Arquidiocese de Braga -

24 fevereiro 2016

Leonor Teles, vencedora do Urso de Ouro em Berlim

Fotografia

A cineasta já tinha sido distinguida pela Igreja católica.

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No passado sábado, o documentário intitulado “Balada de um batráquio” ganhou o prémio mais respeitável do Festival de Berlim, na categoria de curtas-metragens. A autora, Leonor Teles já havia sido destinguida pela Igreja Católica em abril de 2013.

Neste ano, entre as curtas e longas metragens a concurso em pleno festival internacional de cinema independente IndieLisboa, organizado pelos Secretariados Nacionais da Pastoral da Cultura e das Comunicações Sociais, encontrava-se o documentário "Rhoma acans", declaração romana que se traduz por "Olhos ciganos", conduzido em 2012 por Leonor Teles. Os jurados presentes na 10.ª edição do festival decidiram conceder a Menção Honrosa ao vídeo de pouco mais de 12 minutos.

Naquela época, o documentário despontaria pelo seu carácter arrojado e inovador com que era reflectido um estado casual entre a família cigana. Na verdade, pretendia-se valorar o corte com todas as regras e/ou preceitos étnicos que obstinavam arduamente a liberdade na eleição pessoal no amor, sem no entanto colocar em causa a abertura vocacional na busca constante pela identidade originária, o núcleo germinal cigano. Daquele modo, Leonor Teles ambicionou oferecer um paralelismo entre a sua vida e a das jovens que, ao contrário dela, cresceram nas tradições gitanas.

“Rhoma acans” conta com diversas menções honrosas. A fundação Inatal distinguiu a obra em dezembro de 2012 no seu concurso de vídeo. No Festival Curtas Sadinas faria parte dos palmarés atribuídos. Por último, no Festival de Curtas de Vila do Conde foi atribuído o prémio Take One.

A cineasta de 23 anos tornou-se a mais jovem de sempre a receber um Urso de Ouro, com o documentário "Balada de um batráquio". Neste caso, Leonor Teles aborda a tradição portuguesa de colocar sapos de louça na entrada dos estabelecimentos comerciais com o fim último de manter os ciganos arredados. Esta proposição importa apenas como argumento através da qual se anseia conceber espaços de convivência entre ambas as culturas.

Nesta obra está latente “a luta contra a xenofobia e a batalha pela sã convivência entre culturas diferentes que se conhecem e nem sempre se ligam”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, à margem da entrega desta grande nomeação.