementar para tentarmos aproximar-nos da realidade, que é complexa. Certamente não é fácil conhecer essas realidades quando se trata de nomear bispos de diversas partes do mundo, estudando e discernindo a partir dos elementos recebidos das nunciaturas. Acho que é assim, porque nunca estive envolvida numa consulta de bispos. Considero importante este aspecto de complementaridade na visão para responder aos desafios que surgem hoje. Na Igreja há um número significativo de mulheres, mas vemos que em alguns lugares estamos a perder mulheres jovens, que constituem uma parte importante da vida eclesial pelo seu papel na educação, entre muitas outras áreas. O facto de verem que as mulheres também estão representadas ao mais alto nível de reflexão na Igreja pode fazê-las sentir-se mais envolvidas.

 

Nós, jornalistas, gostamos muito de usar o termo “histórico”. É o caso da sua nomeação ou é mais fogo de vista?

Em todo o caso, é um passo à frente. Mas a mudança não acontece automaticamente, depende de como os envolvidos reagem. Devem favorecer um caminho que possa ir mais longe. O facto de haver mulheres num cargo não significa que a situação irá mudar automaticamente. Uma abertura recíproca é necessária. Mas o caminho faz-se caminhando juntos. Devemos dar às mulheres o seu lugar, mas também devemos assumir a nossa posição, porque às vezes recuamos porque pensamos que não estamos à altura da tarefa ou que não depende de nós. Também devemos ter a coragem e a simplicidade de sermos nós mesmas para entrar num caminho que está a abrir-se.

 

E como fazer com que as mulheres reivindiquem o seu lugar apesar das críticas?

Devemos entrar num tipo de relação ao estilo feminino. Não se trata de não se impor, mas aproveitar as fissuras que existem. Isto requer um pouco de psicologia, intuição, respeito pelos outros e também ser proactivo. Não devemos ter medo de propor e pedir, mesmo que haja momentos em que não sejamos aceites. Podes obter um “não” da primeira vez e um “sim” na segunda.

 

Qual seria para si o “retrato robot” ideal de um bispo?

O bispo ideal não existe. Antes de tudo, deve ser um pastor próximo das pessoas que lhe foram confiadas, deve saber envolver sacerdotes, leigos e religiosos, pessoas de diferentes gerações. O caminho da sinodalidade está a ajudar a viver este processo, deve ser a forma habitual de animar a Igreja para favorecer a colegialidade.

 

O Cardeal Ouellet assegurou nesta meio que “30% dos bispos eleitos rejeitam a nomeação”. Como explica esta situação?

Por um lado, pode haver dificuldade em aceitar a responsabilidade de ser bispo de uma Igreja particular, com todas as alegrias, desafios e protestos que isso acarreta. É por isso que penso que, para ser bispo, é preciso ter a capacidade de ouvir, tanto a quem tem as mesmas ideias como a quem protesta. Não é fácil. Basta pensar na questão dos abusos, que marcou a vida da Igreja em várias partes do mundo nos últimos anos. Pode ser assustador assumir a responsabilidade neste contexto. O mesmo acontece com a linha de animação pastoral do Papa baseada no discernimento com as pessoas e em ter em conta as diferentes situações. Quando há uma linha mais claramente traçada, pode parecer mais fácil orientar-se.

Entrevista de Darío Menor, publicada em Vida Nueva Digital a 22 de Julho de 2022.

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