Informações


Arquidiocese

Nova Ágora 2021

5, 12 e 19 de Março

[+info]

Desejo subscrever a newsletter de Departamento Arquidiocesano para as Missões
Frei José Dias de Lima OFM | Braga| 10 Dez 2020
Leitura Missionária da Carta Encíclica Fratelli Tutti do Papa Francisco – 1.ª parte
Frei José Dias de Lima OFM, membro do CMAB e ANIMAG
PARTILHAR IMPRIMIR
  © DACS

Será possível fazer uma leitura Missionária da Carta Encíclica «Fratelli Tutti» do Papa Francisco? Vejamos!

O episódio da visita de S. Francisco ao Sultão Malik-al-Kamil, num sinal de superação das distâncias de proveniência, nacionalidade, cor ou religião, tornou-se marcante e histórico, uma vez que, neste encontro, estava a grandeza do amor, que queria viver num desejo de abraçar a todos, mas sem negar a sua identidade cristã, mesmo entre sarracenos e infiéis. Que é isto senão missão? O Papa Francisco manifesta-se impressionado, ao afirmar como é que, há oitocentos anos, S. Francisco de Assis, espalhava o amor fraterno, mesmo com quem não partilhava a sua fé. E, digo eu, quem não fica impressionado com o papa, perante este gesto altamente profético, que se tornou uma referência a seguir, e reconhecido através dos tempos como exemplo de missão para a paz e para o amor? Isto, realmente, foi missão e é missão pois foi um ir ao encontro de todos, sem excluir ninguém e sem negar a identidade cristã.

Ao jeito de S. Francisco de Assis, segundo o Papa Francisco, o missionário, ou seja, o cristão, porque todo o cristão é missão, deve combater a cultura dos muros no coração, combater a cultura dos muros na terra e, consequentemente, deve combater a cultura do confronto, e implantar a cultura do encontro. Claro que o Papa, nesta Encíclica, se dirige a todos os homens de boa vontade e não apenas aos cristãos católicos, mas nós, os cristãos católicos, pelo imperativo do mandato missionário de Jesus, mais do que ninguém, devemos enveredar por esta diretriz missionária e tão franciscana.

Ora, segundo o Papa Francisco, no meio desta tragédia global, que é a pandemia do COVID-19, neste espírito de construir pontes e não muros ou barreiras, a comunidade mundial deve tomar consciência de que viajamos todos no mesmo barco e o mal de um só, prejudica a todos, porque ninguém se salva sozinho, e que, por isso a pertença como irmãos, pertença comum à qual ninguém se pode subtrair, é uma bênção. Só nesta consciência missionária, que nos deve fazer lutar por um mundo mais justo e mais fraterno, se poderá combater o princípio do «salve-se quem puder» ou «todos contra todos». Segundo o Papa, este «cada um por si», seria pior que uma pandemia.

Mas há uma afirmação do Papa Francisco, que denuncia esta dimensão missionária da Encíclica «Fratelli Tutti», é quando ele afirma categoricamente: «as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo». Ou seja, o Santo Padre está a dizer a cada cristão, isto é, a cada discípulo de Cristo, que deve solidarizar-se com os mais fracos e mais frágeis. Para melhor entendermos este imperativo missionário de não ficar parado, mas de nos pormos a mexer ao encontro do próximo, que mais do que um simples «outro», é vizinho, e mais do que vizinho é irmão, o Papa faz uma explanação da missão que privilegia o encontro e as pontes, apresentando a Parábola do Bom Samaritano, como modelo desse gesto de ser missão através da dimensão do amor e da fraternidade ou, se quisermos, da "fraternura" isto é, da ternura fraterna.

Artigo publicado no Suplemento Igreja Viva de 10 de dezembro de 2020.

PARTILHAR IMPRIMIR
Documentos para Download
Departamento Arquidiocesano para as Missões
Contactos
Morada

Rua de São Domingos, 94b
4710-435 Braga

Coordenador

Sara Poças

Quer dar uma ideia à Arquidiocese de Braga com o objectivo de melhorar a sua comunidade?

Clique Aqui

Quer dar uma sugestão, reportar um erro ou contribuir para a melhoria deste site?

Clique Aqui