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18 Out 2021
Papa Francisco alerta para pandemia silenciosa
Pontífice deixou vários alertas e sublinhou a necessidade de um sonho em conjunto para a extinção de alguns males que assolam a humanidade.
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Durante o IV Encontro Mundial dos Movimentos Populares, o Papa Francisco endereçou uma mensagem aos participantes, começando por lhes agradecer "a capacidade e a coragem de criar esperança onde apenas há descarte e exclusão".

"Obrigado porque a vossa entrega é uma voz com autoridade, capaz de desmentir o desprezo e indiferença silenciosos e tantas vezes “educados” a que foram submetidos, ou a que são submetidos tantos irmãos nossos. Mas ao pensar em vocês, creio que, sobretudo, a vossa dedicação é um anúncio de esperança. Vê-los recorda-me que não estamos condenados a repetir nem a construir um futuro baseado na exclusão e na desigualdade, no descarte ou na indiferença; onde a cultura do privilégio seja um poder invisível e incontrolável e a exploração e o abuso sejam um método habitual de sobrevivência. Não! Vocês sabem anunciar isto muito bem. Obrigado", afirmou.

Para além de todas as consequências tangíveis da pandemia de Covid-19, o Pontífice sublinhou também a existência de uma "pandemia silenciosa".

"Trata-se do stress e da ansiedade crónica, associados a diversos fatores como a hiperconetividade, a desorientação e a falta de perspetivas de futuro, que se agravam pela falta de contacto real com os outros (famílias, escolas, centros desportivos, igrejas, paróquias); em última análise, a falta de contacto real com os amigos, porque a amizade é a forma em que o amor ressurge sempre", alertou, explicando que, apesar de a tecnologia ajudar a mitigar as saudades, não pode substituir o encontro presencial.

A crise alimentar, nomeadamente a falta de alimentos, com mais de 20 milhões de pessoas a serem "arrastadas para níveis extremos de insegurança alimentar" só este ano, foi outro dos tópicos abordados por Francisco.

"A indigência grave multiplicou-se. O preço dos alimentos aumentou numa percentagem altíssima. Os números da fome são terríveis e penso, por exemplo, em países como a Síria, o Haiti, o Congo, o Senegal, o Iémen ou o Sudão do Sul. Contudo, a fome faz-se sentir igualmente em muitos outros países do mundo pobre e, não raras vezes, também no mundo rico. É possível que o número anual de mortes por causas ligadas à fome possa exceder as provocadas pela COVID3 . Mas isso não é notícia. Isso não gera empatia", referiu.

O Papa reiterou os agradecimentos aos Movimentos Populares, comparando-os com os profissionais de saúde, já que "colocaram o corpo na trincheira dos bairros marginais". O Pontífice fez ainda um apelo muito claro às grandes indústrias e farmacêuticas, pedindo vacinas e comida para todos, o fim da guerra e do neocolonialismo, acesso à educação para todos, o fim do discurso de ódio, dos populismos, da intolerância e dos sistemas de lucro que acabam por prejudicar tantas pessoas diariamente.

"Aos governos em geral, aos políticos de todos os partidos quero pedir, juntamente com os pobres da terra, que representem os seus povos e trabalhem para o bem comum. Quero pedir-lhes a coragem de olhar para os seus povos, olhar as pessoas nos olhos, e a valentia de saber que o bem de um povo é muito mais do que um consenso entre as partes (cfr. Evangelii gaudium 218); tenham cuidado em não escutar apenas as elites económicas, tantas vezes porta-vozes de ideologias superficiais que iludem os verdadeiros dilemas da humanidade. Sejam servidores dos povos que clamam por terra, casa, trabalho e uma vida boa", pediu.

Apesar de todas as catástrofes enunciadas, o Papa Francisco alertou também para a importância de sonhar em conjunto, sobretudo com o coração.

"Sonhemos juntos, sonhem entre vocês, sonhem com outros. Saibam que são chamados a participar nos grandes processos de mudança, como afirmei na Bolívia, "o futuro da humanidade está, em grande medida, nas vossas mãos, na vossa capacidade de se organizarem e promoverem alternativas criativas". Nas vossas mãos. Mas isso são coisas inatingíveis dirão alguns. Sim. Mas têm a capacidade de nos pôr em movimento, de nos pôr a caminho. E aí reside precisamente toda a vossa força, todo o vosso valor. Porque vocês são capazes de ir mais além das autojustificações míopes e dos convencionalismos humanos que nada conseguem senão continuar a justificar as coisas como estão. Sonhem. Sonhem juntos", apelou.

O Santo Padre voltou a lembrar que "nunca se sai igual de uma crise" e que, para se sair melhor, é necessário enfrentá-la em conjunto e com a capacidade de sonhar, como havia referido anteriormente.

"Ou se sai melhor ou se sai pior, mas tal como era antes não. Nunca ficaremos iguais. E hoje em dia temos que enfrentar juntos, sempre juntos, esta questão: Como vamos sair desta crise? Melhores ou piores? Queremos certamente sair melhores, mas para isso temos que quebrar as cadeias do fácil e a aceitação dócil de que não há outra alternativa, de que este é o único sistema possível, essa resignação que nos anula e de que apenas podemos refugiar-nos no salve-se quem puder. E para isso faz falta sonhar. Preocupa-me que enquanto estamos ainda paralisados, já há projetos em marcha para repor a mesma estrutura socioeconómica que tínhamos antes" porque... é mais fácil", afirmou.

Francisco explicou que, apesar de a doutrina social da Igreja não possuir todas as respostas, contém "alguns princípios que podem ser úteis neste caminho para concretizar as respostas e ajudar tanto os cristãos como os não cristãos".

"(...) Gostava de recuperar brevemente alguns princípios com que contamos para levar a cabo a nossa missão. Vou mencionar dois ou três, nada mais. Um é o princípio da solidariedade. (...) Outro princípio consiste em estimular e promover a participação e a subsidiariedade entre movimentos e entre os povos, de forma a limitar qualquer esquema autoritário, qualquer coletivismo forçado ou qualquer modelo estadocêntrico. O bem comum não pode ser usado como desculpa para esmagar a iniciativa privada, a identidade local ou os projetos comunitários", esclareceu.

O Papa referiu ainda uma série de medidas concretas para que "cada pessoa neste mundo possa aceder aos bens mais elementares da vida", como o Rendimento Básico Universal ou a reduçãod e horário de trabalho, para que mais pessoas possam aceder ao mercado laboral, sobretudo as que compõem as periferias.

"Irmãs e irmãos, estou convencido de que "o mundo se vê mais claramente a partir das periferias". Há que escutar as periferias, abrir-lhe as portas e permitir-lhes participar. Entende-se melhor o sofrimento do mundo junto dos que sofrem. Segundo a minha experiência, quando as pessoas, homens e mulheres sofreram na própria carne a injustiça, a desigualdade, o abuso de poder, as privações, a xenofobia, vejo que compreendem muito melhor o que vivem os outros e são capazes de os ajudar realisticamente a abrir caminhos de esperança", concluiu.

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