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Pe. Jorge Vilaça | Braga| 22 Jul 2021
A gralha
Pe. Jorge Vilaça, sacerdote
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  © DR | Braga

1. Numa determinada igreja da nossa diocese, numa bela decoração com finalidade catequética, foram fixadas as 14 obras de misericórdia, 7 corporais e 7 espirituais. Na penúltima (espiritual) escreveram: sofrer com paciência as franquezas (teoricamente seria fraquezas) do nosso próximo. Naturalmente foi nessa linha que se fixou o meu olhar. Vi-lhe não somente o erro tipográfico mas procurei o alcance do complemento. E veio-me à memória um texto do mestre Bernard Häring. Permitam-me revisita-lo longamente.

2. Depois de considerar Jesus Cristo a personificação insuperável da franqueza amorosa, escreve Häring: “Devemos considerar-nos, sobretudo, homens à procura da verdade. E isto só é possível se o fizermos em solidariedade com todos os que, do mesmo modo, procuram a verdade” (...) A virtude da franqueza não nos permite perguntar se a nossa vivência e a nossa prática da verdade salvífica nos beneficia ou nos prejudica. O critério decisivo é saber se ela serve para a salvação de todos (...) a coragem de dizer sinceramente aquilo que, de acordo com a sua melhor ciência e conhecimento, convém mais ao reino da verdade, da paz e da justiça”. Referindo-se a Gandhi e à sua satyagrahi (aquele que se entregou à verdade salvífica e se deixou conquistar por ela) escreve Häring: “O verdadeiro satyagrahi não se separa jamais daqueles que procuram a verdade, mantendo sempre os ouvidos em alerta e os olhos bem atentos ao contributo que os outros, mesmo os ‘adversários’, podem aportar à verdade. Toda a possível hostilidade desaparecerá, logo que o suposto adversário se dê conta de que também o seu grãozinho de verdade é tido em conta, é apreciado e utilizado na procura do melhor e do mais certo. A ponte que nos põe em comunicação com o adversário é, segundo Gandhi, o ahimsa, isto é, a nossa identificação amorosa com o nosso interlocutor, mesmo quando ele nos contradiz ou é para nós agressivo. O satyagrahi ajuda o seu interlocutor, mesmo quando adversário, a ser mais genuinamente franco graças a essa perceptível solidariedade na procura e na prática da verdade. A franqueza dos satyagrahi não humilha nem avilta o interlocutor. A clara antecipação de confiança sentida por este infunde-lhe coragem para procurar, dizer e praticar mais livremente a verdade (...) Aquele que é verdadeiramente franco não é um obstinado fanático da verdade. Ele ama a Deus, fonte de toda a verdade, e está perfeitamente consciente de que tanto a virtude da solidariedade com os companheiros de viagem, como o dizer e praticar a verdade, são absolutamente necessários. Por isso, ama e respeita profundamente cada um dos seus interlocutores e companheiros de viagem, mesmo quando, às vezes, estes dão a impressão de se portarem como inimigos. Ele age assim por estar convencido de que a verdade, que vem do amor e só o amor quer servir, ao fim e ao cabo, vencerá”.

3. “O erro tipográfico é algo maligno: / Procura-se e persegue-se mas sempre se escapa. // Enquanto a forma está na máquina esquiva-se, / Esconde-se nos cantos, parece que sustém a respiração. // Ao início nem sequer o microscópio consegue avistá-lo; / Depois transforma-se num elefante. // O pobre tipógrafo aterroriza-se e treme / E o culpável corretor baixa a cabeça e lamenta-se, // Ainda que toda aquela obra seja perfeita, / Olha-se com amargura somente aquele defeito” (“A gralha”, autor desconhecido, em tradução livre do italiano).

4. O título destas linhas queria ser: porque se divulgam ostensivamente os números da nossa solidariedade para com os mais pobres? A minha fraqueza: estou ainda parado na “gralha”. A minha franqueza: será pela transparência.

Artigo publicado no Suplemento Igreja Viva de 22 de julho de 2021.

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