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D. Jorge Ferreira da Costa ortiga | 5 Set 2006
Presbitério em Comunhão - V Simpósio do Clero
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Sessão de abertura Na complexidade do mundo hodierno não é difícil encontrar alguns parâmetros que o caracterizam. Se a Igreja é, ou deve ser Sacramento, como sinal de Cristo, de salvação para o mundo, talvez seja oportuno iniciar este Simpósio, elencando algumas coordenadas da vida do povo para quem vivem os Sacerdotes. 1. O mundo hodierno 1.1. Multiculturalismo Conflituoso É já um lugar comum afirmar o multiculturalismo conflituoso. Muitas culturas com riquezas próprias mas incapazes de conviverem na harmonia enriquecedora. 1.2. Colapso das Ideologias Ao lado desta variedade heterogénea sentimos que o valor ideológico perde influência e podemos afirmar a debilidade dum pensamento que justifica o colapso das referidas ideologias. A razão, com os seus fundamentos, perde espaço e vai convencendo cada vez menos. O que parece verdade racional relativiza-se e o império do imediato e experiencial dita as suas leis nos comportamentos quotidianos. Existe uma preguiça para reflectir e acolhem-se as mensagens bem apresentadas e acompanhadas por motivações que não comprometam. 2. Resposta Eclesial Neste cenário acredito que só a harmonização com o diferente, sem destruir o que lhe é específico, conseguirá motivar e atrair. Só um arco-íris de concórdia conseguirá impor-se e mostrar novidade perene. Perante a debilidade do pensamento importa proporcionar testemunhos e experiências que sejam visíveis, não meramente numa perspectiva de testemunho individual – imprescindível mas insuficiente – mas através duma comunhão integradora das diferenças. 2.1. A Vanguarda do Testemunho Sacerdotal Neste desafio proposto à Igreja, os sacerdotes devem situar-se na vanguarda, nunca pretendendo ou esperando uma Igreja clerical mas como referência imprescindível. A Igreja não são os sacerdotes, mas é através destes que, predominantemente, o mundo colhe a mensagem de Deus e a identidade da Igreja. Não são os únicos. São os primeiros. 2.2. Comunhão Sacerdotal Daí que aos sacerdotes compete o encargo de acolher o dom da comunhão que Deus é e a responsabilidade de a tornar visível através dum amor consistente e persistente. A comunhão entre os sacerdotes, do mesmo presbitério ou num sentido mais abrangente, não é algo de opcional mas estruturante do sacerdócio. Um Sacerdote sozinho ou isolado nos seus projectos e convicções é um contra-testemunho e não edifica a Igreja de Cristo por muito que trabalhe. 2.3. Comunhão como Trabalho Permanente Reconhecer a comunhão como itinerário de Vida Sacerdotal significa, também, um reconhecimento de que ela não existe mas tem de ser construída permanentemente e não por alguns mas por cada um. É um trabalho árduo e repleto de escolhas. Só que, por outro lado, torna-se apaixonante e verdadeiramente realizadora. A Comunhão Sacerdotal é o ar que o padre respira. O seu bem estar humano e espiritual depende da sua qualidade. 2.4. Âmbitos da Comunhão Com uma vida estruturada a partir da comunhão, o sacerdote assume-se gerador de comunhão como o primeiro serviço a prestar dentro da Igreja e para o mundo que o rodeia. Diversos âmbitos devem ser percorridos. - O Sacerdote construtor da comunhão dentro da Igreja. “Se fores até ao altar para levares a tua oferta, e aí te lembrares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta aí diante do altar e primeiro fazes as pazes com o teu irmão” (Mt. 5, 23). A comunhão é o primeiro encargo pastoral que condiciona tudo o resto. A catequese ou a liturgia perdem o significado sem esta “originalidade” da Igreja Católica. - O Sacerdote sabe que a sua relação não pode fechar-se no seio da Igreja Católica. Hoje, mais do que nunca, o Sacerdote terá de ser homem ao serviço da comunhão ecuménica ou inter-religiosa. Através dum conhecimento das diversas confissões ou religiões é possível discernir pontos de convergência para um diálogo que eduque e forme para a tolerância tornando a religião factor de harmonia e nunca foco de separações e conflitos. - O Sacerdote “tirado de entre os homens” é constituído “em favor” dos mesmos homens. Nenhuma problemática ou esquema de cultura pode permitir uma marginalização de quem não pensa ou vive de harmonia com os seus critérios e princípios. O mundo é o campo de acção e aí deve incarnar um sacerdócio de verdadeiro serviço. Mais do que fugir ou refugiar-se em esquemas de vida pessoal, o Sacerdote sabe que nada do que é humano lhe é estranho. Tudo é pretexto para uma comunhão de sentimentos e de compromissos libertadores. 2.5. A Originalidade da Comunhão Estar em comunhão com o mundo moderno não é sinónimo de confundir-se com ele. Importa a coragem de estar sem ser, por vezes como sinal de contradição que denuncia o erro e faz tudo para salvar as pessoas. Tudo isto só se consegue com uma aposta na diferença, evitando tudo quanto possa gerar perplexidade ou dúvida. É chegada a hora do Sacerdote não ser reconhecido na “sua” terra, como Cristo em Nazaré, pois esta apenas quer conhecer o “Filho do Carpinteiro”. Somos humanos mas portadores duma identidade que nunca permite que a percamos. Daí que a comunhão é, essencialmente, Kenótica, ou seja, Cristo que se imola para elevar. Não se trata de presunção ou complexo de superioridade a exigir direitos. Basta de confusões e o Sacerdote só terá razão de existir quando conseguir impor-se por aquilo que é, numa cruz abraçada com confiança e serenidade 3. Simpósio como Programa O Simpósio do clero de Portugal, realizando-se de três em três anos, deveria ser capaz de interpelar os Sacerdotes para que, colocando-se em questão, consigam dizer ao mundo onde está centralizada a sua vida. O seu sacerdócio nasce do coração trespassado de Cristo para assegurar o Seu amor apaixonado pela humanidade. A mesma fonte faz convergir as vidas e une o presbitério para a responsabilidade de tornar o mundo uma família. Sem resposta pessoal a Quem amou primeiro, não há comunhão nem Igreja por muitas iniciativas que se tomem. O Padre é homem de comunhão com Deus, acolhida comtemplativamente como dom e vivida corresponsavelmente numa alegria e encanto tornadas visíveis perante um mundo multicultural e de pensamento débil. Maria, junto à cruz, partilhou do mesmo amor pela humanidade. Que ela nos ensine o caminho da comunhão gerada a partir duma intimidade com a Palavra para um serviço eloquente à humanidade inteira, numa predilecção pelos mais abandonados e marginalizados. Acolhamos o dom do sacerdócio e ofereçamos, na humildade de servos, um amor incarnado e redentor. Fátima, 5 de Setembro de 2006. + Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo Primaz e Presidente da CEP
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