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Juvenal Dinis | Braga| 18 Fev 2021
Há 50 anos saiu o primeiro número da Nova Revista de Música Sacra
Faz precisamente 50 anos que se começou a publicar na Arquidiocese da Braga, o primeiro órgão oficial para dinamização da Música Litúrgica.
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  © Rui Machado

Faz precisamente 50 anos que se começou a publicar na Arquidiocese da Braga, o primeiro órgão oficial para dinamização da Música Litúrgica. A 18 de Fevereiro de 1971 foi assinada pelo saudoso D. Francisco Maria da Silva, Arcebispo Primaz de então, a primeira edição da Revista “Nova Revista de Música Sacra”, que surgiu na sequência da conclusão das Semanas de Música Sacra realizadas na Arquidiocese «com o objetivo de uma atualização neste campo de apostolado»[1]

A revista era dirigida pelo Cón. Manuel Ferreira de Faria, em colaboração com uma grande equipa de colaboradores bracarenses e de outras dioceses[2], entre eles: os Padres Manuel Brito da Silva, Joaquim Azevedo Mendes de Carvalho e Sebastião Faria SJ constituíam a direção da revista; Pe. Manuel Luís, Pe. Joaquim Gonçalves dos Santos, Carlos da Silva, Pe. Manuel Simões SJ, Pe. José de Sousa Marques, Pe. Benjamim de Oliveira Salgado e Prof. Cândido de Oliveira eram os colaboradores principais. Deve-se a Luís Alberto de Melo dos Reis Gavina a ilustração da capa e o Pe. Manuel Brito da Silva era responsável pela gráfica musical num tempo em que os editores informáticos ainda não existiam.

A publicação deste órgão surge como resposta aos novos desafios deixados pelo Concílio com a introdução da Liturgia em vernáculo, procurando oferecer «verdadeiras criações musicais adaptadas à Liturgia renovada e dentro das normas conciliares»[3].

O primeiro editorial assinado pela direção tinha por título: “Porquê e para quê?”

Na sequência das várias Semanas Bracarenses de Música Sacra, a 1ª celebrada em 1967, e com o proliferar de muitas «melodias publicadas em Portugal que não estavam de harmonia com a vontade da Igreja»[4], os responsáveis da altura «em vista da invasão de música profana do género ligeiro que acabava de forçar as portas das igrejas por esse país além», consideraram «urgente a fundação de uma revista mais ou menos periódica, que fornecesse aos bem intencionados o pábulo musical de qualidade pelo menos suficiente para que o «Povo de Deus» pudesse louvar ao Senhor «em beleza (S. Pio X) e «elevar o espírito ao invisível» (Inst. Musicam Sacram[5]. Objetivos estes que, passados 50 anos, continuam válidos. Para isso, foi grande o trabalho de muita gente que, ao longo destes 50 anos, deu o seu contributo ora na construção de textos, que procurassem responder aos desafios deixados pela Instrução Musicam Sacram, ora na construção de melodias que ajudassem a «elevar o espírito ao invisível». É de salientar que quase todos os cânticos publicados na NRMS sejam escritos com acompanhamento para órgão, o que facilita muito o trabalho dos organistas, bem como, em muitos cânticos, a parte coral para as vozes: muitas coisas a uma voz e órgão, mas grande parte das coisas publicadas a duas, três e quatro vozes mistas, facilitando também a tarefa do diretor artístico.

Queremos neste dia fazer memória agradecida, a quantos ao longo deste 50 anos, graciosamente ofereceram muitas horas do seu trabalho ao serviço da Igreja, neste ministério da Música Litúrgica com as suas composições de música e de textos: Pe. Manuel Faria, Pe. Benjamim Salgado, Pe. Manuel Luís, Pe. Manuel Simões SJ, Pe. Joaquim dos Santos, Pe. Manuel Faria Borda, Pe. Fernandes da Silva, Pe. João Morais, Francisco Faria, Pe. Henrique Pereira, Eugénio da Fonseca, Pe. Ferreira dos Santos, Pe. Carlos Silva, Pe. Sousa Marques, Pe. Henrique Faria, Frederico de Freitas, Pe. Alberto Brás, Pe. Correia, Pe. Chamoim, Moreira da Neves, Pe. Joaquim Alves, Pe. Gaspar Roriz, Pe. João Mendes SJ, David Oliveira, Pe. Miguel Carneiro, Pe. Azevedo Oliveira, Pe. António Cartageno, João Duque, Fernando Silva e Fernando Melro.

Para além da publicação da Nova Revista de Música Sacra, foram saindo outras publicações de autor, enriquecendo assim o espólio musical disponível para o enriquecimento das celebrações litúrgicas. 

Esta edição começada há 50 anos foi interrompida, após três anos de publicação, no seu nº 12, devido a dificuldades económicas. Contudo, o espírito continuou vivo e presente à espera de melhores dias. Após três anos de reflexão e de algumas perguntas recebidas de muitos lados: «então a Revista morreu?»,[6] a Revista retomou a sua publicação, iniciando uma nova série, mas com os mesmos princípios: promover a boa música litúrgica tendo em vista o “louvor a Deus e santificação dos fiéis”.

E assim, essa segunda série, da Nova Revista de Música Sacra, foi alimentado as nossas comunidades, até dezembro de 2015, até ao nº 156, contribuindo «para a beleza e dignidade da música sacra e litúrgica, acrescentando trimestralmente novas propostas de cânticos ao reportório existente»[7].

Foi muito o trabalho feito ao longo destes 50 anos: semanas de música sacra, encontros de coros, criação de grupos corais em várias paróquias, vários momentos de formação. A nossa gratidão vai para quantos trabalharam, promovendo a Música Litúrgica e ajudaram a divulgar e sustentar a Revista com a sua assinatura anual.

Passado algum tempo da suspensão da publicação da “Nova Revista de Música Sacra”, depois de quarenta e cinco anos de vida, no final do ano de 2016, a pedido do sr. D. Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz, foi formada uma nova equipa de trabalho e a Revista retomou novamente a sua publicação, com desenho novo, do Arquiteto António Cerejeira Fontes e também um nome novo: “SALICUS”. SALICUS é um neuma do canto gregoriano constituído por três notas ascendentes, foi o nome que o novo grupo de trabalho escolheu, para realçar a importância deste trabalho que vinha a ser desenvolvido e que é preciso continuar a incrementar e a trabalhar.

Com esta publicação, iniciamos a terceira fase deste projeto começado há 50 anos. Neste sentido, queremos, desde já, agradecer a quantos, ao longo destes 50 anos, serviram este projeto com empenho e dedicação.

A Revista de Música Litúrgica – SALICUS situa-se na tradição da Arquidiocese de Braga inaugurada pela Nova Revista de Música Sacra, nesta linhagem de grandes músicos e compositores que muito contribuíram para o enriquecimento do reportório litúrgico e sacro.

Todavia, os tempos e as circunstâncias vão mudando e, se no início da reforma litúrgica era urgente constituir reportório em língua vernácula, hoje em dia, juntamente com esta necessidade sempre presente, novos desafios se colocam como, por exemplo: ajudar os organistas no exercício da especificidade do seu ministério, dando elementos para que introduzam, acompanhem e concluam os cânticos, auxiliar os diretores de coro na tarefa difícil de dirigir um grupo de cantores, ajudando-os a preparar os ensaios e a escolher reportório litúrgico adequado de forma a melhorar a qualidade musical do mesmo e enriquecendo o reportório musical litúrgico já existente com novos arranjos e novas harmonizações.

Para além do serviço à música litúrgica, a revista SALICUS pretende “plataforma de diálogos entre a música litúrgica e a música em geral. A liturgia cristã, quer servindo de inspiração quer mesmo sendo destinatária, foi sempre um espaço onde os grandes músicos exprimiram a sua arte. Dom e espaço para todos, músicos, cantores e ouvintes; todos os que, com exigência, humildade e rigor, queiram promover na liturgia os sons do mundo e do novo céu, para glória de Deus e santificação da humanidade”[8].

A revista SALICUS deseja, na sequência da reflexão produzida no Congresso de Roma, nos 50 anos da Musicam Sacram, “ser um promotor da renovação da música litúrgica que, segundo o Papa, passa por aprender a «contemplar, adorar e acolher» a ação de Deus, «percecionar-lhe o sentido, graças, em particular, ao silêncio religioso e à musicalidade da linguagem.» Mais, ela procura ser fonte de encorajamento para atingir o «importante objetivo» apresentado pelo Papa Francisco: «ajudar a assembleia litúrgica e o povo de Deus a percecionar e participar, com todos os sentidos, físicos e espirituais, no mistério de Deus. A música sacra e o canto litúrgico têm a tarefa de nos dar o sentido da glória de Deus, da sua beleza, da sua santidade que nos envolve como uma nuvem luminosa»”[9].

Para além da Revista de Música Litúrgica – SALICUS, o Departamento Arquidiocesano de Música Sacra tem a seu cuidado a Escola Arquidiocesana de Música Litúrgica – São Frutuoso a funcionar em Real - Braga, para ajudar os organistas, salmistas e coralistas, podendo assim preparem-se melhor para exercerem ainda com mais dignidade nas comunidades a sua missão ao serviço da Música Litúrgica. Para além destes dois meios, o Departamento tem promovido por Arciprestados - o Domingo SALICUS - uma tarde de Domingo dedicada à formação para os agentes da Música Litúrgica das comunidades paroquiais. Muito nos honraria que a SALICUS chegasse cada vez mais às comunidades paroquiais: divulguem e assinem a SALICUS. Para mais informações: www.salicus.pt

 

Pelo Departamento Arquidiocesano de Música Sacra

Juvenal Dinis


 


[1] Cf. Francisco, Arcebispo Primaz, A bênção do pastor, in “Nova Revista de Música Sacra”, nº 1, Ano I, 1971, pág. 1

[2]Ibidem, pág. 1.

[3]Ibidem, pág. 1.

[4] AA.VV., Porquê e para quê?, in “Nova Revista de Música Sacra”, nº 1, Ano I, 1971, pág. 1.

[5] Ibidem.

[6] Editorial, in “Nova Revista de Música Sacra”, nº 1, Ano IV, 2ª série, 1977, pág. 1.

[7] Apresentação, in “Nova Revista de Música Sacra”, nº 153, 154, 155 e 156, Ano XLI, 2ª série, 2015, pág. 1.

[8] Joaquim FÉLIX, Editorial, in “Salicus”, nº 1, pág. 4.

[9] Joaquim FÉLIX, Editorial, in “Salicus”, nº 2, pág. 3.

 

Ver notícia publicada no Jornal "Diário do Minho", 18-02-2021

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