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D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga | 8 Set 2006
O presbitério luz eloquente de Cristo
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V Simpósio do Clero Eucaristia de Encerramento, 08.09.2006 Com este Simpósio quisemos fazer uma experiência de comunhão. Ouvimos interpelações, partilhamos experiências, convivemos fraternalmente e, quem sabe, intuímos propósitos de renovação pessoal e comunitária. Terminar pode significar encerrar ou partir para nova aventura. Não ouso apontar itinerários. Quero sublinhar orientações propostas pela Liturgia da Palavra. 1 – “De ti sairá aquele que há-de reinar sobre Israel” (Miq. 5,1). Miqueias referia-se a um território. Hoje sabemos que Deus está com as pessoas e quer servir-se das pessoas concretas. Como padres, estivemos para reconhecer que é do amor concreto - vivido entre nós sacerdotes da mesma diocese - que emergirá quem tem poder para salvar. O presbitério é o terreno, a ser fertilizado pelo amor – talvez sacrificado e exigente – dos sacerdotes, onde Cristo aparecerá com a eloquência que arrasta. Outrora os Santos arrastaram multidões e deram respostas adequadas em tempos de crise. Hoje é o Santo – Jesus Ressuscitado – que tocará o coração daqueles que parecem insensíveis aos valores, à moral e à mensagem de Cristo. Que poderei fazer para que Cristo seja uma presença actuante no quotidiano da minha diocese? 2 – “Ele se levantará para apascentar o seu rebanho pelo poder do Senhor” (Mq. 5,3). O amor vivenciado entre nós, fará com que Ele se levante – se torne visível – para ser Ele a apascentar pelo poder do Senhor. Somos Ministros, Servos. O pastor é Ele e o nosso sacerdócio compreende-se e tem razão de ser, se age “in persona Christi”, ou seja, realizado nas pegadas do sacrifício redentor e acolhedor dos dramas humanos para – qual alquimia divina – os transformar em serenidade e calma. Qual esponja que recolhe a água, nós acolhemos as perplexidades para as levar à intimidade dum encontro orante e permitir que, pela fusão das nossas vidas, Ele continue a orientar e dirigir. Só assim a humanidade se levantará. Ele levanta e ela com Ele encontra a coragem para um encontro com o essencial. Que poderei realizar para que os sacerdotes e a humanidade se “levantem” deste clima de pessimismo e desânimo? 3 – “Ele será a paz” (Miq. 5,4). A paz não é um sentimento vago. Acontece na concórdia e na harmonia das diferenças. Não será que as comunidades onde operamos em nome de Cristo deveriam transbordar muita mais calma e serenidade? As nossas celebrações que oferecem? Agitação? Pressa? Confusão? Não deveriam ser momentos duma tranquilidade activa capaz de gerar um amor que cura e sara as feridas. Cristo é a paz. Que damos no acolhimento? Que vale mais a burocracia inerte ou a atenção silenciosa e amiga? Não terei de assumir a necessidade dum projecto quotidiano de maior delicadeza e acolhimento dos outros? 4 – “Ela conceberá e dará a luz um filho, que será chamado Emanuel que quer dizer Deus convosco” (Mt. 1, 23). A centralidade de Cristo, como factor de espiritualidade comunitária, provoca o encontro com Maria. Ela conduz a Cristo e Cristo quis necessitar de Maria. O nosso sacerdócio comunitário tem necessidade de ser Mariano no desejo de ser Maria que gerou Cristo num momento concreto mas que, pelo amor solícito de Canã, repetido imensas vezes, fez com que muitos se encontrassem com Ele. Quase não tinha palavras. Não se impunha. Só repetia. “Fazei o que Ele vos disser”. Assim Cristo se tornou o Emanuel, ou seja, aquele que caminhou com a humanidade pois esteve com ela. A solicitude materna da Igreja, o rosto feminino de Deus, não terá necessidade de permear o meu ministério? A dimensão contemplativa de Maria que “conservava todas as coisas”, não pedirá um estilo mais contemplativo do nosso ministério? 5 - Perspectivar o futuro Respeito a minha afirmação inicial. Não quero apresentar conclusões ou propósitos. Penso, porém, que a liturgia nos recorda duas atitudes como segredos para viver os desafios da hora actual. 5.1. “Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam” (Rom. 8, 28) A realidade parece e é sombria. São muitos os enigmas e as perplexidades. Só que teremos de apostar numa visão positiva e colocar de lado o pessimismo e o desencanto. Pode parecer que as trevas vencem. O amor de Deus supera tudo. Vivamos, por isso, o nosso sacerdócio com alegria e encanto. Fixemo-nos no essencial. Demos espaço à fé como aventura de quem se deixa conduzir por Deus e aqui estaremos bem. Não na ingenuidade, mas na responsabilidade de quem acredita no valor e na necessidade do nosso ministério. 5.2. “Não temas receber Maria” (Mt. 1-20) Há momentos em que parece que as dúvidas ultrapassam as certezas. Permitamos que Maria entre nas nossas casas, não só como objecto duma devoção particular, mas como referência e modelo duma Igreja que, duma maneira silenciosa, está no mundo sem ser do mundo. Com ela estaremos a ser semente duma sociedade mais justa. Pode não parecer ou não se ver. A semente é sempre semente. Os seus ritmos não acontecem como queremos. É a aurora duma Igreja nova, através de Sacerdotes renovados num mundo diferente, que nunca mais voltará a ver como até aos dias de hoje. Estaremos na igualdade como todos os outros. A diferença será a alma que rejuvenesce e sustenta. Que Maria fique na nossa casa e na casa da Igreja. Com ela ganhemos coragem para ultrapassar a noite do Calvário. Que a Páscoa dum Cristo vivo e ressuscitado seja o nosso projecto de vida. + Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo Primaz e Presidente da C.E.P.
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