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D. Jorge Ortiga | 27 Abr 2007
Um hospital a serviço de todo o povo
Dia do Hospital
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A Eucaristia, integrada na celebração do Dia do Hospital, reveste-se, como sempre, dum significado de memória e actualização do sacrifício redentor de Cristo. Ela é “cume” da vida cristã como exigência dum encontro com o divino e torna-se “fonte” para dar sentido novo ao quotidiano. Estamos no passado e com ele assumimos a responsabilidade de fazer história.
Os tempos que correm, na voragem dum presente imediato que se quer viver, parece desconhecer o passado ou, intencionalmente, ignorar o que foi causa da vida actual. Respeitar a história deveria ser luzeiro que dá consistência aos projectos de actualização e renovação da sociedade.
Na verdade, o Evangelho de hoje recorda-nos que “comer a carne do Filho do homem e beber o Seu sangue é ter a vida em vós”. Este “vós” deve ser interpretado duma maneira pessoal, mas simultaneamente, como responsabilidade pela vida de todos. Como Paulo, na Segunda Leitura, que no encontro Baptismal com Cristo “tomou alimento e readquiriu as forças”.
Olhando para esta passagem bíblica, entre tantas outras, compreendemos que a missão da Igreja passa pelo realismo ou dramatismo do ser humano. Não foi por acaso que ela se aproximou, sempre e em todos os lugares, dos necessitados e dos marginalizados. Pode ter acontecido que alguns ventos a tenham empurrado para o mundo da ostentação e da glória. Só que, em simultâneo, o Espírito impelia para o terreno onde o Bom Samaritano gastava tempo e dinheiro para cuidar da qualidade de vida de quem necessitava.
Neste contexto, parece-me oportuno lançar uma sugestão. Rezam as crónicas que D. Diogo de Sousa, em 1508, extinguiu três pequenos hospitais, situados ao lado de capelas propriedades de Confrarias ou Irmandades que se dedicavam ao cuidado dos Peregrinos, dos Lázaros e como Gafaria, e instituiu o Hospital de S. Marcos, ligado à Capela de S. João Marcos, existentes no outrora chamado Largo dos Remédios. Olhando para a data, e creio que estou a intrometer-me em ceara alheia, ouso desafiar a Administração do actual Hospital, a Câmara Municipal a quem D. Diogo de Sousa entregou a administração para, juntamente com a Arquidiocese, celebrar os 500 anos dum Hospital na nossa cidade. Para a Igreja seria uma ocasião para renovar o empenho no cuidado a prestar a todos e numa atitude de colaboração inter-institucional, comprometer-se a dar dignidade à saúde de todos e, nomeadamente, dos mais necessitados. Outras dimensões poderiam e deveriam ser equacionadas nesta época em que a problemática da saúde inquieta o povo simples e humilde. O futuro aterroriza muita gente e os cenários das respostas que começam a ser levantadas destroem a esperança. Urge repensar, serenamente e com profundidade, a questão da saúde e reconhecer que deve ser encarada dum modo mais profundo, capaz de dar soluções a todos e onde os critérios do seu acesso e qualidade não podem ser limitados à dimensão económica de quem é capaz de dispor ou amealhar. Acredito que muitos se disponibilizarão para dar um contributo que defenda a prioridade da dignidade da pessoa humana que merece mais dedicação e atenção.
Outro pormenor que ouso sugerir relaciona-se com o futuro hospital distrital. Não me compete propor seja o que for. Só que, olhando para a história, parece-me ser justo e interpelativo evocar pessoas que continuem a mostrar que é possível trabalhar por este mundo de igualdade de oportunidades. Eles conseguiram. Nós também conseguiremos.
Nesta perspectiva, recordo que o Beato Bartolomeu dos Mártires entregou o Hospital de S. Marcos, em 1559, à Santa Casa da Misericórdia. Esta interpretou ao longo de séculos o encargo de vivenciar as Obras de Misericórdia Corporais e quer continuar o caminho de instituição eclesial ao serviço do bem. Creio que o actual Hospital de S. Marcos proporcionará o espaço conveniente para continuar a arte de bem-fazer com todos os sacrifícios que esta exige. O Túmulo de S. João Marcos continuará a ser estímulo e orientação para descortinar respostas novas a problemas de saúde novos.
Será, por isso, exorbitar das minhas funções sugerir que o novo Hospital, sem perder a sua característica de Distrital, homenageie e perpetue o testemunho de caridade vivida pelo Beato Bartolomeu dos Mártires? Há homens que deixaram marcas na nossa história. Não as podemos destruir. Teremos de aprender com eles. Se me intrometi em sugerir uma celebração condigna dos 500 anos do Hospital e a alvitrar o nome do Beato Bartolomeu dos Mártires, com simplicidade, peço desculpa a quem poderá pensar dum modo diferente. Amo Braga e quem contribuiu para a sua história e o passado desafia-nos.
Como crentes, louvemos, neste Dia do Hospital, Deus por todos quantos trabalham abnegadamente nesta instituição; rezemos por aqueles que a serviram e que nunca esqueceremos pelo que deram; acolhamos este momento como graça para reflectir e agir em conformidade, sobre a saúde e serviços que temos ou deveríamos ter.
Que a Eucaristia reforce o valor da vida e nos empenhe na promoção da sua cultura.
Igreja de S. Marcos
27/04/2007
+ Jorge Ferreira da Costa Ortiga,
Arcebispo Primaz
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