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Vatican News | 21 Nov 2023
Papa Francisco: O meu Presépio
Nesta terça-feira, 21 de novembro, será publicado o livro do Papa Francisco “Il mio Presepe. Vi racconto i personaggi del Natale” (O meu Presépio. Conto a vocês sobre os personagens do Natal) - Piemme em co-edição com a Livraria Editora Vaticana. Além do italiano, o livro também estará disponível em francês, inglês e português. Publicamos a introdução escrita pelo Santo Padre.
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  © Vatican News

Por duas vezes eu quis visitar Greccio. A primeira vez para conhecer o lugar onde São Francisco de Assis inventou o presépio, algo que também marcou minha infância: na casa de meus pais em Buenos Aires, esse sinal do Natal nunca faltava, antes mesmo da árvore.

Na segunda vez, voltei de bom grado àquele lugar, hoje na província de Rieti, para assinar a Carta Apostólica Admirabile signum sobre o significado e a importância do presépio hoje. Em ambas as ocasiões, senti uma emoção especial que emanava da gruta, onde se pode admirar um afresco medieval que retrata a noite de Belém e a noite de Greccio, colocadas pelo artista como se estivessem em paralelo.

A emoção dessa visão me leva a aprofundar o mistério cristão que gosta de se esconder no que é infinitamente pequeno. De fato, a encarnação de Jesus Cristo continua sendo o coração da revelação de Deus, mesmo que seja facilmente esquecido que seu desenvolvimento é tão discreto a ponto de passar despercebido.

A pequenez, de fato, é o caminho para encontrar Deus. Em um epitáfio comemorativo de Santo Inácio de Loyola, encontramos escrito: "Non coerceri a maximo, sed contineri a minimo, divinum est". É divino ter ideais que não são limitados por nada que existe, mas ideais que estão ao mesmo tempo contidos e vividos nas coisas pequenas da vida. Em suma, não se deve ter medo das coisas grandes, é preciso seguir em frente e levar em conta as coisas pequenas.

É por isso que salvaguardar o espírito do presépio se torna uma imersão saudável na presença de Deus manifestada nas pequenas coisas cotidianas, às vezes banais e repetitivas. Saber renunciar ao que seduz, mas leva a um caminho ruim, a fim de compreender e escolher os caminhos de Deus, é a tarefa que nos espera. Nesse sentido, o discernimento é um grande dom, e nunca devemos nos cansar de pedir por ele na oração. Os pastores no presépio são aqueles que acolhem a surpresa de Deus e vivem seu encontro com Ele com admiração, adorando-O: em sua pequenez, eles reconhecem a face de Deus. Humanamente, somos todos inclinados a buscar a grandeza, mas é um dom saber como encontrá-la de fato: saber como encontrar a grandeza na pequenez que Deus tanto ama.

Em janeiro de 2016, encontrei os jovens de Rieti no oásis do Menino Jesus, logo acima do santuário do presépio. A eles, e a todos hoje, lembrei que na noite de Natal há dois sinais que nos guiam no reconhecimento de Jesus. Um deles é o céu cheio de estrelas. Há muitas, um número infinito dessas estrelas, mas entre todas elas, uma estrela especial se destaca, aquela que levou os Magos a deixar suas casas e iniciar uma viagem, um caminho que eles não sabiam aonde os levaria. O mesmo acontece em nossa vida: em um determinado momento, uma "estrela" especial nos convida a tomar uma decisão, a fazer uma escolha, a iniciar um caminho. Devemos pedir a Deus, com força, que nos mostre essa estrela que nos empurra para algo mais do que nossos hábitos, porque essa estrela nos levará a contemplar Jesus, aquela criança que nasceu em Belém e que quer nossa felicidade plena.

Naquela noite santificada pelo nascimento do Salvador, encontramos outro sinal poderoso: a pequenez de Deus. Os anjos indicam aos pastores uma criança nascida em uma manjedoura. Não é um sinal de poder, autossuficiência ou orgulho. Não. O Deus eterno se aniquila em um ser humano indefeso, manso e humilde. Deus se abaixou para que pudéssemos caminhar com Ele e para que Ele pudesse se colocar ao nosso lado, e não acima e distante de nós.

Espanto e admiração são os dois sentimentos que movem todos, pequenos e grandes, diante do presépio, que é como um Evangelho vivo que transborda das páginas da Sagrada Escritura. Não importa como o presépio é montado, ele pode ser sempre o mesmo ou mudar a cada ano; o que importa é que ele fale à vida.

O primeiro biógrafo de São Francisco, Tommaso de Celano, descreve a noite de Natal de 1223, cujo oitavo centenário celebramos este ano. Quando Francisco chegou, encontrou o presépio com o feno, o boi e o burro. As pessoas que haviam se reunido ali manifestaram uma alegria indescritível, nunca antes experimentada, com a cena do Natal. Em seguida, o padre celebrou solenemente a Eucaristia na manjedoura, mostrando a ligação entre a Encarnação do Filho de Deus e a Eucaristia. Naquela ocasião, não havia estatuetas em Greccio: o presépio foi feito e vivenciado pelos presentes.

Tenho certeza de que o primeiro presépio, que realizou uma grande obra de evangelização, também possa ser hoje uma ocasião para despertar admiração e espanto. Assim, o que São Francisco começou com a simplicidade daquele sinal persiste até hoje, como uma forma genuína da beleza da nossa fé.

Cidade do Vaticano, 27 de setembro de 2023

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