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16 Abr 2022
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Homilia na Vigília Pascal
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  © DM

1. Lembraram-se das palavras de Jesus 

A leitura abundante das páginas do Antigo Testamento mostra que o mistério da Páscoa de Cristo é o pleno cumprimento da vontade de salvação do nosso Deus, desde a criação à libertação do Egipto até à manhã do oitavo dia, o novo e eterno Testamento.

No evangelho de Lucas escutamos o solene anúncio: «Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo? Não está aqui: ressuscitou. Lembrai-vos como Ele vos falou, quando ainda estava na Galileia: “O Filho do homem tem de ser entregue às mãos dos pecadores, tem de ser crucificado e ressuscitar ao terceiro dia”. Elas lembraram-se então das palavras de Jesus».

Nós recordamos, ou melhor, tornamos presente ao coração, as palavras de Jesus Cristo para acolher inteiramente a Sua graça e a Sua misericórdia, como rezamos numa oração desta noite santa: «Senhor nosso Deus, que nos instruís com as páginas do Antigo e do Novo Testamento para celebrarmos o mistério pascal, abri os nossos corações para compreendermos a vossa misericórdia». 

2. A noite mais santa e luminosa

Grande é o júbilo nesta noite «porque a luz de Cristo, o Rei eterno, dissipa as trevas de todo o mundo». O Precónio pascal acrescenta ainda estas belas palavras sobre a beleza desta noite de luz: «oh noite ditosa, em que o céu se une à terra, em que o homem se encontra com Deus!». 

O círio pascal que acendemos no fogo novo é lumen Christi e assinala a vida que «se consome em luz e ardor» (R. Guardini).

Na particularidade litúrgica de Braga, temos hoje a seguir ao Batismo e Confirmação de dois adultos, o rito accendite no candelabro pascal com seguinte admonição: «Por três vezes vai-se acender e apagar o Círio Pascal. Este rito faz-nos sentir e viver o realismo da nossa adesão a Jesus ressuscitado; nem sempre é fácil ter bem acesa em nós a fé». Este rito salienta as luzes e as sombras do nosso peregrinar na alegria da fé.

A iniciação cristã que irradia desta noite lança os alicerces de toda a vida cristã. O termo “iniciação cristã” designa, com efeito, as etapas necessárias através das quais deve passar quem quer entrar na Igreja para nela prestar culto a Deus em Espírito e verdade (cf. Jo 4,23-24). 

Os sacramentos estão tão ligados entre si, salientando-se o rito íntegro da Iniciação Cristã que produz os seus efeitos espirituais na alma: Tertuliano, um autor cristão, que viveu entre o século II e o século III da Igreja, escreveu de modo feliz esta peregrinação da santidade: «Assim a carne é lavada, para que a alma seja purificada; a carne é ungida, para que a alma seja consagrada; a carne é marcada com o sinal da cruz, para que a alma seja fortalecida; a carne é coberta com a sombra da imposição das mãos, para que a alma seja iluminada pelo Espírito; a carne é alimentada com o Corpo e o Sangue de Cristo, para que a própria alma seja saciada de Deus. Não podem, por conseguinte, ser separadas na recompensa aquelas que estiveram unidas na ação». O sacramento é o sinal que causa aquilo que significa. Na verdade, os sinais sensíveis do azeite da unção e da água são capazes de conferir um efeito sobrenatural. A ideia principal subjacente à compreensão sacramental é a de que Deus se comunica e se torna presente, agindo espiritualmente sobre os homens, mediante os elementos materiais. 

3. Da Semana Santa ao Dia eterno

A celebração do inteiro mistério pascal de Cristo, na sua totalidade, constitui o momento privilegiado do culto cristão, não só no seu desenvolvimento anual, mas quotidiano e semanal. O mistério pascal de Cristo é o princípio basilar de toda a reforma litúrgica.

Que significa para um cristão celebrar a Páscoa? Significa passar da Semana Santa ao Dia (Hoje) eterno. Significa viver a vida em Cristo para além das celebrações litúrgicas, das devoções, das procissões, do folar, das amêndoas;

Significa reconhecer Cristo fora da Catedral e das igrejas e capelas, reconhecendo e amando-O nos irmãos e irmãs que sofrem, que são perseguidos, que têm de fugir à guerra e à fome, que estão doentes, que estão presos, que vivem sós, que são idosos, que são migrantes, que são marginalizados, que passam necessidades corporais e espirituais; Significa respeitar os outros na verdade e na caridade; Significa estar no mundo sem ser mundano, porque a nossa pátria é a eternidade;

Significa dar o contributo positivo na construção do Bem Comum e na promoção da dignidade inalienável da pessoa humana e na defesa da vida desde a sua conceção até à morte natural; Significa ser pessoa de misericórdia, como o Pai é misericordioso; Significa continuar a peregrinação na santidade com coragem e confiança.

A Liturgia da Igreja convida-nos, portanto, a celebrar, na alegria do coração, o perene Aleluia em Cristo, a nossa Páscoa e a nossa Paz.

 

† José Cordeiro, Arcebispo Primaz

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