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Carlos Nuno Salgado Vaz | 10 Jul 2016
A alegria do amor – 12
A melhor forma de preparar e consolidar o futuro é viver bem o presente.
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  © Rido

Dos números 217 a 230, a exortação do Papa Francisco ocupa-se da importância do acompanhamento dos casais nos primeiros anos de vida matrimonial. E se a preparação remota para o casamento é quase nula, e a próxima é bastante deficiente, o acompanhamento dos jovens casais não ocupa lugar nem tempo nas preocupações pastorais da Igreja.

Os desafios lançados pela «Alegria do Amor» são demasiado importantes. Não podemos ficar reféns da agenda mediática que quer ver se se rompem ou não os princípios irrenunciáveis do matrimónio católico com a discussão da admissão ou não à comunhão dos recasados civilmente.

Uma questão de amor

«O matrimónio é uma questão de amor: só se podem casar aqueles que se escolhem livremente e se amam. Apesar disso, se o amor se reduzir a mera atração ou vaga afetividade, isto faz com que os cônjuges sofram duma extraordinária fragilidade quando a afetividade entra em crise ou a atração física diminui. Uma vez que estas confusões são frequentes, torna-se indispensável o acompanhamento dos esposos nos primeiros anos de vida matrimonial, para enriquecer e aprofundar a decisão consciente e livre de se pertencerem e amarem até ao fim» (número 217).

Aceitar o cônjuge

O futuro tem de se construir dia-a-dia, com a ajuda da graça de Deus. É preciso pôr de lado as ilusões. Não se pode pretender que o cônjuge seja perfeito. É preciso aceitá-lo tal como é: inacabado, chamado a crescer, em caminho.

«O sim que deram um ao outro é o início de um itinerário, cujo objetivo se propõe superar as circunstâncias que surgirem e os obstáculos que se interpuserem» (218).

Nos primeiros anos de matrimónio, é a esperança que tem em si a força do fermento «que faz olhar para além das contradições, conflitos, contingências, que sempre faz ver mais além; é ela que põe em movimento a ânsia de se manter num caminho de crescimento. A mesma esperança convida-nos a viver em cheio o presente, colocando o coração na vida familiar, porque a melhor forma de preparar e consolidar o futuro é viver bem o presente» (219).

Caminho de amadurecimento

No lar, as decisões não se podem tomar unilateralmente, pois ambos compartilham a responsabilidade pela família, sendo certo que cada lar é único e cada síntese conjugal é diferente.

Um dos perigos que mais ameaça a vida matrimonial é ter «expectativas demasiado altas sobre a vida conjugal. Quando se descobre a realidade mais limitada e problemática do que se sonhara, a solução não é pensar imediata e irresponsavelmente na separação, mas assumir o matrimónio como um caminho de amadurecimento, onde cada um dos cônjuges é um instrumento de Deus para fazer crescer o outro.

Talvez a maior missão de um homem e de uma mulher no amor seja a de se tornarem, um ao outro, mais homem e mais mulher. Fazer crescer é ajudar o outro a moldar-se na sua própria identidade. Por isso o amor é artesanal.... O amor faz com que um espere pelo outro, exercitando aquela paciência própria de artesão, que herdou de Deus» (220 e 221).

Acompanhamento pastoral

Os padres sinodais assumiram sem rodeios que os primeiros anos de matrimónio são absolutamente vitais e delicados, pois neles os noivos crescem na consciência dos desafios e do significado do matrimónio. «Daí a necessidade de um acompanhamento pastoral que continue depois da celebração do sacramento» (223).

Os recém-casados precisam de alguém que os ajude a compreender e assimilar gozosamente que «o amor precisa de tempo disponível e gratuito, colocando outras coisas em segundo lugar. Faz falta tempo para dialogar, abraçar-se sem pressa, partilhar projetos, escutar-se, olhar-se olhos nos olhos, apreciar-se, fortalecer a relação» (224).

O Papa aponta mesmo passos concretos na vida do dia-a-dia: «É bom dar-se sempre um beijo pela manhã, benzer-se todas as noites, esperar pelo outro e recebê-lo à chegada, ter alguma saída juntos, compartilhar as tarefas domésticas... vencer a rotina com a festa, não perder a capacidade de celebrar em família, alegrar-se e festejar as experiências belas... quando se sabe celebrar, esta capacidade renova a energia do amor, liberta-o da monotonia e enche de cor e de esperança os hábitos diários» (226).

Devem ainda ser incentivados à confissão frequente, à direção espiritual, a participar em retiros (227). Muitos dirão que o Papa está a sonhar, a propor uma vida que mais parece a de um consagrado que a de um leigo. Mas o compromisso matrimonial, para ser realizado de verdade, precisa de tudo isto. E este é o desafio do acompanhamento pastoral. Enorme desafio!

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