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Pe. Jorge Vilaça | Braga| 18 Fev 2021
Gritarão as pedras?
Pe. Jorge Vilaça, Centro Missionário Arquidiocesano de Braga
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  © Filipa Correia/DACS | Braga

1. Como foi noticiado no passado dia 11, o Papa transferiu D. Luiz Fernando Lisboa da Diocese de Pemba (Moçambique) para a Diocese de Cachoeiro de Itapemirim (Brasil). Os comunicados oficiais foram reservados em palavras. A imprensa portuguesa, até desportiva, sublinhou a importância da voz firme e incómoda de D. Luiz em representação do povo martirizado. Registo, contudo, as palavras luminosas do Bispo Anglicano moçambicano, D. Dinis Sengulane neste momento delicado: “se ele não falasse acerca da situação dos direitos humanos, acerca do bem-estar do povo de Cabo Delgado [Diocese de Pemba], estaria a falhar no seu ministério. O que ele fez é o que se espera de um Bispo, de um líder religioso, muito mais de um líder cristão. É extremamente lamentável que haja pessoas que viram nas intervenções de D. Luiz como sendo não apropriadas. São pessoas que não entendem qual o papel de um Bispo. Apraz-nos saber que a maioria, até no nível mais alto, demonstraram que ele não estava sozinho, que apreciavam o que ele estava fazendo.” Recordo o lema da ordenação presbiteral e episcopal de D. Luiz: “Enviou-me para evangelizar os pobres”.

2. Desde setembro de 2013 que D. Luiz visitou em diversas circunstâncias a Diocese de Braga, bem como D. Jorge Ortiga a Diocese de Pemba. Os cristãos de Braga estão também em Pemba, oficialmente, desde 2016, cuidando pastoralmente da Paróquia de Santa Cecília de Ocua. Se fomos acolhidos lá é porque nos acreditamos irmãos. Se os acolhemos cá é porque nos acreditamos irmãos. Se na Paróquia de Ocua celebramos a Vida com as 96 comunidades cristãs, dispersas por cerca de 100km, é porque somos irmãos. Se nos desentendemos e nos perdoamos é porque somos irmãos. Se investimos na formação de catequistas e de meninas que querem estudar é porque somos irmãos. Se choramos ou rimos até às lágrimas é porque somos irmãos. Se encontramos parceiros para o aleitamento de crianças desnutridas é porque somos irmãos. Se nos arrepiamos com os cânticos e danças moçambicanas é porque somos irmãos. Se contribuímos para o melhoramento do posto de saúde ou da casa da Missão é porque somos irmãos. Se estamos ainda na campanha Juntos por Cabo Delgado é porque somos irmãos. Se trocamos centenas de e-mails ou formamos novos voluntários é porque somos irmãos. E se não fizermos rigorosamente nada, mesmo assim e sobretudo assim, estando, é porque somos irmãos.  

3. “Dá-me a palavra certa / Na hora certa / E do jeito certo / E pra pessoa certa // Palavra é como pedra, preciosa sim / Quem sabe o valor cuida bem do que diz / Palavra é como brasa queima até o fim / Quem sabe o que diz há de ser mais feliz”. (Pe. Zezinho). Este cântico constava do guião do 1º Tambor, um curso de formação no campo social e pastoral que decorreu em Pemba no ano de 2005. Na dianteira estava o, naquele tempo, Pe. Luiz. A ele, ainda sem jeito, confesso a dificuldade da palavra certa. Sim, D. Luiz, maior que a dor só a vontade de servir.

4. Manda calar os teus discípulos!, pediam os fariseus a Jesus. “Digo-vos que, se eles se calarem, gritarão as pedras”.

Artigo publicado no Suplemento Igreja Viva de 18 de fevereiro de 2021.

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