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5 Mar 2021
Salvemos a casa de todos
Discurso de D. Jorge Ortiga na primeira sessão da Nova Ágora 2021.
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A Arquidiocese de Braga dá hoje início a uma nova edição da Nova Ágora. Esta é a sexta edição. Ao iniciar, é conveniente recordar os objectivos que nos acompanharam desde a primeira edição. Para tal, creio ser oportuno afirmar que nos inspiramos na cultura helénica. Atenas é ainda uma referência por tudo aquilo que conseguiu conversar. Sabemos que no alto da cidade (Acrópole) existia um espaço destinado ao culto das divindades. Ao lado, situava-se o Areópago, um espaço murado onde se reuniam os aristocratas escolhidos de entre as melhores famílias para, constituindo um conselho de anciãos, assumirem o papel de uma espécie de Supremo Tribunal, julgando e decidindo sobre a vida da cidade.

Na parte inferior, próximo de espaços comerciais, qual verdadeiro centro de negócios onde tudo circulava, surgiu a Ágora. Tinha a forma de um quadrado, marcado a pedra, ao invés de um muro tradicional a delimitar. Era um espaço totalmente livre por onde circulava a vida social. Substituíam os palácios dos reis, verdadeiras fortalezas, em contraponto ao que estes decidiam, com poder autoritário e centralizador, para dar vida a um espaço de cidadania. Tinham aí lugar discussões públicas, assistidas por muitas pessoas, sobretudo em assuntos relativos à cidade. Todos tinham direito a voz e voto sempre que solicitado. Era a comunidade que determinava a agenda, abordando assuntos ligados à justiça, leis, cultura, obras, etc.

A Arquidiocese viu na Ágora uma fonte inspiradora para esta iniciativa cultural. Não nos interessam os discursos pelos discursos. Nunca pensamos em questões platónicas sem incidência na vida real. Não tínhamos conferencistas pre-seleccionados. Apenas alguém que ajudasse a levantar problemas reais. Queríamos que fosse uma praça aberta onde todos entrassem, sobretudo com a preocupação de ver a cidade, de contribuir para a sua construção, à medida dos homens e não por imposição de alguns. Os conferencistas e moderadores sabem desta nossa intenção e esperamos que suscitem muitas perguntas para serem respondidas na hora ou para provocarem a nossa reflexão posterior. Mais ainda, se alguém quiser continuar a reflexão, escrevendo e enviado os seus raciocínios, são sempre bem-vindos. Saberemos dar-lhe o uso mais conveniente.

No dia da apresentação desta nova edição, disse que augurava que cada encontro deixasse inquietações, para a vida das pessoas e, também, para a Arquidiocese de Braga nas suas instituições. Não queremos discussões inócuas e muito menos recados enviados seja a quem for. A cidade somos todos nós e a cada um é solicitada uma responsabilidade insubstituível.

Iniciamos hoje com um tema desafiante. “A agonia do planeta: Exigência de uma conversão ecológica”. Não me detenho em considerações. Seja-me permitida uma simples palavra para recordar aquilo que é do domínio público. Importa avivar para responsabilizar.

Sabemos que a palavra “ecologia” é de uso recente. Apareceu em 1866 por iniciativa de Ernest Haeckel e vem do grego. Com um prefixo, eco, que procede de oikos, o mesmo que deu origem a economia e que tem um significado de lar, casa, acrescentando-lhe o sufixo logos pela referência a raciocínio, pensamento, ciência propriamente dita. Por isso, quer dizer a ciência da casa (já agora, economia é o governo da casa).

O Papa Francisco, em 2015, publicou a sua segunda encíclica, a que deu o nome Laudato Si’. Uma encíclica é uma carta do Papa dirigida a todos os cristãos, e normalmente acrescentam a todos os homens de boa vontade. No caso concreto, deu-lhe por subtítulo “Sobre a cuidado da casa comum”. Aconselho a leitura, na certeza de que encontrarão novos horizontes sobre esta realidade. Faz-nos um convite a que seja prestado um cuidado renovada à maravilhosa Terra, criada para o bem de todos e não de interesses particulares. Um cuidado exigente mas acessível, a ser interpretado por cada um. Por isso se chama casa comum. Os que nela habitam têm o dever de a considerar sua, com tudo o que isto implica.

A sociedade tem caminhado em paralelo a esta responsabilidade. São imensos os crimes e atentados. Hoje parece estar a acordar. O Parlamento Europeu elaborou o Pacto Ecológico Europeu. Um pacote de variadas iniciativas para conter a ameaça do aquecimento global. É o chamado Green Deal - desafio verde. Portugal, no seu Plano de Recuperação e Resiliência, considera a transição climática como um pilar estruturante. Veremos o que isto quererá dizer. Esperemos que sejam orientações plenas de esperança, que não cheguem demasiado tarde e que sejam assumidas com medidas muito concretas e não adiadas para um futuro sem horizonte. A causa da Terra é prioritária. Seremos capazes de passar dos bons propósitos a compromissos concretos?

Da parte da Igreja, o Papa fala de uma ecologia integral a redescobrir e a interpretar. Sugere uma conversão pessoal para chegar a hábitos concretos na vida de cada um, através de uma ecologia da vida quotidiana. Que esta sessão deixe ficar muitas inquietações, a serem cumpridas tanto por cada um de nós como pelas autoridades, de quem dependem opções corajosas para acelerarmos a conversão ecológica.

Resta-me a agradecer a todos os conferencistas, à moderadora, e esperar que acolhamos este grito da Terra. Obrigado também a todos quantos nos seguirão. Não esqueçam que na próxima Sexta-feira nos voltaremos a encontrar para conversar sobre “Medicina e saúde à luz da pandemia”. Bom encontro. Mostremos o nosso compromisso com a Casa Comum.

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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Palavras-Chave:
D. Jorge Ortiga  •  ambiente  •  Casa Comum  •  ecologia  •  Nova Ágora
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