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D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga | 5 Jun 2005
A Eucaristia como Novidade
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A peregrinação ao Santuário de Nª Sª do Sameiro como peregrinação que gostaria, através dum modo mais comprometido por parte das comunidades, se tornasse a Peregrinação Arquidiocesana, é uma momento para colocar junto de Maria intenções e lançar à comunidade Diocesana algumas interpelações. Neste sentido, quero partir da intenção de rezarmos pelo Pontificado de Sua Santidade o Papa Bento XVI. Depois do dom da vida e ministério do Papa João Paulo II, temos a graça de caminhar, em Igreja, com um novo Papa. Muito foi escrito e dito como comentário à sua personalidade ou como desejo de ver concretizadas algumas orientações para que a Igreja se situasse no nosso tempo. Quero, só e apenas, afirmar que um novo Papa nos ajudará a interpretar a missão da Igreja duma maneira nova. Os tempos são diferentes, os nossos dinamismos terão, em alguns aspectos, de ser alterados. Não enveredamos pela ânsia de ser progressistas considerando determinadas maneiras de agir como conservadoras. Não me interessa ser progressista ou conservador: basta ser fiel àquilo que o Espírito pretende da Igreja nesta confusão de mensagens e na alegria de continuar a dar vida aos conteúdos do Concílio Vaticano II. Esta novidade de vida eclesial parte, entre outras considerações, dum reconhecimento da centralidade, pessoal e eclesial, da Eucaristia. Não direi que o amor que os nossos cristãos lhe dedicam tenham diminuído. Sei que necessita doutras expressões e que a participação na missa dominical não nos pode deixar tranquilos. A fidelidade a este compromisso começa a atingir níveis que não poderemos ignorar. Sabemos que cristãos ditos não praticantes aumentam e ainda não extraímos as consequências necessárias para a pastoral. Consciencializar-se pode e deve levar-nos a mudanças, talvez radicais, marcadas por uma carga de novidade que não nos deve aterrorizar. Nunca poderemos cair numa atitude condenatória de quem não frequenta. Importa questionar a qualidade das nossas celebrações e ver a carga de incidência no quotidiano das pessoas. Na prossecução da qualidade teremos de dar continuidade à “qualificação” dos variados ministérios, desde a arte de presidir, confiada aos sacerdotes, a um conjunto de serviços laicais que necessitam duma corresponsabilidade maior. Ninguém pode contentar-se em celebrar ou assistir. Este ano litúrgico tem de obrigar a um sério exame de consciência sem medo de confronto com a realidade. A Eucaristia não é uma mero conjunto de ritos articulados com maior ou menor sentido. A dignidade das celebrações está a reclamar muito cuidado na preparação para não nos contentarmos com algumas novidades que introduzimos. O mistério não se repete mas supõe muito carinho e dedicação para o vivenciar em plenitude. Seria injusto se não reconhecesse o trabalho efectuado, mas por outro lado, não posso estar satisfeito com determinado tipo de celebrações. Esta qualidade tem de suscitar uma reflexão séria sobre o número das celebrações. A participação na Eucaristia pode exigir sacrifícios suscitados pela nova caracterização da sociedade. Muitos cristãos contentam-se com a “sua missa”, no lugar onde era habitual e na hora costumada. Ao mesmo tempo encontram sempre sacerdotes disponíveis - que normalmente não têm encargos pastorais – no pressuposto de que estão a fazer um serviço eclesial. Não quero duvidar das suas intenções. Agradecia-lhes que servissem a Igreja para o hoje e para o amanhã. A sede das paróquias é o local onde se vive o sentido de pertencer à comunidade. Só que o mundo mudou e a mobilidade pode enriquecer desde que a vivência seja mais profunda e se testemunhe a unidade. Os Santuários desempenham um papel cada vez mais importante, desde que não se limitem a oferecer missas. Para a celebração digna da Eucaristia são necessários os sacerdotes. Estamos em Ano Vocacional e não podemos restringir a vocação aos sacerdotes nem pensar que o trabalho destes se reduz à celebração da Eucaristia. Quer uma coisa quer outra contradizem a natureza da doutrina cristã. São muitas as vocações e o sacerdote não vive só para celebrar missas. Uma Igreja Diocesana, em vivência vocacional permanente, só se consegue através duma aposta na Formação Permanente. Os sacerdotes e os leigos necessitam de reservar momentos para uma reflexão crítica da fé capaz de proporcionar uma opção pessoal com capacidade de resistência a todos os embates. A manutenção duma pastoral de hábitos e rotinas pode cansar-nos; o caminho da formação, talvez exigindo o sacrifício de determinadas celebrações cultuais, é o percurso inevitável. Aqui teremos de investir, na consciência de que não estamos a perder. O futuro da fé exige-o. Este compromisso tem de tornar-se Programa que a Diocese assume dum modo estável. Se este ano falamos da Eucaristia e das Vocações, e nos próximos três da Família, é para variar os conteúdos desta opção que nos acompanha sempre. A Diocese não quer fugir às suas responsabilidades. Assim os nossos cristãos nos exijam a encontrar modos e espaços onde investiremos o necessário. Regressando ao tema de fundo das vocações para as Eucaristias, devemos começar a habituar-nos a um estilo de vida comunitária dos sacerdotes para que as Eucaristias sejam enriquecidas pela partilha de experiências e subsídios. Com a comunhão existencial a comunhão eucarística terá outra profundidade. Falamos muito de unidades pastorais com residências sacerdotais. Talvez não falte muito tempo para vermos um grupo de sacerdotes responsável por um arciprestado, salvando sempre as determinações canónicas. Muitos pensam que sonho; o futuro virá dar-me razão. Não tenhamos medo destas experiências de vida comunitária. Esta novidade supõe que os cristãos, conhecendo o “seu” pároco, acolham, com simpatia, um intercâmbio de responsabilidades sacerdotais e saibam que os limites das paróquias não podem obstaculizar uma missão comum. Os sacerdotes necessitam de conciliar a dimensão privada e familiar da sua vida com as exigências ontológicas do ser sacerdote, como continuadores do único Sacerdote-Cristo. Esta vida comunitária rejuvenescerá a pastoral na sua globalidade e as eucaristias em particular. Nesta peregrinação de início de Pontificado, em Ano Eucarístico e Vocacional, quis abordar algumas questões que parecem novas. Maria, a aurora da manhã e a mãe dos tempos novos, nos faça compreender a importância dos novos desafios que nos são lançados. Precisamos de muitas vocações e ainda não nos consciencializamos disto. Vivemos com a mesma tranquilidade de há 20 ou 30 anos. Eu não e não sou pessimista. Acredito que estas vocações nascem das famílias mas encontram a força para decidir na Eucaristia. Um sacerdote que celebra só por obrigação perde o encanto da vida sacerdotal; os cristãos que se limitam a assistir, mais tarde ou mais cedo, desistem de participar. As comunidades vivas com Eucaristias devidamente preparadas e vividas são um autêntico viveiro onde se escuta o “segue-me”. Ouvimos este convite no Evangelho. O Papa Bento XVI sintetizou, no momento do funeral, a vida de João Paulo II como alguém que aceitou radicalmente este convite. Do alto do Sameiro quero chegar ao coração de todos os diocesanos, particularmente dos jovens, para esta aventura. Maria foi a mulher que aceitou o convite e tornou a sua vida uma irradiação do amor de Deus. Não será este o caminho que devemos seguir juntamente com o Papa Bento XVI? Sameiro, 5 de Junho de 2005. D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo Primaz
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