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19 Jan 2021
D. Jorge Ortiga: Evangelho não pode ser "retórica e ideias abstractas"
D. Jorge Ortiga escreveu nota pastoral por ocasião da celebração do Domingo da Palavra de Deus.
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O Domingo da Palavra foi instituído pelo Papa Francisco a 30 de Setembro de 2019, memória litúrgica de S. Jerónimo, com a assinatura da Carta Apostólica “Aperuit illis”. O Arcebispo Primaz, D. Jorge Ortiga, escreveu agora uma Nota Pastoral em que pede que seja cumprida a intenção do Papa Francisco, já adiantada pelo Concílio Vaticano II.

"Quero aproveitar esta circunstância para sublinhar alguns aspectos de primordial importância para o trabalho de renovação eclesial que temos vindo a abraçar nos últimos tempos. Muitas propostas e percursos têm sido sugeridos. Sem um encontro mais consistente com a Palavra não percorreremos os caminhos adequados. Urge dar-lhe centralidade, compreendendo o que verdadeiramente significa e como deve ser acolhida", afirma.

O prelado diz que ainda se vive "um certo analfabetismo bíblico" e que a mensagem anunciada pelos cristãos exige mais trabalho para "um conhecimento profundo".  

"Se, na tarefa da renovação, temos dado primazia à dimensão sacramental, é chegada a hora de apostar numa pastoral bíblica. Temos um Departamento para a Dinamização Bíblica da pastoral. A sua finalidade é ir propondo iniciativas para que a Bíblia vá permeando todo o tecido pastoral fazendo com que tudo parta da Palavra e a ela nos conduza. Não podemos ser contra as devoções que caracterizam a nossa religiosidade popular", alerta.

Talvez o grande erro da Igreja tenho consistido no facto de permitir que o Evangelho se tenha tornado retórica e ideias abstractas.

D. Jorge Ortiga

 

D. Jorge Ortiga afirma, no entanto, que a Palavra, só pode ser verdadeiramente compreendida a partir de uma leitura orante feita em comunidade, de forma a proporcionar o diálogo íntimo de todos os que a lêem.

"Pode e deve ser feita pessoalmente através de uma leitura orante. Em ambiente comunitário, a voz de Cristo torna-se mais clara. (...) A presença de Jesus no meio de dois ou mais é uma certeza nem sempre procurada e experimentada. Só em grupo intuiremos profundamente o que Cristo quer dizer a cada um e à comunidade. Ao longo de todo o meu serviço episcopal tenho insistido permanentemente nesta realidade", sublinha.

O Arcebispo Primaz dá o exemplo dos Grupos Semeadores de Esperança, uma iniciativa já com alguns anos na Arquidiocese de Braga e que tem juntado várias pessoas em torno da Palavra.

"Rezo permanentemente para que estes grupos ganhem consistência e se multipliquem. Penso não ser utopia sonhar com a sua existência em famílias concretas que encontram tempo para se reunirem. Talvez a pandemia tenha perturbado o seu normal desenvolvimento. Acredito que saberemos continuar. Para mim, trata-se de um projecto que gostaria que marcasse a minha presença como arcebispo nesta Igreja particular. Seremos uma Igreja evangélica a partir destes pequenos grupos. As paróquias terão vida e o Evangelho chegará ao mundo. O Evangelho frutificará em todos os recantos da diocese, assim como em todos os contextos humanos", afirma.

D. Jorge Ortiga recordou ainda a sua experiência pastoral com os "Grupos Palavra de Vida", dedicados a meditar e viver os textos sagrados.

"O grande intuito era sempre a vida e cada semana era uma proposta muito concreta para o dia-a-dia onde o pôr em prática a Palavra era ocupação permanente. A vida gerada em cada um e experimentada em grupo, através da partilha das experiências que a Palavra tinha gerado, foi o suporte e o alimento de uma comunidade viva e activa. Nunca sublinharemos suficientemente este carácter perfomativo", explica.

O prelado diz mesmo que talvez o grande erro da Igreja tenho consistido no facto de permitir que o Evangelho se tenha tornado "retórica e ideias abstractas". 

"A redescoberta da centralidade da Palavra deverá, ainda, obrigar-nos ao dever do anúncio que se reveste de diversas formas. Não se trata de um tesouro escondido para proveito pessoal. Deve ser anunciado corajosamente através de palavras humanas e servindo-se de todos os meios que a sociedade hodierna nos proporciona. É uma responsabilidade grande para a Igreja aproveitar tudo quanto possa ser meio de anúncio", alerta D. Jorge Ortiga.

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