Arquidiocese

Programa Pastoral 2019+2020
“Levantar-se e semear esperança”
[+info]

Desejo subscrever a newsletter da Arquidiocese de Braga
11 Abr 2014
OPINIÃO: QUE LIÇÃO SE PODE TIRAR DA VIDA DE FREI BARTOLOMEU DOS MÁRTIRES?
No arranque do ano jubilar das comemorações dos 500 anos do nascimento do arcebispo Frei Bartolomeu dos Mártires, torna-se interessante fazer uma resenha da vida, obra e feitos do denominado “santo do povo”, para relembrá-lo num atual período de alterações no seio do cristianismo e da própria sociedade. Infelizmente a injustiça e a indiferença social têm vindo a aumentar com a crise económica, com a rápida globalização e a perda de valores sociais ou humanos. É caso para perguntar, para onde caminha a sociedade?
PARTILHAR IMPRIMIR
 

No arranque do ano jubilar das comemorações dos 500 anos do nascimento do arcebispo Frei Bartolomeu dos Mártires, torna-se interessante fazer uma resenha da vida, obra e feitos do denominado “santo do povo”, para relembrá-lo num atual período de alterações no seio do cristianismo e da própria sociedade. Infelizmente a injustiça e a indiferença social têm vindo a aumentar com a crise económica, com a rápida globalização e a perda de valores sociais ou humanos. É caso para perguntar, para onde caminha a sociedade? 

A infância do arcebispo foi pautada pelo fervor religioso e pela dedicação ao estudo de Teologia e das Artes, em que muito contribuiu o seu convívio com elementos da ordem Dominicana. Nasceu de uma família humilde e até ao fim da sua vida manteve-se fiel às suas origens. A fama, o talento e as virtudes de Frei Bartolomeu dos Mártires chegaram à corte, e o infante D. Luís, irmão de D. João III, convidou-o para mestre do seu filho, D. António, que foi depois Prior do Crato.

Estava reservado ao arcebispo voos mais altos e desafiadores, como foi o caso da sua nomeação para o arcebispado de Braga. Em 1558 D. Frei Baltasar Limpo, até então arcebispo de Braga morre, sendo nestas circunstâncias necessário nomear outro arcebispo que substitua o falecido na mais antiga diocese do reino. A escolha do bispo requer um reconhecimento dos níveis de formação e carreira, no entanto, a escolha de Bartolomeu dos Mártires deveu-se a esses factores, mas também à necessidade de efectuar uma reforma na Igreja, como refere o seu hagiólogo Frei Luís de Sousa. 

O ponto alto da sua actividade religiosa é sem dúvida a participação no Concílio de Trento, em 1562-1563. Vários historiadores referem que o prelado adquiriu prestígio e fama em Trento, ficando na história as suas palavras: “os ilustríssimos e reverendíssimos cardeais precisam de uma ilustríssima e reverendíssima reforma” e “vossas senhorias são as fontes de onde todos os prelados bebem; necessário é portanto que a água seja limpa e pura”. Este é um momento de viragem no cristianismo e, por seu turno, as reformas discutidas no concílio vão ser aplicadas pelo arcebispo na diocese de Braga. Depois do concílio, o arcebispo procurou logo através da realização do Sínodo Provincial em 1566 impor as normas de Trento. 

Todavia, a relação entre arcebispo e cabido piorou, devido às reformas que o arcebispo queria impor, esbarrando no conservadorismo e comodismo das estruturas eclesiásticas da cidade. Portanto, o arcebispo foi o promotor da contra-reforma na diocese de Braga, e debateu-se com imensas dificuldades em pôr em práticas as normas de Trento, que destinavam-se essencialmente controlar e disciplinar o clero e a população em geral, no entanto não desistiu e levou a sua missão até ao momento em que as suas forças o permitiram. Os conflitos deram-se, sobretudo por dois motivos: o estabelecimento dos decretos do Concílio Provincial, e por causa das visitas pastorais nas freguesias de jurisdição do cabido. O cabido bracarense estava a lidar com um prelado corajoso e consciente da sua missão, e as dificuldades funcionaram como motivação para seguir a sua missão evangelizadora.

Recordar hoje Bartolomeu dos Mártires, é recordar um homem disciplinador, humilde, caridoso, que distribuía pão e esmola aos mais necessitados no Paço. As pessoas juntavam-se num pátio onde um sacerdote ensinava a doutrina e logo depois distribuía-se o pão. Ao relembrar esta figura tão marcante da história da Igreja, conscientemente, deposito esperança no actual chefe máximo da Igreja, o papa Francisco.

Jorge Manuel Dias Fernandes, in DM 11 de Abril de 2014


PARTILHAR IMPRIMIR
Departamento para a Comunicação Social
Contactos
Director

P. Paulo Alexandre Terroso Silva

Morada

Rua de S. Domingos, 94 B
4710-435 Braga

TEL

253203180

FAX

253203190