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DACS com Agência Ecclesia/Público | 2 Dez 2021
Anunciados os membros da comissão sobre abusos de menores na Igreja
Equipa liderada por Pedro Strecht deverá apresentar um relatório até Dezembro de 2022.
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Foram anunciados esta quinta-feira mais cinco membros da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos de Menores na Igreja. O líder da equipa, Pedro Strecht, garantiu que teve liberdade completa para escolher os restantes elementos.

A Comissão integra, além do seu coordenador, Álvaro Laborinho Lúcio, juiz conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça e antigo Ministro da Justiça; Ana Nunes de Almeida, socióloga e investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e presidente do respectivo Conselho Científico, que coordenou o estudo sobre ‘Maus Tratos a Crianças na Família’, encomendado pelo Parlamento, em 1999; Daniel Sampaio, psiquiatra, professor catedrático jubilado da Faculdade de Medicina de Lisboa; Filipa Tavares, assistente social e terapeuta familiar, que trabalhou cerca de 25 anos na IPSS Casa da Praia/Centro Dr. João dos Santos com famílias disfuncionais e de risco; e Catarina Vasconcelos, cineasta, licenciada na Faculdade de Belas Artes com pós-graduação em Antropologia Visual no ISCTE e mestrado no Royal College of Art, Londres.

Pedro Strecht esclareceu que, “no decurso do tempo, podem vir a ser chamados mais profissionais cuja intervenção venha a ser tida como necessária”.

Na apresentação da Comissão, o coordenador apelou “desde já a todas e todos quanto possam ter sido vítimas destes crimes hediondos para que falem. Que relatem, finalmente e sem medo, o que lhes aconteceu”.

O especialista em trabalho com crianças e menores em risco pediu confiança na “voz interior e na utilidade de a partilhar para que nada de semelhante possa continuar a acontecer”, admitindo que existem “naturais hesitações, completamente aceitáveis diante de situações sobre as quais podem ter passado décadas, tocando agora em assuntos que não desejam voltar a fazer emergir”.

Pedro Strecht observou que é cada vez mais difícil, para cada vítima, com o passar dos anos, “ousar falar”, e que apenas será conhecida “uma pequena parte de tudo o que pode ter acontecido na realidade”, pelo que o que poderá emergir de qualquer estudo ou investigação nunca é tudo, mas sim a parte possível de narrativas de muitos outros que guardam e guardarão para sempre experiências criminosas das quais foram claramente vítimas”, assumiu.

O médico de psiquiatria da infância e adolescência apresentou ainda os princípios orientadores do trabalho a desenvolver a partir do início de Janeiro de 2022, assumindo que está será uma comissão de “estudo” e não de “investigação judicial ou criminal”.

O coordenador apontou a um trabalho “complexo, longo”, procurando sempre “a necessidade de reforço de verdadeiras políticas de proteção e promoção da infância e adolescência”.

A comissão organiza-se de forma “autónoma e independente” da própria Igreja Católica, promovendo a elaboração e apresentação pública de um relatório, “balizando-o durante o ano civil de 2022”, assumindo que o tempo pode ser prolongado.

“Não podemos mudar o passado, mas podemos sempre construir um futuro melhor e livre da repetição deste tipo de situação junto dos vossos filhos, netos ou simplesmente de todas as crianças e adolescentes em que certamente podemos rever partes de nós mesmos”, assinalou Pedro Strecht, que disse contar com o apoio da sociedade civil e da comunicação social.

Em Janeiro deverá ter lugar uma sessão de apresentação da equipa e definição de metodologias e cronograma deste trabalho.

“Quanto ao mais, requer-se recato e sigilo que todos os membros desta Comissão, mas todos mesmo, iremos ter de cumprir”, indicou o coordenador, destacando a importância de assegurar “o total anonimato de todos aqueles que desejem colaborar enquanto vítimas”.

O pedopsiquiatra apelou a uma “atitude construtiva” que leve a uma mudança de cultura e a transformações de fundo, a começar por uma palavra de “desculpa”.

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