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Ano Pastoral 2020+2021

"Uma Igreja sinodal e samaritana"

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18 Jan 2021
Trabalhar pelo testemunho da unidade
Mensagem por ocasião da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos
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O Papa Francisco colocou, como grande objectivo da sua missão, a renovação da Igreja que considerou como algo de inadiável. Situou-se no itinerário dos últimos Papas e quis prosseguir as metas propostas pelo Concílio Vaticano II. Já S. Paulo VI, no discurso da segunda sessão de Concílio, deixava ficar a pergunta “Igreja que dizes de ti?”, como o programa a percorrer no discernimento que os padres conciliares deveriam fazer. Surgiu um conjunto de documentos que apontavam para diferentes perspectivas que era urgente encarar. A Igreja deveria ser comunidade, imagem da Santíssima Trindade, com a missão de colocar o Evangelho no coração da Humanidade. 

Nunca deveria fechar-se, mas deveria olhar para a Humanidade inteira com as suas alegrias e tristeza, estabelecendo pontes com todas as comunidades que professavam a mesma fé em Cristo, que se encontram divididas, e promovendo um empenho inter-religioso de diálogo com todas as outras confissões religiosas. Não deveria viver para si mas prestar tentação a tudo o que é humano, testemunhando um amor solícito pela humanidade inteira sem excluir ninguém. É o que o Papa Francisco hoje apelida de “Igreja em saída”, como encontro com a vida das pessoas, mas também com tudo o que as congrega para fins humanos ou religiosos.

Neste contexto, surge o Decreto sobre o Ecumenismo. Aí se afirma, sem rodeios, que “o restabelecimento da unidade, que se deve promover entre os Cristãos, é um dos principais intentos do Sagrado Concílio Ecuménico Vaticano segundo”. Aí se reconhece, com mágoa mas com toda a verdade, que a Igreja foi fundada por Jesus Cristo como “una e única”, mas que surgiram muitas comunidades cristãs que se apresentam aos homens como a verdadeira herança de Jesus Cristo. Na verdade, todas se afirmam como verdadeiras discípulas, mas propõem doutrinas diferentes em alguns aspectos e seguem por caminhos próprios, dando a ideia de que Cristo está dividido. Esta é a grande realidade que ainda perdura e que o Concílio afirma que “contradiz” claramente a vontade de Cristo que aparece como fundador de todas, que “escandaliza” o mundo que se apercebe desta incoerência e que “prejudica” causa do anúncio do Evangelho. (U.R.1).

Perante este cenário de divisão, surgiu um movimento empenhado em restabelecer a unidade de todos os cristãos, conhecido como movimento ecuménico, onde se trabalha por uma Igreja que seja “una e indivisível”, verdadeiramente universal e enviada a todo o mundo, para que este se converta ao Evangelho e deste modo se salve para glória de Deus. Foi um movimento que teve grande vitalidade nos anos a seguir ao Concílio e que hoje parece não estar presente nas nossas comunidades. Precisamos de lhe reconhecer grande importância, fazendo com que entre no quotidiano da pastoral através de três concretizações. Em primeiro lugar, a unidade dos cristãos deve ser pedida. Cristo dirige a Sua oração ao Pai, pedindo: “Pai, que todos sejam um para que o mundo acredite” (Jo 17,21). Sem oração, a unidade nunca acontecerá. Depois, importa suscitar momentos de encontro e de reflexão para que o diálogo aproxime e destrua as divergências doutrinais que a história provocou. Por último, é necessário agir em comum, unindo vontades que se congregam em diferentes iniciativas capazes de mostrar o único amor de Cristo operativo numa acção conjunta em favor da Humanidade. Rezar, reflectir, agir são o suporte de um movimento que manifesta que a Igreja vai concretizando quotidianamente a renovação para que seja sinal do amor de Cristo pela Humanidade.

Este dinamismo ecuménico deve ser constitutivo da Igreja de modo a que vá permeando toda a sua vida conforme as ocasiões e circunstâncias. Para avivar esta responsabilidade e suscitar compromissos concretos, surgiu, em 1908, o Oitavário pela Unidade dos Cristãos. Aconteceu por obra do norte-americano Paul Wattson, presbítero anglicano que mais tarde se converteu ao catolicismo. Celebra-se de 18 de Janeiro a 25 do mesmo mês, dia da conversão de S. Paulo. Durante esta semana somos convidados a reconhecer a existência das principais divisões entre as igrejas cristãs. 

Na verdade, depois dos Concílios de Éfeso e Calcedónia, no século V, surgiu a primeira divisão, ainda hoje existente na Igreja Copta e outras localizadas no Oriente. Mais tarde, no século XI, surgiu a divisão entre o Oriente e o Ocidente com as diferentes Igrejas Ortodoxas. No século XVI, no Ocidente, apareceu a Reforma protestante que se foi dividindo em diversas Confissões, nomeadamente a Igreja anglicana. Reconhecendo este manto dividido da Igreja de Cristo, não nos atemorizamos, mas reconheçamos a importância de trabalhar por esta causa. Sabemos que o Concílio trouxe esta preocupação acompanhada, depois, por todos os Papas, nomeadamente por S. João Paulo II que escreveu uma encíclica sobre este assunto (Ut unum sint – Que todos sejam um). Aí afirma categoricamente: “O próprio Jesus, na hora da sua Paixão, pediu “que todos sejam um” (Jo 17,21). Esta unidade, que o Senhor deu à sua Igreja e na qual Ele quer abraçar a todos, não é um elemento acessório, mas situa-se no centro de sua obra. Nem se reduz a um atributo secundário da comunidade dos seus discípulos. Pelo contrário, pertence à própria essência desta comunidade.

Também este ano somos convidados a celebrar e viver esse Oitavário. Há um esquema de oração para todos os dias mas também temos uma proposta para um momento de oração. Não será fácil, com o confinamento, promover um encontro de oração aberto à presença de irmãos de confissões religiosas diferentes. Mas a oração não pode ser esquecida. O desejo de realizar a unidade parte da única palavra que todos acolhem e respeitam. Todos os cristãos aceitam o único Cristo e a Sua única palavra. É esta que nos sugere caminhos a seguir. Para este ano é proposta uma passagem do Evangelista João. “Permanecei em mim como eu permaneço em vós” (Jo 15,1-17). Se todos permanecemos em Cristo, a unidade acontecerá.

Saibamos aproveitar esta semana para permitir que este dinamismo entre nas nossas comunidades. Queremos ser Igreja em “saída”. Fazemo-lo indo ao encontro dos outros, preferencialmente dos pobres. O mundo das confissões religiosas também é um espaço a descobrir para fazer experiências de comum fraternidade. Não somos inimigos, nem adversários. Temos uma riqueza particular que, colocada em comum, torna a mensagem de Cristo mais credível. Trabalhemos pela unidade.

 

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

 
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