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DACS com RR/JN/Ecclesia | 12 Abr 2022
Comissão sobre abusos de menores na Igreja recebeu 290 queixas
16 casos foram enviados ao Ministério Público. O relatório sobre apuramento de testemunhos e denúncias de casos de abuso deverá ser apresentado até ao final do ano.
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  © RR

A Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais na Igreja Católica em Portugal recebeu e validou 290 queixas nos passados três meses. 16 dos casos foram enviados ao Ministério Público para investigação.

O coordenador, Pedro Strecht, disse acreditar que o número é apenas a ponta do icebergue, e explica que mais de metade dos casos revelam que é “altamente provável” que haja muito mais vítimas. “Todos os casos estão a ser avaliados individualmente para triar casos que possam ser investigados pelas autoridades civis, em articulação com o Ministério Público”, acrescentou o psiquiatra.

Numa sessão de balanço dos primeiros três meses de actividade, os responsáveis afirmaram que receberam, no primeiro mês de trabalho, 214 testemunhos de vítimas, homens e mulheres, com idades que variam entre os 15 e os 88 anos. Ana Nunes de Almeida revelou ainda que existem mais vítimas do sexo masculino.

A socióloga e presidente do Conselho Científico do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa disse também que chegaram testemunhos de todas as regiões do país e englobam pessoas com vários níveis de instrução, e que as idades em que aconteceu o primeiro abuso sexual variam entre os dois e os 17 anos, descrevendo que foram encontradas “todas as modalidades de abuso que contemplávamos no guião do inquérito, desde a exibição, manipulação, penetração, recolha de imagens do corpo, isoladamente ou em situação de abuso, envio de mensagens escritas por telemóvel”.

Ana Nunes de Almeida anunciou ainda que a comissão fez pedidos de entrevista aos 21 bispos portugueses, mas, até momento, apenas 12 aceitaram reunir com os especialistas e “cinco não responderam, de todo”.

A equipa está ainda a realizar um levantamento dos casos reportados à Comunicação Social, de 1950 até hoje, que revelou “situações importantes, mas também não em grande quantidade”.

Pedro Strecht revelou que o grupo de trabalho tem uma “equipa científica” a trabalhar na consulta aos arquivos da Igreja. Esta equipa é coordenada por Francisco Azevedo Mendes, da Universidade do Minho, e deverá desenrolar o seu trabalho nos “próximos meses” em articulação com cada diocese.

A comissão contactou outras estruturas e instituições. Além das comissões diocesanas, do Instituto de Apoio à Criança e da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, foram contactadas a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens, os institutos religiosos de Portugal, a Associação Quebrar o Silêncio, e o Sistema de Protecção e Cuidado de Menores e Adultos Vulneráveis (inserido no Serviço de Escuta dos Jesuítas).

Até ao final do ano, a comissão pretende recolher testemunhos e denúncias de pessoas que tenham sofrido abusos na infância e adolescência, até aos 18 anos. No final dos seus trabalhos, a comissão vai elaborar um relatório, a ser entregue à Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que decidirá que acções tomar.

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