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Guilherme Martins Andeni | Braga| 8 Jul 2021
O Verdadeiro Herói
Guilherme Martins Andeni, seminarista da Diocese de Pemba a estudar no Seminário Conciliar de Braga
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  © Fundação AIS | Pemba, Moçambique

Herói não é apenas aquele que combate e sai vitorioso, mas também aquele que, perante os conflitos e as adversidades, consegue salvaguardar as memórias da Igreja. Num artigo que li há uma semana atrás, pude aperceber-me da coragem de um catequista da paróquia de Palma. No referido artigo, não se enaltece apenas a coragem de quem salva vidas, mas a de quem protege o património da Igreja e a identidade das pessoas que fazem, ou fizeram, parte de uma determinada paróquia. Neste artigo, intitulado “O herói de Palma”, destaca-se a coragem deste catequista que, com a sua simplicidade e humildade, conseguiu salvar as memórias da paróquia. Segundo o autor, “desde esse momento, quando se escutaram os primeiros tiros, as primeiras detonações de bombas, este discreto catequista e animador paroquial assumiu como objetivo principal salvar os ´livros de assento` onde se encontram os registos de casamentos e de batizados que foram realizados na paróquia, ou seja, assumiu como missão salvar os documentos que constituem a memória da comunidade católica de Palma”.

A fé deste homem não se manifestou apenas naquele momento. Durante os momentos de aflição, na tentativa de encontrar um lugar seguro, algo de emocionante acontece: citando o autor, “quando chega a Senga, o catequista encontra uma pequena comunidade cristã. No meio daquele ambiente de guerra, com as pessoas sem saber muito bem o que fazer, para onde fugir, alguns cristãos, ao descobrirem ali um responsável da Igreja, um animador paroquial, fazem-lhe um pedido irrecusável. ´Eles disseram-me: Nós queremos rezar. Então fui à Igreja e rezámos`. Na ausência de um sacerdote, é comum haver por ali, em Cabo Delgado, a celebração da palavra”. Mas, quando regressa à paróquia de Palma depara-se com um cenário muito triste: “Regressei à paróquia para ver como aquilo estava...”. E o autor do artigo acrescenta: “O que encontrou deixou-o emocionado. E profundamente triste. A porta estava partida. Os terroristas tinham queimado imensas coisas, as imagens, alguns bancos, as colunas de som e até janelas. Umas janelas que aguardavam a um canto o momento em que iriam substituir as do edifício da igreja, já muito estragadas… Tudo destruído”.

Mais do que um herói, este homem revelou-se um grande mensageiro de Deus. O facto de arriscar a sua vida para salvar os bens dos fiéis demonstra bem a forma como vive o amor profundo à Igreja de Palma. Acredito que, neste contexto de guerra e instabilidade que se vive em Palma, poucos teriam a coragem que teve este homem. Penso que foi o Espírito de Deus que o conduziu ao lugar onde se encontravam os livros de assento.

Para terminar, não é demais lembrar que é no distrito de Palma que se encontra uma das maiores riquezas de Moçambique, o gás natural. Há alguns anos atrás, ninguém se acreditaria que viria a tornar-se num deserto, numa terra abandonada, no palco de grandes conflitos e atentados aos direitos humanos. Presentemente, a ocupação dos terroristas estendeu-se à zona norte de Cabo Delgado, obrigando o povo a deslocar-se, abandonando as suas casas. E tudo isto porque, diariamente, os terroristas mortificam e infligem sofrimento e dor a este povo inocente.

Artigo publicado no Suplemento Igreja Viva de 08 de julho de 2021.

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