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Ano Pastoral 2021+2022

"Onde há amor, nascem gestos"

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10 Abr 2022
Glória da Cruz
Homilia Domingo de Ramos na Paixão do Senhor
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1. Organizar a esperança

Iniciamos a Semana maior ou Semana Santa, na qual se celebra o coração do Ano Litúrgico. Aqui em Braga a tradição é feita de tradições muito antigas, mas não antiquadas, que expressam publicamente a fé da Igreja.

Viemos em procissão com os ramos benzidos e antes de entrarmos na Catedral, numa particularidade litúrgica da nossa Igreja bracarense, bati com a própria Cruz primacial na porta, que se abriu como símbolo de Jesus Cristo, a Porta das portas da vida eterna. Ao mesmo tempo, lançamos as folhas de oliveira à cruz, sinal da paz e da reconciliação. A cruz abre a porta da vida plena. A Páscoa e a cruz interligam-se.

Esta assembleia litúrgica é introdução da Páscoa do Senhor, para a qual nos preparamos com a penitência, a oração, a lectio divina, o lausperene da adoração eucarística, a via-sacra, a esmola, a renúncia, a partilha, o jejum, a abstinência, sinais da caridade, que a única digna de fé e de esperança.

A nossa igreja catedral é sinal eloquente da Páscoa, como etapa anual e semanal para a Páscoa eterna, a da Liturgia celeste. Jesus entra em Jerusalém para realizar o mistério da sua morte e ressurreição.

Com efeito, «Não nos devemos limitar a esperar. Devemos organizar a esperança» (D. Tonino Bello). Por isso, «Não descansemos nas sacristias, não formemos grupos elitistas que se isolam e se fecham. A esperança está sempre em caminho e passa também através de comunidades cristãs filhas da ressurreição que saem, que anunciam, partilham, suportam e lutam para construir o Reino de Deus» (Papa Francisco).

2. A fé que espera e ama

A oração coleta introduz-me de modo eloquente no espírito desta semana e deste Domingo em especial: «Deus eterno e omnipotente, que, para dar aos homens o exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e padecesse o suplício da cruz, fazei que sigamos os ensinamentos da sua paixão, para merecermos tomar parte na glória da sua ressurreição».

A fé cuida o sentido da vida e da humildade na verdade da nossa relação com Deus, como acontece desde a iniciação cristã. Com efeito, quando se admite um catecúmeno à iniciação cristã ocorre o seguinte diálogo:

P. Que vens pedir à Igreja de Deus?
R. A fé.
P. Para que te serve a fé?
R. Para alcançar a vida eterna.

Por isso, os ensinamentos da paixão confirmam-nos na vida eterna, mesmo nos momentos de solidão, garantindo-nos a presença salvadora de Deus, como escreveu São Martinho de Dume e de Braga: «acelera aquilo que é lento, resolve os embaraços, suaviza as coisas duras, facilita as dificuldades».

3. Deus morre por amor

A paixão segundo o evangelho de Lucas sublinha o tema da misericórdia de Jesus, que concede o perdão mesmo nos instantes derradeiros da sua vida. A narração da paixão e morte na cruz provoca-nos algumas observações acerca da mesma: 

a) Em Cristo sofredor aparece o modelo do mártir cristão;

b) A paixão está escrita segundo o plano salvífico de Deus das profecias, como escutámos na primeira leitura do livro de Isaías. Ela é o cumprimento de uma lógica que guia a história da salvação. E aqui aparece o escândalo para a fé, mas ao mesmo tempo a novidade e a originalidade do amor de Deus;

c) A paixão é a hora das trevas. A paixão é o tempo da provação e das tentações, o tempo em que as forças do mal parecem anular a força do amor de Deus. Jesus parece só e abandonado na cruz. Mas na hora da tentação, temos a oração, a consolação de Deus e a certeza da ressurreição e a alegria da fé na vida eterna.

d) O tema central não é o sofrimento de Jesus, mas a sua confiança orante.

e) A grandeza moral de Jesus é notável: a sua inocência, reconhecida diante de Pilatos, pelo bom ladrão, pelo centurião; o perdão; o amor.

f) Jesus é rei na cruz.

g) Deus morre por amor.

Neste tempo tão duro de guerra na Ucrânia e em muitos lugares do mundo, continuamos a pedir ao Senhor, a coragem da Paz: «no meio da humanidade dilacerada por divisões e discórdias, reconhecemos os sinais da vossa misericórdia, quando dobrais a dureza dos homens e os preparais para a reconciliação. Com a força do Espírito Santo moveis os corações, para que os inimigos procurem entender-se, os adversários se dêem as mãos e os povos se encontrem na paz e na concórdia. Pelo poder da vossa graça, o desejo da paz põe fim à guerra, o amor vence o ódio e a vingança dá lugar ao perdão» (Oração eucarística da Reconciliação II).

 

† José Cordeiro, Arcebispo Primaz

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