Arquidiocese

Ano Pastoral 2020+2021

"Uma Igreja sinodal e samaritana"

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26 Abr 2021
Pegar no sonho de Deus
Homilia na Vigília Vocacional.
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  © Pastoral Vocacional

– O Evangelho apresenta-nos um momento na vida de S. José. Tinha dúvidas quanto ao que estava a acontecer a Maria.

– Aparece-lhe um anjo em sonho que lhe explica o que acontecerá sem, contudo, elencar todos os contornos da experiência que estava a iniciar. S. José, com toda a sua vida, mergulhou no sonho de Deus, quis compreendê-lo e no silêncio, no seu íntimo, entendeu que Deus queria salvar a Humanidade. Querendo ser protagonista na história da salvação, pegou no sonho de Deus. Tornou-o seu. Entregou-lhe a vida toda sem condicionantes. 

Deus, na sua teimosia pela salvação da Humanidade, tem um projecto. Começou a concretiza-lo em Jesus. Ao longo da história da Igreja muitos mergulharam no seu sonho de amor e pegaram nele.

E hoje?

Perante um mundo, que é maravilhoso, mas com muitas armadilhas e enganos, o cristão tem de recuperar a sua consciência vocacional. Saber que é um chamado para a tarefa de dar a vida ao mundo. Mais ainda do que recuperar a consciência vocacional, o cristão tem de intensificar o sentido de entrega a uma causa que lhe pertence e, de um modo corresponsável, provocar, interpelando, chamando, mostrando como só um cristianismo activo e comprometido oferece a alegria de sentir-se amado para amar.

Num tempo de indiferentismo em relação a Deus, impressiona o comodismo, o deixar correr, o cruzar os braços, a indiferença perante a missão da Igreja. O grande escritor italiano, Dante, afirmava: “Os lugares mais tenebrosos do inferno estão reservados àqueles que mantém a neutralidade em tempos de crise moral.” Não é possível tolerar durante mais tempo esta mentalidade, urge entrar no sonho de Deus e comprometer-se na edificação de uma Igreja fiel ao Evangelho e na construção de uma sociedade mais humana onde a fraternidade torna todos iguais e a solidariedade une os povos na experiência de ser família com todos e para todos.

A semana de oração pelas Vocações tem este intuito. A todos os cristãos quer mostrar a beleza da Consagração para homens e mulheres, na vida sacerdotal, em qualquer Congregação religiosa ou instituto secular. A vocação não pode estar adormecida em ninguém. Os jovens devem colocar-se em questão e escutar a voz do amor de Deus que chama.

Temos diante de nós o grande momento das Jornadas Mundiais da Juventude. Tenho dito que o importante não está no número de quantos irão participar. À semelhança de Maria, cada um, sem olhar para o lado, sem se fixar nas respostas dos outros, terá de levantar-se e abraçar o amigo Jesus e deixar-se reduzir pelo Seu projeto.

Neste ano de S. José tenho-lhe confiado o meu sonho: Ter em cada paróquia um grupo de Jovens, ligado ou não a um movimento, que não se contente com um cristianismo neutral. 

Estes grupos deviam estar possuídos por uma tríplice atenção.

Privilegiar a interioridade, a espiritualidade, a contemplação. A Palavra alimenta, cativa, dá serenidade. Cristo, com frequência, convidava os discípulos para lugares ermos, solitários, longe dos barulhos. Precisamos de um silêncio eloquente, não um mutismo de quem não escuta, e de uma solidão habitada por Deus e pelos problemas da Humanidade.

– Em segundo lugar teremos de privilegiar a sinodalidade, sabendo que sozinhos não somos Igreja. Caminhamos juntos. Nos primeiros tempos, quando os cristãos ainda não eram chamados por este nome, alguns diziam que eram os “discípulos da Via”, no sentido de que Cristo se tinha apresentado como caminho mas também na certeza de que caminham juntos em solidariedade e responsabilidade.

– Com a espiritualidade e a sinodalidade, chegaremos sempre à responsabilidade de gerar Cristo nos outros. O Papa Francisco dizia que em S. José Deus reconheceu um coração de Pai capaz de dar e gerar vida no dia a dia. Quando muitos, e particularmente os jovens, vivem como se Cristo não existisse, o ideal cristão terá de ser o de sair de si, dos grupos, e partir ao encontro, ir aos lugares onde os jovens se encontram e, sobretudo pelo testemunho, mostrar a beleza da vida cristã e a alegria de ser cristão hoje.

Sabemos que, no dinamismo das Jornadas, surgiu a proposta do encontro/reunião no dia 23 de cada mês. Estamos a fazê-lo hoje. Mas quero ser ousado e pedir que todos os grupos de jovens se reúnam no dia 23 de cada mês.

As equipas arciprestais irão organizar-se para que isso aconteça. Estamos na Vigília de oração pelas Vocações e fixamos o nosso olhar em S. José para nos deixarmos conduzir pelos sonhos de Deus, por aquilo que Ele poderá pedir aos jovens. Também eu, no meio de tantos outros sonhos, como já o disse, sonho com um grupo de jovens em cada paróquia, grande ou pequeno não importa.

Fundamental é que nos encontremos em nome de Cristo, experimentando a Sua presença e sentindo que continua a chamar para um trabalho de consagração dentro da Igreja, como sacerdote diocesano ou religioso, religiosa, como membros ativos e responsáveis pelas comunidades paroquiais e, também muito importante, trabalhando por uma sociedade mais justa e igual. Todos temos uma vocação. Deus conta com cada um.

Há meses publiquei uma Carta Pastoral a que dei o nome “Escutar a terra, olhar o céu”. A vida do cristão situa-se na conjugação deste binómio. Não vos dirá alguma coisa este escutar a terra? Não ouvis gritos de insatisfação e desespero? Estais contentes com o mundo que temos, à nossa porta, no país, no mundo? Simultaneamente olhar o céu. Não será que de lá surge uma melodia a mostrar o amor de Deus e a solicitar-nos que coloquemos nos caminhos de uma humanidade ferida como nos sugere a parábola do Bom samaritano? O projecto de Deus para a humanidade não será capaz de nos desinstalar do comodismo que caracteriza o nosso dia a dia?

No Evangelho que ouvimos José ouviu o Anjo do Senhor durante um sonho. O sonho não foi uma ilusão, algo que desapareceu. Entrou dentro dele. Destruiu as suas dúvidas e interrogações. Tornou-se programa. Compreendeu o que Deus lhe pedia.

Deixou-se conduzir pelo sonho e “fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara”.

Aqui, hoje, nesta igreja matriz, na vossa casa para vós que nos seguir pela internet, o Anjo do Senhor pode estar a ordenar algo de diferente. Mas, para além de hoje, sabei que ele continuará a fazê-lo. É de esperar que aconteça nos vossos grupos e nas actividades que ireis realizar com outros jovens. Habituai-vos a escutar a voz do sonho de Deus. Sabei que o essencial na vida cristã é a vocação. Reconhecer que Deus bate à porta, uma vez, muitas vezes. Aceitemos ser protagonistas na edificação de um mundo novo a partir dos nossos grupos e das nossas comunidades paroquiais.

Comigo, peço-vos, sonhemos juntos. Uma Igreja possuída pela caridade, dentro dos seus espaços e nos recantos onde Deus nos coloca. Caros jovens, senti-vos honrados pelo convite que Deus vos faz para que sejamos uma Igreja sinodal. Sabeis o que isto significa? Procurai conhecer e experimentar. Uma igreja que também quer ser Samaritana. Não imagineis que já sabeis o que isto significa. Descodificai, numa linguagem jovem, o verdadeiro significado desta parábola. Que ela faça parte dos vossos programas. Se o sonho vos comanda, sede concretos, sujai as mãos com os problemas da humanidade, não passeis à frente pensando que outros os resolverão.

São José, esposo e companheiro de Maria na tarefa de dar Cristo ao mundo, pai de Jesus a quem ajudou a crescer nos mergulhe nos sonhos de Deus tornando-nos interpretes deles nesta hora maravilhosa que nos é dado viver.

  

 † Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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