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Carlos Nuno Salgado Vaz | 17 Jul 2016
A alegria do amor – 13
Vive-se juntos para aprender a ser feliz de maneira nova.
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Os números 232 a 238 da «Alegria do Amor» sobre o «Desafio das crises» são tão oportunos e iluminadores que bem merecem quase a transcrição integral.

A crise implica uma aprendizagem

Começa por afirmar que as crises de todo o género que marcam uma família são também parte da «sua dramática beleza». Por isso é preciso ajudar a descobrir que uma crise superada «não leva a uma relação menos intensa, mas a melhorar, sedimentar e maturar o vinho da união».

Ao servir-se da metáfora do vinho servido em último lugar nas bodas de Caná que, contrariamente ao costume local, não era o mais fraco, mas o melhor, Francisco diz que «não se vive juntos para ser cada vez menos feliz, mas para aprender a ser feliz de maneira nova, a partir das possibilidades que abre uma nova etapa». Isto porque cada crise implica uma aprendizagem que permite incrementar a intensidade da vida comum ou, pelo menos, encontrar um novo sentido para a experiência matrimonial.

Nada de resignar-se a que a vida em comum implique uma curva descendente, uma deterioração da relação, uma mediocridade que se tem de suportar. «Pelo contrário, quando se assume o matrimónio como uma tarefa que implica também superar obstáculos, cada crise é sentida como uma ocasião para chegar a beber juntos o vinho melhor».

Daí a importância de acompanhar os cônjuges para que sejam capazes de aceitar as crises que lhes sobrevêm, aceitar o desafio e atribuir-lhes um lugar na vida familiar». Este facto comporta o desafio de que os casais experientes e formados estejam dispostos a acompanhar outros nesta descoberta, para que as crises não os assustem nem os levem a tomar decisões precipitadas, porque «cada crise esconde uma boa notícia, que é preciso saber escutar, afinando os ouvidos do coração» (número 232).

Evitar o isolamento

Uma crise incomoda sempre, mas a negação dos problemas, escondê-los ou relativizar a sua importância não é o remédio, pois não basta esperar que o tempo passe.

«Numa crise não assumida, o que mais se prejudica é a comunicação. Assim, pouco a pouco, aquela que era a 'pessoa que amo' passa a ser 'quem me acompanha sempre na vida', e depois, apenas 'o pai ou a mãe dos meus filhos' e, por fim, um estranho'» (233).

Nas crises, o mais importante é evitar o isolamento e que as pessoas se tranquem num silêncio mesquinho e enganador.

É necessário, sim, «criar espaços para comunicar de coração a coração. O problema é que se torna ainda mais difícil comunicar num momento de crise, se nunca se aprendeu a fazê-lo. É uma verdadeira arte que se aprende em tempos calmos, para se pôr em prática nos tempos borrascosos. É preciso ajudar a descobrir as causas mais recônditas nos corações dos esposos e enfrentá-las como um parto que passará e deixará um novo tesouro».

Todavia, em situações difíceis ou críticas, a maioria dos casais não recorre ao acompanhamento pastoral – se é que ele existe – porque não o sentem compreensivo, próximo, realista, encarnado» (234).

Crises «normais»

Em todos os matrimónios há crises, e há crises que costumam verificar-se em todos eles. Uma é a crise do início, quando é preciso aprender a conciliar as diferenças e a desligar-se dos pais; outra é a crise da chegada de um filho «com os seus novos desafios emotivos; a crise de educar uma criança, que altera os hábitos do casal; a crise da adolescência do filho, que exige muitas energias, desestabiliza os pais e às vezes contrapõem-nos entre si; a crise do 'ninho vazio', que obriga o casal a fixar de novo o olhar um no outro; a crise causada pela velhice dos pais dos cônjuges, que requer mais presença, solicitude e decisões difíceis».

Todas estas situações são exigentes, provocam temores, sentimentos de culpa, por vezes depressões ou cansaços que podem afetar gravemente a união (235).

Crises pessoais

A estas crises, que poderíamos classificar de normais e inevitáveis em qualquer família, vêm juntar-se «as crises pessoais com incidência no casal, relacionadas com dificuldades económicas, laborais, afetivas, sociais, espirituais. E acrescentam-se circunstâncias inesperadas, que podem alterar a vida familiar e exigir um caminho de perdão e reconciliação».

Dar o passo do perdão deve levar cada um a questionar-se se não criou as condições para expor o outro a cometer certos erros. Acusar-se mutuamente não ajuda.

«A experiência mostra que, com uma ajuda adequada e com a ação da graça, uma grande percentagem de crises matrimoniais é superada de forma satisfatória. Saber perdoar e sentir-se perdoado é uma experiência fundamental na vida familiar» (236).

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