Arquidiocese de Braga -

20 janeiro 2023

'Fazer o bem, buscar a Justiça’

Fotografia Paulo Gabriel Souto

DACS

A Semana de Unidade dos Cristãos foi assinalada com uma celebração ecuménica cujo destaque foi a necessidade de unidade na construção do bem e da paz

\n

“Em Jesus Cristo, fomos lavados nas águas vivas do batismo. Perdoa-nos e reconcilia-nos uns com os outros, e com a tua criação”, rezou junto a assembleia na celebração ecuménica que marcou a Semana de Unidade dos Cristãos em Braga, na noite de ontem, dia 19 de janeiro.

Estiveram no encontro o Arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, e o Padre Paulo Terroso, pela Igreja Católica, o Bispo D. Sifredo Teixeira e o Pastor Emanuel Dinis, da Igreja Metodista, e o Bispo D. Jorge Pina Cabral e o Presbítero Pedro Fernandes, da Igreja Lusitana (Comunhão Anglicana). A cerimónia aconteceu na Igreja Metodista.

O tema escolhido para a Semana de Unidade dos Cristãos, que teve início no dia 18 e segue até 25 de janeiro, é “Aprendei a fazer o bem, procurai a justiça” (Is 1, 7)”. Todos os anos o Oitavário é celebrado no hemisfério norte entre as festas de São Pedro e São Paulo. No hemisfério sul costuma ser feito na semana que antecede Pentecostes.

Os bispos presentes reforçaram a necessidade da busca pelo bem, em ações concretas e na vivência fraterna, na busca da unidade entre os cristãos, e da justiça, em um mundo tão conturbado por crises e guerras.

“A paz e a unidade andam de mãos dadas e não podem existir uma sem a outra. A palavra de Isaías é imperativa: 'Fazer o bem, buscar a Justiça’. Buscar a justiça é buscar a verdade, buscar a misericórdia é buscar a paz. O esforço em fazer o bem todos os dias é o alimento do nosso coração. Só na diversidade podemos experimentar a unidade”, lembrou D. José, que convidou os presentes a serem construtores da unidade.

“Que não fique apenas nessa semana, mas que se traduza em gestos concretos de proximidade. Que o Senhor nos conceda a graça de sermos artesãos da unidade e da paz”, ressaltou.

Para D. Jorge, o texto, a profecia fala da urgência que Isaías nos apresenta para sermos coerentes entre a vida e a fé. “Nós trazemos para nosso seio a desunião do mundo em que vivemos. Como dizem os nossos irmãos dos EUA (que prepararam o tema deste ano), precisamos estar atentos à realidade dos tempos….Se fizermos juntos o nosso culto é também um sinal para o mundo em que vivemos e o mundo precisa desses sinais de unidade”, disse ele. 

“Que o Senhor aqueça os corações para podermos viver o seu amor e partilharmos uns com os outros” disse D. Sifredo, destacando que é preciso avançarmos mais, darmos uma resposta para unidade, em uma vivência na prática, não presa às instituições, mas ao amor entre irmãos na fé. 

“O amor de Deus não despreza ninguém. É Ele que nos capacita a ajudarmos os outros e em todas as coisas, inclusive em sermos fazedores da paz… para que haja um mundo mais solidário” e terminou lembrando um hino cantado em muitas igrejas que diz "Faz-me vaso de bênção Senhor”, para seja alcançada a unidade sonhada por Deus.

Na celebração foram apresentados alguns exemplos de trabalhos feitos pelas comunidades, mostrando a importância e a responsabilidade de todos os cristãos na mudança de várias realidades sociais, seja de forma prática, seja no testemunho de vida.

Ao final, representantes das várias religiões colocaram pedras aos pés da cruz, que simbolizam o compromisso de todos na busca de um caminho comum.

 

Subsídio do Oitavário 

O material de estudo e vivência da Semana de Unidade dos Cristãos é lançado todos os anos, sendo preparado e publicado em conjunto pelo Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos e pela Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas.

Neste ano, o tema e subsídios para reflexão foram escolhidos e preparados por um grupo de cristãos nos Estados Unidos da América, convocado pelo conselho de Igrejas do Minnesota.

“Os  membros  do  grupo de  redação  do Minnesota  esperam  que  suas  experiências  pessoais  de racismo e desvalorização de seres humanos sirvam como testemunho da desumanidade dos filhos de Deus  uns para com  os  outros.  É  também  com  muita  esperança  que,  como  cristãos,  eles incorporam o dom da unidade que vem de Deus para denunciar e erradicar as divisões que nos impedem de compreender e experimentar a realidade de sermos todos pertencentes a Cristo”, diz o subsídio.