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DACS com Avvenire | 6 Set 2022
China: Bispo “reconhecido” por Roma lidera agora a Conferência dos Bispos
A eleição ocorreu durante o X Congresso dos representantes católicos. Uma escolha semelhante foi também realizada para o vértice da Igreja Patriótica. Sinais resultantes do Acordo Sino-Vaticano.
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A vida da Igreja Católica na China tem sido particularmente difícil nos últimos dois anos. Mas agora vêem-se alguns sinais de recuperação. Depois de muitas restrições devido à Covid-19, os longos encerramentos de igrejas devido ao confinamento, a impossibilidade de viajar para o estrangeiro e receber visitantes estrangeiros, juntamente com os problemas criados pelos novos regulamentos sobre actividades religiosas, assinala-se uma retoma gradual da actividade, como também assinala a Agência Fides, que reporta ao Dicastério para a Evangelização. Enquanto isso, depois da suspensão de muitas actividades online, chegam as primeiras autorizações para a abertura de sites católicos na internet com base nas novas regras.

Também se coloca no caminho dessa recuperação o X Congresso dos Representantes Católicos – que contou com a presença de bispos, padres, religiosos e leigos – que começou a 18 de Agosto na já conhecida cidade de Wuhan –, e onde no passado 9 de Setembro foi nomeado bispo Cui Qingqi, o último dos seis bispos ordenados após o Acordo de 2018 entre a Santa Sé e a China.

No Congresso – realizado com enormes precauções para evitar a disseminação de contágios – também estiveram presentes os dirigentes da Frente Unida, que tem competência sobre as religiões. A história destes congressos está enraizada num passado de separação de Roma, agora superado após o Acordo Sino-Vaticano. As suas tarefas incluem a eleição dos líderes da Associação Patriótica e da Conferência Episcopal, ambas não reconhecidas pela Santa Sé, a primeira por não ser um órgão eclesial e a segunda por ainda não ser representativa de todo o catolicismo chinês (ainda não foi resolvida, de facto, a questão dos bispos clandestinos não reconhecidos pelo governo). Em 2010, o VIII Congresso marcou o início de um dos conflitos mais duros da história das relações entre Roma e Pequim. Mas muitas coisas mudaram depois de 2018.

A Associação Patriótica perdeu até um pouco da sua importância, com a introdução de uma modalidade de nomeação de bispos acordada entre a Santa Sé e o governo chinês. A Conferência dos Bispos, por outro lado, foi fortalecida porque hoje os seus membros encontram-se todos em comunhão com o Papa. Pela primeira vez na liderança dos dois órgãos estão apenas bispos reconhecidos por Roma: Li Shan, bispo de Pequim, que em 2008 passou por um momento difícil por ter aspirado uma visita do Papa Bento XVI à China, foi chamado para liderar a Associação Patriótica, e Shen Bin, de Haimen, que já visitou a Itália várias vezes, indo também rezar no túmulo de Pedro, é o novo presidente da Conferência dos Bispos.

Após esta passagem, será mais fácil para os bispos chineses – no quadro, claro, da “sinização”, ou seja, de uma plena sintonia com as autoridades – promoverem uma actividade mais intensa nos campos indicados por Shen Bin: catequese, evangelização e caridade. A convocatória deste Congresso antes do congresso do Partido Comunista a ser realizado no Outono chinês – talvez na segunda quinzena de outubro – faz parte da vontade da actual liderança chinesa liderada por Xi Jinping de se apresentar neste importante encontro político com todas as incumbências cumpridas e apresentar a imagem de uma sociedade ordenada e estável.

Isto também significa que se for reconfirmada, como é muito provável, esta liderança pretende dar continuidade à vida da Igreja Católica na China nos moldes estabelecidos nos últimos anos. É provável que a curto prazo também haja a renovação do acordo bienal entre a Santa Sé e a República Popular da China – já renovado uma primeira vez em 2020 –, talvez também antes do Congresso do Partido. Obviamente, isso não significa – como muitas vezes repetiu o secretário de Estado, o Cardeal Pietro Parolin – que todos os problemas estejam resolvidos e é de se esperar que algum progresso esteja feito já por altura dessa renovação.

No que diz respeito à realidade específica da Igreja Católica chinesa, tudo isto adquire particular importância num momento de crescente tensão entre os Estados Unidos e a China sobre a questão de Taiwan. De facto, após a visita de Nancy Pelosi a Taipei, as relações sino-americanas endureceram fortemente, fortalecendo-se até os laços entre a China e a Rússia enquanto a guerra na Ucrânia continua. Neste contexto, a continuação da relação entre a Santa Sé e a China adquire o valor de uma mensagem de paz, mostrando a possibilidade de um diálogo não só entre posições, mas também entre convicções em que ambos os lados estão profundamente distantes.

É uma mensagem que mostra o grande potencial do diálogo político-diplomático quando não se limita à defesa de interesses imediatos, mas se inspira numa visão básica sobre o futuro da humanidade que hoje mais do que nunca precisa não da guerra, mas da paz.

Artigo de Agostino Giovagnoli, publicado em Avvenire a 23 de Agosto de 2022.

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