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D. Jorge Ortiga | 19 Abr 2007
A Arquidiocese e a cultura
Inauguração do Auditório Vita
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O peregrinar da Igreja ao longo da história lança variadíssimas interpelações. Na actualidade, torna-se urgência prioritária comunicar em termos culturais o tesouro do património que a tradição e a mensagem, nos seus valores, conteúdos - de índole espiritual, intelectual, moral e artística - encerram. Se pretendemos ser perceptíveis, teremos de entrar nas arenas onde o homem moderno é capaz de ouvir.
O cristianismo gera uma cultura e esta pode tornar-se estéril e encaminhar-se para a decadência quando “se fecha em si própria e procura perpetuar formas antiquadas de vida, recusando qualquer mudança e confronto com a verdade do homem” (Cent. An., 50 e Cam. O. Social, 556). Daí que, a partir da Incarnação de Cristo, tudo o que é humano nos interessa. Nunca nos poderemos refugiar no âmbito da dicotomia do sagrado e profano e pensar que só o tradicionalmente interpretado como sagrado nos pertence como missão.
Interessados em caminhar com a humanidade, a Arquidiocese de Braga decidiu entrar, através dum projecto ousado e arriscado de auditório, num novo jogo cultural. Este espaço simboliza, por isso, uma preocupação: proporcionar ocasiões dum desenvolvimento integral onde a verdade se equaciona, como permanente procura, numa harmonização dos “valores da inteligência, da vontade, da consciência e da fraternidade” (G. S. 61).
Se, em exame de consciência, reconhecemos um divórcio entre a fé e a cultura, estamos criando condições de proximidade para assegurar que a fé pode e deve estar em tudo e tudo pode tornar-se uma experiência de encontro com valores onde, com um mínimo de atenção, descortinaremos a beleza de Deus. A Igreja compreendeu, desde a sua origem e longos séculos de arte, o interesse e necessidade do ser humano pelo belo. A arte autêntica foi sempre reconhecida como experiência religiosa ou caminho para isso, uma vez que encerra dentro de si uma marca do invisível. Se num passado recente parece que se refugiou no seu mundo, tolerando ou condenando itinerários diferentes, estamos, hoje, a lançar pontes e acreditamos que serão percorridas numa programação criteriosa e de qualidade garantida.
Como espaço de Igreja, queremos servir a cidade e a região com: música, colóquios, congressos, simpósios em língua portuguesa ou com necessidade de tradução simultânea, em tempo de calor ou de frio (na garantia do ar condicionado), com comodidade e enquadramento de modernidade, aconchegados no interior ou dialogando em espaços exteriores… Tudo poderá tornar-se “notas” que harmonizam a reflexão com o convívio para a responsabilidade dum mundo novo onde tudo o que é humano se torna campo de experiência cristã. Não foi fácil a escolha dum nome para este Auditório Arquidiocesano. O Concílio Vaticano II deu-nos o mote recordando-nos que a Igreja vive para ser sacramento de salvação no mundo. Não se fecha em si. Concentra-se nas exigências profundas da vida humana, com “alegrias e tristezas…” (G.S.) e sabe que existimos “para que todos tenham vida e vida em abundância”. Interessa-nos, por isso, a vida e tudo devemos fazer para que ela seja digna. Se, duvidamos na escolha do nome – e dum modo particular em homenagear diferentes personalidades da nossa história arquidiocesana – optou-se por um nome simples mas emblemático de modo que todos os frequentadores deste auditório – crentes ou não – se sintam interpelados a ser protagonistas duma nova humanidade. De cada um nasce o mundo que sonhamos.
Acontecendo hoje a ocorrência do segundo aniversário do Papa Bento XVI, queremos render-lhe homenagem, neste esforço colegial, mostrando que é possível assumir uma fé personalizada e verdadeiramente consciente e, em simultâneo, caminhar com a diferença, sempre sem comportamentos intolerantes, fundamentalistas ou geradores da violência. Com ele acreditamos que “Deus é amor” e que o amor compreende todas as linguagens sem desvirtuar a que assumimos como nossa. Fiéis à identidade cristã, sabemos que não é utopia sonhar com um mundo unido.
Agradeço a vossa presença neste momento de particular relevância cultural. Como gostaria que todos se sentissem em “sua casa”, preparamos um pequeno Sarau com obras de sacerdotes bracarenses e intérpretes da nossa região. Nem sempre apreciamos os nossos talentos. Talvez a qualidade deste mini-concerto nos ajude a valorizar o que é nosso, enriquecendo-o com o valor dos outros, não permitindo que estes sufoquem ou abafem o que somos e produzimos.
Termino fazendo votos para que a nossa multi-secular história – de Cidade e Arquidiocese – se enriqueça com esta estrutura. Saibamos ser dignos do esforço que ela encerra. Ganharemos todos. Em Cristo, a vida será mais vida e, por isso, mais bela.
19/04/2007

+ Jorge Ferreira da Costa Ortiga,
Arcebispo Primaz
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