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Pe. Jorge Vilaça | Braga| 19 Jul 2018
Meu querido mês de Agosto
Pe. Jorge Vilaça, CMAB
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1. Chega o mês de Agosto, mas só é Verão numa parte do mundo. Noutra parte, é tempo de trabalho e de chuvas. Ainda assim, para nós, este mês faz aparecer os emigrantes espalhados pelo mundo. Chegam atraídos pelo calor do verão, pelo sabor da comida, pela frescura do Atlântico, pelas fontes da interioridade, pelo conforto das raízes e pelas festas da aldeia. A que lhes sabe essa saudade durante os outros meses? Porque regressam às ruas que os viram nascer? Partiram na esperança de construir um sonho a cores. Muitos conquistaram, com suor e lágrimas, uma nova língua, uma nova casa, um novo trabalho, uma nova família e amigos, e, algumas vezes, uma nova forma de religião. Refizeram a vida e refizeram-se. Uns regressam “à francês” mas carregadinhos de português. Outros, filhos daqueles, chegam como quem espreita por um buraco da fechadura à procura dos segredos de que ouviram falar vezes sem conta. Chega também a geração que gagueja quando se lhes pergunta de onde são. Chega, agora, por fim, a família dos “doutores e engenheiros”, rastreando o que sobrou da última tempestade epocal que lhes arrasou uns sonhos e lhes proporcionou outros horizontes.

2. Pensando nos emigrantes, recordo a arte de “fazer” uma mala para partir por muito tempo. Abre-se a mala e logo nos damos conta que tudo o que temos é tanto! Tão demais para uma partida! Vamos colocando em pequenos “montes” o que quereríamos que fosse; o que deveríamos levar; o que é suposto levar; o que suportamos carregar; o que é possível que vá… E amontoamos pedaços (restos) de vida. Quando terminamos essa delicada renda de bilros, (in)satisfeitos, aparentemente tudo está pronto. E vamos! Com a sensação de que esquecemos algo. Com rodeios mas sem demoras, fazemos aquela saudação dolorosa aos mais próximos porque há uma pressa conveniente no embarque. E o tempo das viagens ganha um irreconhecível silêncio. Chega-se a todos os destinos com demasiado peso; aliás, arriscando pagar excesso de bagagem. Disse-nos o Homem Total que tão pouca coisa é necessária, que os lírios do campo não semeiam nem ceifam e nada lhes falta! Mas falta aos que partem por muito tempo. A quem parte faz falta exactamente a alma que deixou. E trocaríamos, num ímpeto, a mala pela alma. Fazer a alma e a mala é bom para nascer de novo!

3. Um estudo publicado por um jornal americano revela que um quarto das pessoas com mais de 55 anos, que cresceram com pouco acesso à televisão a cores, sonham (quando dormem) a preto-e-branco. Pessoas que sonham sempre monocromaticamente porque o mundo que televisionaram não tinha cores. Estudos que valem o que valem, obviamente, mas que toleram outras perguntas. Sonham a cores as pessoas que nunca tiveram necessidade e/ou oportunidade de sair da sua terra? É a cores que sonhamos uma Igreja em saída? Com que cores sonham os que mudam de trabalho, de paróquia, de país? Com que cores sonham os 68,5 milhões de refugiados ou deslocados por causa de conflitos ou perseguições em todo o mundo? Quem nunca teve direito a férias, sonha a cores? Agosto é bom para nascer de novo.

Artigo publicado no Suplemento Igreja Viva de 19 de julho de 2018.

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