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Carlos Nuno Salgado Vaz | 22 Mai 2016
A alegria do amor – 5
No quarto capítulo, central na Exortação, o papa Francisco aprofunda as qualidades do amor que Paulo apresenta no famoso texto aos coríntios, conhecido como o Hino à Caridade.
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O quarto capítulo, ‘O Amor no Matrimónio’, é um dos capítulos centrais da Exortação. Exige, por isso, ir devagar.

«Não poderemos encorajar um caminho de fidelidade e doação recíproca, se não estimularmos o crescimento, a consolidação e o aperfeiçoamento do amor conjugal e familiar», pois que «a graça do sacramento do matrimónio destina-se, antes de mais nada, 'a aperfeiçoar o amor dos cônjuges'» (número 89).

Hino à Caridade

O papa Francisco aprofunda, depois, as qualidades do amor que Paulo apresenta no famoso texto aos coríntios, conhecido como o Hino à Caridade.

Partindo sempre do étimo grego que está na origem do respetivo vocábulo, Francisco diz que: «Ter paciência não é deixar que nos maltratem permanentemente, nem tolerar agressões físicas, ou permitir que nos tratem como objetos. O problema está quando exigimos que as relações sejam idílicas, ou que as pessoas sejam perfeitas, ou quando nos colocamos no centro, esperando que se cumpra unicamente a nossa vontade. Então, tudo nos impaciente, tudo nos leva a reagir com agressividade. Se não cultivarmos a paciência, sempre acharemos desculpas para responder com ira, acabando por nos tornarmos pessoas que não sabem conviver, incapazes de dominar os impulsos; e a família tornar-se-á um campo de batalha... Esta paciência reforça-se quando reconheço que o outro, assim como é, também tem direito a viver comigo nesta terra» (91-92).

Prestável é a segunda qualidade do amor. Indica que o amor não é apenas um sentimento, mas é sobretudo um obrar, um ‘fazer o bem’, ou seja, é uma reação dinâmica e criativa perante os outros. O amor «beneficia e promove os outros» (93 e 94).

O amor cura a inveja, pois nos faz sair de nós mesmos, apreciando os sucessos alheios, aceitando que cada um tenha dons distintos e siga caminhos diferentes na vida. Assim entendido, o amor leva-nos a uma apreciação sincera de cada ser humano, reconhecendo o seu direito à felicidade (95-96).

Não é arrogante, porque o que nos faz grandes é o amor que compreende, que cuida, integra, está atento aos fracos. Por isso a humildade «faz parte do amor, porque, para poder compreender, desculpar ou servir os outros de coração, é indispensável curar o orgulho e cultivar a humildade» (97-98).

Atributo ainda do verdadeiro amor é a amabilidade, um estilo que faz parte das exigências irrenunciáveis do mesmo amor. Como já afirmava Tomás de Aquino: 'Todo o ser humano está obrigado a ser afável com aqueles que o rodeiam'. Aliás, «quanto mais íntimo e profundo for o amor, tanto mais exigirá o respeito pela liberdade e a capacidade de esperar que o outro abra a porta do seu coração».

O amor amável gera vínculos, cria laços, cria novas redes de integração, constrói um tecido social firme. Espontaneamente, «a pessoa que ama é capaz de dizer palavras de incentivo, que reconfortam, fortalecem, consolam, estimulam» (99-100).

O amor é também desprendido. O exemplo maior é o das mães que são as que mais amam, humanamente falando, e procuram sempre mais amar do que ser amadas (101-102).

O amor não se irrita, porque «se a indignação é saudável, quando nos leva a reagir perante uma grave injustiça; ela é prejudicial, quando tende a impregnar todas as nossas atitudes para com os outros. Aliás, nunca se deve terminar o dia sem fazer as pazes com a família (103-104).

Perdão e alegria

O perdão, que é o contrário do ressentimento, não é fácil, mas a verdade é que «a comunhão familiar só pode ser conservada e aperfeiçoada com grande espírito de sacrifício, que exige de todos e de cada um uma pronta e generosa disponibilidade à compreensão, à tolerância, ao perdão, à reconciliação». Mas «para se poder perdoar precisamos de passar pela experiência libertadora de nos compreendermos e perdoarmos a nós mesmos» (105-107).

Além de perdoar, alegra-se com a felicidade genuína dos outros, pois 'Deus ama quem dá com alegria'. «Nosso Senhor aprecia de modo especial quem se alegra com a felicidade do outro», e quem não o faz, condena-se a viver com pouca alegria, porque, como disse também Jesus: 'Há mais felicidade em dar do que em receber'.

A família deve ser sempre o lugar onde uma pessoa que consegue algo de bom na vida, sabe que ali se vão congratular com ela (109 e 110).

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Palavras-Chave:
Família  •  Amoris laetitia  •  Matrimónio  •  Caridade
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