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Carlos Nuno Salgado Vaz | 8 Mai 2016
A alegria do amor – 3
De nada serve impor normas pela força da autoridade.
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  © goodluz

Um dos maiores desafios da 'Alegria do Amor' é o de aprendermos a apresentar as razões e os motivos pelos quais é bom optar pelo matrimónio e a família «de modo que as pessoas estejam melhor preparadas para responder à graça que Deus lhes oferece» (número 35). E se ficarmos por uma excessiva idealização do matrimónio, mas não despertarmos a confiança na ajuda da graça, o matrimónio não ficará mais desejável e atraente. Muito pelo contrário (36).

Durante muito tempo pensou-se que bastava insistir em questões doutrinais, bioéticas e morais, 'sem motivar a abertura à graça', e assim estaríamos a apoiar bem as famílias e a encher de sentido as suas vidas. «Temos muita dificuldade em apresentar o matrimónio mais como um caminho dinâmico de crescimento e realização do que como um fardo a carregar a vida inteira» (37).

Pastoral positiva e acolhedora

A pastoral em que devemos investir tem de ser positiva e acolhedora, uma pastoral «que torna possível um aprofundamento gradual das exigências do Evangelho». Mais facilmente atacamos o mundo decadente que nos rodeia, do que propomos e indicamos caminhos de felicidade. Temos que imitar mais as atitudes de Jesus, «o qual, ao mesmo tempo que propunha um ideal exigente, não perdia jamais a proximidade compassiva para com as pessoas frágeis, como a samaritana ou a mulher adúltera» (38).

Aos desafios de lutar contra o narcisismo e a tendência a ficar nos estádios primários da vida emocional e sexual não podemos responder apenas com a constatação de que infelizmente existem (41). Como reiteraram os padres sinodais, «uma das maiores pobrezas da cultura atual é a solidão, fruto da ausência de Deus na vida das pessoas e da fragilidade das relações» (43).

Direitos da família

Dado que uma família e uma casa se reclamam mutuamente, devemos insistir nos direitos da família, e não apenas nos direitos individuais (44). O documento papal não escamoteia que «há muitos filhos nascidos fora do matrimónio e que depois crescem com um só dos progenitores e num contexto familiar alargado ou reconstituído» (45).

À enorme dificuldade de enfrentar a doença e o fim da vida, podemos responder com o exemplo de muitas famílias que nos ensinam que é possível enfrentá-los valorizando o sentido de realização e integração de toda a existência no mistério pascal. A eutanásia e o suicídio assistido não são resposta condigna, mas «graves ameaças para as famílias, em todo o mundo» (48).

A Igreja acredita firmemente que o enfraquecimento da família como sociedade natural fundada no matrimónio entre um homem e uma mulher só prejudica a sociedade. «Nenhuma união precária ou fechada à transmissão da vida garante o futuro da sociedade». A preocupação de todos, e, naturalmente, da própria sociedade, deve ser a de «fortalecer os cônjuges, ajudá-los a superar os riscos que os ameaçam, acompanhá-los no seu papel educativo e incentivar a estabilidade da união conjugal» (52).

«A força da família reside essencialmente na sua capacidade de amar e ensinar a amar» (53). Se ninguém põe em questão a importância decisiva da figura da mãe na vida dos filhos, também é de realçar que «a ausência do pai penaliza gravemente a vida familiar, a educação dos filhos e a sua integração na sociedade» (55).

Quanto à ideologia de 'género' que alguns querem impor, «é preciso não esquecer que 'sexo biológico (sex) e função sociocultural do sexo (gender) podem-se distinguir, mas não separar» (56).

Devemos igualmente evitar cair na manipulação do ato generativo como alguns pretendem com as possibilidades abertas pela revolução biotecnológica. «A criação precede-nos e deve ser recebida como um dom. Ao mesmo tempo, somos chamados a guardar a nossa humanidade, e isto significa, antes de tudo, aceitá-la e respeitá-la como ela foi criada» (56).

Criatividade missionária

Este segundo capítulo conclui deixando palavras de esperança face aos enormes desafios que emergem do facto de, hoje, não haver um estereótipo de família ideal, «mas um interpelante mosaico formado por muitas realidades diferentes, cheias de alegrias, dramas e sonhos. As realidades que nos preocupam, são desafios. Não caiamos na armadilha de nos consumirmos em lamentações autodefensivas, em vez de suscitar uma criatividade missionária... as dificuldades são um apelo para libertar em nós as energias da esperança, traduzindo-as em sonhos proféticos, ações transformadoras e imaginação da caridade», como referiram os bispos da Colômbia (57).

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