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24 Dez 2020
Natal: amor acolhido, amor oferecido
Mensagem do Arcebispo Primaz para a noite de Natal.
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Neste ambiente de festas natalícias, escrevo um simples cartão de boas festas. Dirijo-me aos católicos e a todos quantos acreditam na necessidade e na urgência de construir um mundo diferente e melhor.  O Papa Francisco pediu aos cristãos que fossem capazes de, neste ano anormal de pandemia, purificar o Natal. Nele não haverá muita coisa a que nos fomos habituando ao longo dos anos. Com menos gestos exteriores, trabalhemos para que permaneça o essencial, o seu verdadeiro significado.

A sociedade de consumo impõe a quase obrigação de oferecer presentes para, em contrapartida, também os receber. Corre-se, por isso, para encontrar o que possa agradar, sabendo que os outros corresponderão aos nossos gestos. Natal parece um jogo de prendas recebidas e prendas oferecidas.

O significado profundo do Natal reside em Deus que se oferece, tal qual é, a quem o quer receber. Cristo é o rosto de Deus, que sabemos ser amor, e que deseja entrar nos corações disponíveis, de modo a que cada um possa dizer “eu sou um amado por Deus”. No meio de todas as contingências, da pandemia e de tantos outros problemas, o Natal diz-me que Deus está comigo e que me ama como só Ele sabe amar. Não retira do meu caminho as adversidades. Unido a Ele, e acreditando verdadeiramente no Seu amor, tudo pode ser encarado de um modo positivo, experimentando assim a serenidade que só a fé proporciona. 

Se sou e me sinto amado por Deus, terei de acreditar que a minha vida só é compreensível na lógica da dádiva. Vivo para me oferecer através de um amor oferecido àqueles com quem vivo e me encontro. Mais ainda, o amor de Deus-Pai acolhido impele-me a descobrir uma fraternidade universal que me corresponsabiliza na construção de um mundo onde a dignidade não é privilégio de alguns mas certeza de um direito que não exclui ninguém. Um mundo de irmãos não pode ser considerado uma miragem ou um sonho utópico. É um dever que nasce da vida feita dádiva, numa aventura que não escolhe quem amar mas privilegia os mais pobres.

A pandemia veio sublinhar a fragilidade da vida humana. Ninguém é senhor da sua vida. Nenhuma forma de auto-suficiência está consolidada. Estamos nas mãos uns dos outros. A era que o Natal inaugurou identifica-se por uma fraternidade solidária que continua a ser válida para o hoje da Humanidade.

Purifiquemos o Natal. Aceitemos a dádiva de Deus que se oferece com o amor. Acreditamos que vivemos para amar e que, no fim da vida, seremos julgados pelo amor que oferecemos. Cuidando de nós, cuidemos dos outros e da natureza que Deus nos ofereceu. Descobriremos o verdadeiro significado do Natal e recuperaremos a serenidade de que a pandemia parece querer roubar-nos. 

Bom Natal, como experiência de um amor concreto, para todos nas famílias e na sociedade.

  

 † Jorge Ortiga
 Arcebispo Primaz

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